Mulher atropelada por cavalo da PM no Galo da Madrugada aguarda cirurgia em Recife
Vítima de 53 anos sofreu fraturas nas duas pernas após animal se descontrolar durante desfile; família denuncia negligência no socorro inicial
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Com informações de Marwyn Barbosa
Uma mulher de 53 anos, identificada como Maria José Bezerra, permanece internada e aguarda definição médica para realizar cirurgias após ser atropelada por um cavalo da Polícia Militar de Pernambuco. O acidente ocorreu no último sábado (14), durante o desfile do Galo da Madrugada, no centro do Recife. Imagens registradas por foliões mostram o momento em que o animal fica descontrolado, o policial cai e o cavalo atinge pelo menos três pessoas, incluindo uma mulher, um comerciante e um ciclista.
Maria José sofreu uma fratura no joelho esquerdo e outra na tíbia direita. Após ser inicialmente atendida no Hospital da Restauração (HR), ela foi transferida para outra unidade de saúde, onde aguarda o resultado de uma nova tomografia para determinar se passará por intervenção cirúrgica ou se as lesões serão tratadas apenas com imobilização. Segundo a filha da vítima, Micaela Bezerra da Silva, a paciente está estável, mas sente dores intensas e depende de fraldas por não conseguir se locomover.
Denúncia de omissão
A família relata dificuldades no atendimento logo após o incidente. De acordo com Micaela, os policiais presentes teriam resistido a prestar socorro imediato, alegando que a vítima estava bem e tentando forçá-la a levantar, apesar das dores.
"Eles não queriam socorrer, disseram que ela estava bem. Minha tia, que é técnica de enfermagem, exigiu o socorro. Só voltaram com a viatura após muita insistência e ainda foram desrespeitosos", afirmou a filha.
Repercussão e medidas Jurídicas
O comando da Cavalaria da PM procurou a família após a repercussão das imagens, oferecendo suporte para o que fosse necessário. No entanto, o advogado da família, Guilherme Monteiro, destaca que o processo de recuperação caminha a "passos de tartaruga" devido ao feriado de Carnaval, que atrasou exames essenciais. Monteiro informou que, caso a cirurgia não ocorra imediatamente, buscará uma liminar na Justiça para obrigar o Estado a realizar o procedimento e, posteriormente, pedirá reparação por danos morais e materiais.
Este é o segundo caso envolvendo cavalos da PM em grandes eventos em Pernambuco apenas em 2026. Em janeiro, um animal atingiu um grupo de torcedoras do Santa Cruz na Arena de Pernambuco. O comandante da cavalaria teria justificado o incidente no Galo afirmando que o cavalo se assustou com o barulho de uma banda.
Em nota, a Polícia Militar de Pernambuco informou que o cavalo apresentou uma "sensibilidade incomum" ao som de um grupo musical na Rua da Aurora, apesar do treinamento para grandes eventos. A corporação negou a falta de assistência, afirmando que duas pessoas receberam atendimento imediato por equipes do 16º Batalhão e do Regimento de Polícia Montada (RPMon), sendo levadas ao Hospital da Restauração. A PM declarou ainda que ressarciu os danos materiais de um comerciante no local e que mantém contato com a filha de Maria José para oferecer o suporte necessário.
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