Assembleia define paralisação de 24 horas da Polícia Civil no dia 4 de fevereiro
Decisão foi tomada após passeata no Centro do Recife; nova mobilização pode levar à decretação de greve
Policiais civis de Pernambuco decidiram, em assembleia realizada nesta terça-feira (27), pela paralisação das atividades por 24 horas no próximo dia 4 de fevereiro. A deliberação ocorreu após uma passeata no Centro do Recife, organizada pelo Sindicato dos Policiais Civis de Pernambuco (SINPOL-PE), em parceria com a Associação dos Delegados de Polícia de Pernambuco (ADEPPE).
Antes da assembleia, a categoria saiu em caminhada a partir da sede do SINPOL, percorrendo as avenidas Cruz Cabugá e Conde da Boa Vista, além da Rua da Aurora, até o Palácio do Campo das Princesas, no bairro de Santo Antônio. Segundo o sindicato, o ato teve como foco a valorização profissional e o cumprimento da ação da carga horária, direito já reconhecido pela Justiça.
Durante o percurso, policiais civis da ativa, aposentados e recém-ingressos reforçaram cobranças por diálogo, respeito institucional e efetivação de decisões judiciais favoráveis à categoria, conforme informou o SINPOL-PE.
Deliberações da assembleia
No Palácio do Governo, os policiais civis realizaram assembleia e aprovaram um calendário de mobilizações. Ficou definida a paralisação de 24 horas no dia 4 de fevereiro e uma nova passeata no dia 11, com concentração marcada para as 15h, na sede do SINPOL, novamente em conjunto com a ADEPPE. Segundo o sindicato, há possibilidade de decretação de greve nessa data.
Também foram deliberadas, de acordo com o SINPOL-PE, a abertura de uma agenda conjunta com a governadora a partir do dia 5 de fevereiro e a entrega do PJES, que passará a ocorrer no mês de março.
Críticas à estrutura e salários
Segundo o sindicato, a categoria voltou a denunciar a falta de investimentos estruturais na Polícia Civil de Pernambuco. A entidade afirma que o estado segue entre os que possuem os piores salários do país e que há delegacias funcionando em condições precárias, muitas vezes sem manutenção adequada, água potável e material básico de trabalho.
De acordo com o presidente do SINPOL-PE, Áureo Cisneiros, a valorização da Polícia Civil precisa ir além de discursos institucionais. Para ele, é necessário transformar o reconhecimento público da importância da categoria em ações concretas.
“Valorização é carreira, é estrutura, é Lei Orgânica e, principalmente, o cumprimento daquilo que já foi garantido pela Justiça. A Polícia Civil não pode continuar sendo desrespeitada após anos de decisões judiciais favoráveis e promessas que não saem do papel”, afirma.
Ainda segundo o presidente do SINPOL-PE, a Polícia Civil de Pernambuco não pode continuar sendo utilizada ou exposta em disputas políticas. Ele destacou que a instituição, com mais de 200 anos de história, precisa ser respeitada e preservada.
“A Polícia Civil não pode ser desmoralizada, nem colocada em situações que levantem questionamentos sobre ordens, interesses ou interferências externas. É uma instituição bicentenária, formada por servidores que cumprem a lei, e que não pode ser desrespeitada por decisões políticas. Quem determina investigações precisa ter responsabilidade, transparência e respeito com a Polícia Civil e com a sociedade pernambucana”, enfatiza.
Ao final, o sindicato informou que a mobilização continuará até que, segundo a entidade, os direitos da categoria sejam respeitados e efetivamente cumpridos.
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