Disputa de palanques e segurança fazem Lula reavaliar vinda ao Galo da Madrugada
Equilíbrio eleitoral e logística no Recife põem à prova a vitrine de Lula no Nordeste; entenda os bastidores e o que muda
Siga o Tribuna Online no Google
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reavalia sua participação no Galo da Madrugada, no Recife. O convite oficial partiu do prefeito João Campos (PSB), e a agenda chegou a ser anunciada pelo deputado federal Carlos Veras (PT). No entanto, o Palácio do Planalto ainda não bateu o martelo. A decisão passa por um complexo tabuleiro que envolve segurança e alianças políticas locais.
Três fatores geram a reavaliação. O primeiro é a logística. O Galo da Madrugada move multidões em corredores estreitos e ruas da cidade, o que impõe um desafio de alto risco para a segurança presidencial. O segundo ponto é a divisão política: a possibilidade de Lula ter dois palanques opostos em Pernambuco. De um lado, o de João Campos; do outro, o da governadora Raquel Lyra (PSD).
O peso do PSD no xadrez político
A presença de Raquel Lyra no cenário amplia a complexidade nacional. O PSD, partido da governadora, é considerado uma peça fundamental no xadrez de Lula para a governabilidade e para as eleições de 2026. Nos bastidores de Brasília, a legenda já foi cogitada para indicar um nome à vice-presidência na chapa de reeleição de Lula.
João Campos, por sua vez, defende publicamente a manutenção de Geraldo Alckmin (PSB) no posto. O prefeito do Recife utiliza a máxima: “Em time que está ganhando não se mexe”. O movimento ganha força com a sinalização do próprio Alckmin, que já descartou uma nova candidatura ao Governo de São Paulo, reforçando sua permanência no projeto nacional ao lado do petista.
Bastidores
Apesar das incertezas, aliados próximos mantêm o otimismo. Durante o Baile Municipal, a senadora Teresa Leitão (PT) afirmou que não recebeu notícias sobre o cancelamento da vinda do presidente. O deputado Carlos Veras também não se posicionou sobre os novos rumores de recuo.
Segundo a assessoria do senador Humberto Costa (PT), a agenda em Pernambuco está mantida no cronograma oficial. Entretanto, interlocutores do PT reforçam que a confirmação definitiva só ocorrerá nos dias que antecedem o sábado de Zé Pereira.
Vitrine no Nordeste e o risco da exposição
A vinda do presidente ao Recife é um movimento de alta voltagem política. Do lado positivo, a presença no Galo da Madrugada funciona como uma potente vitrine. Lula reforçaria sua conexão com a base eleitoral no Nordeste e poderia consolidar a aliança com o PSB em um reduto estratégico.
Por outro lado, o Planalto calcula os riscos. O Carnaval de rua oferece o perigo de exposição descontrolada em um ambiente onde o Estado não detém o domínio total da massa. Há também o custo político. Lula precisa equilibrar a atenção entre a Prefeitura e o Palácio das Princesas. Um aceno exclusivo a João Campos agora poderia melindrar o PSD, gerando ruídos na base de apoio no Congresso Nacional.
Comentários