Calor aumenta risco de lesões de pele por pressão em pacientes acamados
Sem cuidados adequados, o problema pode evoluir para infecções graves que ameaçam a vida; especialista dá dicas sobre como prevenir o agravamento
Pacientes acamados ou com mobilidade reduzida enfrentam diversos desafios para manter a qualidade de vida, especialmente durante o verão. Entre os principais cuidados está a prevenção e/ou minimização dos ferimentos causados pela permanência prolongada na mesma posição, conhecidos como lesões por pressão.
A condição ocorre quando há interrupção da circulação sanguínea em determinada região do corpo devido à pressão ou ao atrito da pele com alguma superfície por tempo prolongado. Quando associada às altas temperaturas, o risco de surgimento e agravamento dessas lesões aumenta significativamente.
“Nos dias quentes, há maior sudorese, e a umidade constante deixa a pele mais frágil e suscetível a erosões que podem evoluir para lesões. Além disso, o suor faz com que roupas, lençóis e fraldas grudem na pele, aumentando o atrito. Tudo isso favorece não só as lesões por pressão, mas também assaduras, dermatites e infecções de pele”, explica o geriatra Lukas Luna, gerente médico da Clínica Florence Recife, hospital especializado em cuidados paliativos e reabilitação.
A falta de hidratação adequada durante os períodos mais quentes também representa um risco importante, especialmente para os idosos. Isso porque essa faixa etária tende a sentir menos sede, e a desidratação compromete a resistência da pele, tornando-a ainda mais vulnerável a lesões.
As regiões mais suscetíveis ao desenvolvimento das lesões são aquelas com proeminências ósseas, como sacro e nádegas, calcanhares, quadris, cotovelos, escápulas e tornozelos. O especialista alerta que, se não forem prevenidas ou tratadas corretamente, essas lesões podem evoluir para complicações graves, desde infecções leves, tratáveis com curativos, até úlceras profundas e infecções generalizadas que podem ameaçar a vida do paciente.
“A complicação mais simples da lesão é a dor, que, ao mesmo tempo, é uma das mais degradantes para a qualidade de vida do paciente”, afirma o geriatra. “Entre as mais graves está a infecção profunda do osso, que acontece quando a lesão ultrapassa a pele, o músculo e atinge o tecido ósseo. Quando a bactéria se instala no osso, muitas vezes não há tratamento curativo, apenas controle a longo prazo”, complementa.
O especialista também destaca que pacientes que ficam acamados temporariamente em decorrência de AVC ou quedas podem ter o processo de reabilitação atrasado caso desenvolvam lesões por pressão, dificultando o retorno às atividades normais antes do acidente.
Dicas para prevenir ou minimizar lesões por pressão no verão
O especialista lista orientações importantes para evitar esse tipo de ferimento em pacientes acamados ou cadeirantes, especialmente durante o período mais quente do ano:
- Não manter o paciente na mesma posição por mais de duas horas; é fundamental estimular a movimentação e realizar mudanças frequentes de posição
- Observar áreas avermelhadas e evitar apoiar o paciente sobre esses locais
- Utilizar superfícies adequadas para repouso; evitar almofadas em formato de disco de gel, exceto se forem de cobertura completa
- Usar colchão tipo “caixa de ovo” ou pneumático, quando houver indicação da equipe de enfermagem e/ou médica
- Manter a pele hidratada com cremes adequados, sem excessos
- Priorizar o uso de cremes de barreira nas áreas cobertas por fralda
- Optar por roupas leves, preferencialmente de algodão
- Manter o ambiente arejado
- Trocar a fralda sempre que houver urina ou fezes
“É importante reforçar que toda lesão por pressão é evitável. Caso o ferimento já exista, ele deve ser observado diariamente. Se houver vermelhidão persistente por mais de 24 a 48 horas, sem sinais de melhora, a família ou o cuidador precisam procurar um profissional para avaliação adequada”, finaliza o Dr. Lukas Luna.
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