Marco Zero traz imponência e Cais da Alfândega comemora os 30 anos do Rec-Beat
Noite deste sábado (14) tem Liniker, Ludmilla e estreia de palco eletrônico no Cais da Alfândega
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O Bairro do Recife, neste Sábado de Zé Pereira (14), transforma-se em um organismo vivo de pulsação dupla. Não é preciso caminhar muito para mudar de universo; basta circular entre a imponência do Marco Zero e o frescor vanguardista do Cais da Alfândega. Enquanto um celebra a apoteose das multidões, o outro festeja três décadas de história transformando a margem do rio em uma pista que desafia o tempo.
A realeza que abre alas no Marco Zero
A tarde começou com o "Recife Matriz de Cultura Popular". É um desfile de resistências sob o sol que banha o paralelepípedo. Ver o Bloco Carnavalesco Misto Flor da Lira ou a Nação de Maracatu Encanto do Pina ocupar o palco principal é testemunhar a vitória de quem mantém o frevo e o baque virado pulsando o ano inteiro.
O destaque de gala surge às 18h, quando o Maestro Ademir Araújo traz de Paris para o Recife um show inédito. Ao lado de Flaira Ferro e Almério, a Orquestra Popular do Recife prova que o frevo é uma língua universal, capaz de silenciar o Louvre e, logo em seguida, incendiar a Praça Rio Branco.
Caju, batom e ostentação: o ápice da noite
Conforme a lua sobe, o Marco Zero muda de pele e escala. O Bloco do Silva traz o frescor do pop nacional às 19h30, mas é às 21h que o coração da cidade promete bater mais forte. Liniker, com a estética visceral de seu álbum Caju, convida a força de Amaro Freitas e o fenômeno Priscila Senna. É a síntese do Recife atual: o virtuosismo do jazz e o coro uníssono do brega romântico.
A noite ainda reserva o furacão Ludmilla, às 22h50, trazendo o funk para o centro da folia, antes de entregar o palco para a "Capital do Brega". Anderson Neiff e o coletivo de brega-funk fecham a madrugada, transformando o Marco Zero em um imenso "passinho" coletivo.
Trinta anos de vanguarda: o nascimento do moritz na Alfândega
A poucos metros dali, o Festival Rec-Beat comemora seu trigésimo aniversário. Este sábado marca o lançamento do Moritz, um projeto dedicado exclusivamente à música eletrônica, curado por Paulete Lindacelva.
Desde as 18h, o Cais da Alfândega se torna um laboratório sonoro. A house music de Paulete encontra a experimentação carioca de Carlos do Complexo e a herança latina da colombiana Piolinda Marcela. Enquanto o Marco Zero canta os sucessos do rádio, o Rec-Beat convida ao transe e à descoberta de sons que desenham o futuro da música global.
Duas margens, um só sentimento
O folião recifense vive hoje o privilégio da escolha em um curto trajeto. No Marco Zero, a história é contada em capítulos de multidão; no Cais da Alfândega, ela é escrita em linhas de baixo e sintetizadores. Entre o batuque ancestral e o beat digital, o Bairro do Recife se confirma como o epicentro onde todas as tribos se encontram.
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Programação Marco Zero – Sábado (14/02)
16h: Recife Matriz de Cultura Popular (Desfile das Vice-campeãs: Flor da Lira, Boi Fantástico, Carijós, Girassol da Boa Vista, Raíssa no Frevo, Galeria do Ritmo, Estrela Dourada, Encanto do Pina, Índio Tabajaras, Abanadores do Arruda e Urso da Tua Mãe)
18h: Orquestra Popular do Recife (Maestro Ademir Araújo convida Flaira Ferro, Almério e Guerreiros do Passo)
19h30: Bloco do Silva
21h: Liniker - Show Caju (Participação de Amaro Freitas e Priscila Senna)
22h50: Ludmilla
00h30: Anderson Neiff
01h10: Recife Capital do Brega
Programação Rec-Beat (Cais da Alfândega) – Palco Moritz – Sábado (14/02)
18h: Paulete Lindacelva (PE)
19h20: LOFIHOUSEBOY (PA)
20h40: DAVS (PE)
22h: Piolinda Marcela (Colômbia)
23h10: SPHYNX (SP)
00h20: Carlos do Complexo (RJ)
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