Município sertanejo de Pernambuco está sem água há 70 dias
Moradores dizem que não vão mais pagar a conta da Compesa
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Um tonel azul, de tamanho GG, foi instalado no “Calçadão”, no Centro da cidade sertaneja de Dormentes, para que as contas de água remetidas pela Compesa fossem jogadas dentro dele e não fossem pagas. O protesto se deu pela falta de água nas residências locais há 70 dias. O barril ficou lotado.
“Uma situação de calamidade pública”, segundo a organizadora da manifestação, a confeiteira Jaiane Castro, 30 anos. O município se localiza no Sertão do São Francisco, a 649 quilômetros do Recife.
“As pessoas estão com dificuldade de cozinhar, lavar roupa, tomar banho, lavar pratos, fazer coisas básicas e fundamentais do dia a dia. As contas continuam sendo pagas, mas a água não chega. O calote à Compesa, então, foi a saída de consenso tomada pelos moradores do município”, declarou.
A situação em Dormentes, que tem 17 mil habitantes, também foi abordada no programa Ronda Geral, conduzido por Moab Augusto, da TV Tribuna/Band (canal 4). O clima no local é semiárido.
Entre 300 e 500 pessoas participaram da mobilização, segundo os organizadores. A manifestação foi realizada na noite desta quinta-feira (26) e divulgada à imprensa nesta sexta-feira (28), com o lema “Sem água, sem grana”.
“A gente não recebe água, ninguém vai pagar mais”, disse a confeiteira. “Estamos pedindo a isenção das contas. Estamos pagando mensalmente, como se tivéssemos usado os 30 dias, e não recebemos água. Inclusive, estão vindo valores absurdos para serem pagos para alguns moradores, de R$ 400 a R$ 700”, acrescentou.
A própria Jaiane ressaltou ter pago uma conta de R$ 180 na Compesa, além de ter comprado R$ 200 de carro-pipa, água mineral para cozinhar e beber. A água do carro-pipa é colhida em barragens locais e não tem tratamento adequado para consumo humano.
“Quem não consegue pagar o carro-pipa, pega água no vizinho ou fica sem tomar banho. Tem gente deixando criança sem ir para a escola porque não tem como limpar as roupas da criança. Tem gente indo tomar banho no posto, pagando R$ 3 por um banho de dois minutos. É uma situação de calamidade pública”, disse ela, revoltada.
Jaiane também é professora de formação e participa de uma ONG em defesa das mulheres em Dormentes, mas foi escolhida para representar os moradores neste protesto.
A Compesa foi procurada para falar sobre o assunto. Mais informações em breve.
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