Os líderes
Da “sabedoria” universal aos palpites que falharam feio, por que terceirizamos nossa visão de mundo e como decidir melhor
Pedro Valls Feu Rosa
Pedro Valls Feu Rosa é desembargador ex-presidente do TJES e do Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo. Bacharel em Direito pela UFES, é autor de obras jurídicas e idealizador de projetos inovadores como o “Botão do Pânico”, vencedor do Prêmio Innovare.
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Dia desses meditava sobre o novo hábito de viver a vida através da vida de outras pessoas. Seria ele sábio? Até que ponto devemos ser influenciados em nossas opiniões e costumes? E por quem?
Decidi realizar uma rápida viagem no tempo, resgatando alguns ensinamentos — todos equivocados — que nos estimulam a melhor refletir.
Começo por Thomas Watson, presidente da IBM, em 1943: “Acho que existe um mercado mundial para talvez uns cinco computadores”.
Complementou-o Ken Olson, fundador da Digital Equipment Corporation, em 1977: “Não há razão para que alguém queira um computador em sua casa”.
E que dizer da previsão de Steve Ballmer, CEO da Microsoft, nos idos de 2007? Ei-la: “Não há chance de o iPhone conseguir qualquer participação de mercado significativa. Nenhuma chance”.
Outra “pérola”: “Prevejo que a internet logo se tornará uma supernova espetacular e, em 1996, entrará em colapso catastrófico” (Robert Metcalfe, co-inventor da Ethernet, 1995).
Mais uma: “O cavalo veio para ficar, mas o automóvel é apenas uma novidade, uma moda passageira” (Presidente do Michigan Savings Bank, aconselhando o advogado de Henry Ford a não investir na Ford Motor Co., em 1903). Segundo consta o advogado ignorou o conselho, investiu
5 mil dólares e vendeu suas ações, anos depois, por 12,5 milhões de dólares.
Ainda sobre transportes: “As viagens ferroviárias em alta velocidade não são possíveis porque os passageiros, incapazes de respirar, morreriam de asfixia” (Dr. Dionysius Lardner, professor de Filosofia Natural e Astronomia na University College London, em 1830). Segundo pesquisei, ele acreditava que o corpo humano se desintegraria ou sufocaria se viajasse a velocidades superiores a 30 km/h.
E: “Um homem feito de carne e osso nunca vai conseguir pousar na Lua, independentemente de todo o progresso científico futuro” (Lee De Forest, inventor do tubo de vácuo Audion, em 1926).
Prossigamos: “A televisão não vai durar. É apenas um fogo de palha. As pessoas logo vão se cansar de olhar para uma caixa de madeira todas as noites” (Darryl Zanuck, produtor de cinema e cofundador da 20th Century Fox, em 1946). Zanuck achava que o esforço visual de olhar para uma tela pequena cansaria o espectador rapidamente, mantendo o cinema como o rei absoluto do entretenimento doméstico.
Uma outra: “O Raio-X vai se provar uma farsa” (Lord Kelvin, físico britânico e presidente da Royal Society, em 1883).
Encerro esta relação com uma previsão exposta nos idos de 1966 pela respeitada “Time Magazine”: “O comércio eletrônico vai falhar redondamente. As mulheres gostam de sair de casa, tocar nas mercadorias e socializar”.
Agora medite um pouco: falamos de pessoas absolutamente brilhantes, formadoras de opinião — mas que erraram absurdamente. Agora pense no Brasil atual: recente pesquisa indicou que cerca de 72% das pessoas afirmam seguir influenciadores buscando opiniões e orientações sobre temas de interesse real. Dentre as gerações mais jovens, o impacto beira os 90%. Pois é! No que vai dar isso?
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