O despertar de um novo tempo: Recife se despede de 2025
Com portões abertos e pés na areia, a capital pernambucana transforma sua orla em um anfiteatro de desejos para 2026
A maresia já se mistura ao perfume das flores de oferenda e ao som das passagens de som que ecoam pelas estruturas montadas à beira-mar do Pina, palco da festa na Zona Sul da capital. No Recife, a virada de ano nunca é apenas uma mudança de data; é uma coreografia entre o rio e o oceano. Com os portões dos polos festivos oficialmente abertos desde as 18h desta última noite de 2025, a cidade deixa de ser um mapa de asfalto para se tornar um território de encontros.
Da areia do Pina, onde o palco se impõe contra o horizonte com muitos fogos, até o Morro da Conceição, o movimento é de uma multidão que busca, na música e na esperança, o combustível para os próximos 12 meses. O rito já começou: famílias estendem seus lençóis na areia, grupos de amigos brindam o "corre" de um ano intenso e o cheiro de milho cozido e espetinho perfuma a brisa que sopra, generosa, aliviando o calor típico do verão pernambucano.
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Energia em alta
A noite de hoje é desenhada por encontros de peso que prometem manter a energia lá no alto até o primeiro raiar de 2026. No Polo Pina, o grande epicentro da festa, a orla torna-se um mar de gente para receber, entre outros nomes, a poesia de Alceu Valença às 20h30, preparando o espírito para a contagem regressiva que será comandada por Wesley Safadão a partir das 22h30.
Após o brinde da meia-noite, a madrugada ganha o balanço sertanejo de Matheus & Kauan, fechando com o carisma de Lipe Lucena para os que teimarem em ver o sol nascer. Paralelamente, nos polos descentralizados como a Lagoa do Araçá, o Ibura e o Morro da Conceição, o ritmo é ditado pela prata da casa e pelo brega que faz parte do DNA recifense, garantindo que a alegria não tenha CEP exclusivo e chegue a todos os cantos da capital.
A trilha sonora de um estado em festa
A programação deste ano não é apenas um conjunto de shows, mas um retrato da diversidade que nos define. Enquanto as luzes dos palcos começam a colorir os rostos de quem chegou cedo para garantir o melhor lugar, o line-up costura gerações. Do frevo que ferve o sangue à batida contemporânea que dialoga com o Brasil, a trilha sonora desta noite é um manifesto de resistência cultural.
À beira-mar, o palco principal se prepara para ser o epicentro de uma catarse coletiva. Ali, onde o Recife festeja a virada, a música funciona como um abraço que prepara o espírito para o novo ciclo. Os portões abertos são o convite para que o morador do morro e o do asfalto ocupem, juntos, o mesmo espaço de celebração.
O espetáculo no céu e o silêncio da prece
Quando os ponteiros se aproximarem da meia-noite, os olhos se voltarão para o alto. O show pirotécnico, planejado para ser um balé de cores sobre o mar, é o ápice do encantamento. Mas, para além do estrondo dos fogos, há um silêncio sagrado que habita o pernambucano: aquele segundo de prece silenciosa, de pé na água, pedindo por saúde, por mesa farta e por um 2026 de mais justiça.
É entre o estouro do champanhe e o primeiro acorde da orquestra de frevo do dia 1º que o Recife reafirma sua identidade. A cidade não espera o futuro sentada; ela o recebe dançando, com a força de quem sabe que cada ano é uma nova ponte a ser atravessada.
As luzes já brilham, os polos estão vivos e a noite é uma criança que teima em não querer dormir. Recife já respira 2026. E o convite, como sempre, é para quem tiver coragem de se deixar levar pela correnteza da esperança.
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