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O comportamento econômico do brasileiro necessita de mudança
Tribuna Livre

O comportamento econômico do brasileiro necessita de mudança

Desde o momento em que o avanço da divisão do trabalho ocasionou o aumento das comodidades e o surgimento de um meio de troca, o comportamento econômico dos indivíduos tem despertado particular interesse.

Nesse respeito, uma fecunda reflexão sobre o significado intrínseco do agir humano de um ponto de vista econômico encontra-se nos escritos de David Hume, para quem as paixões e, portanto, o desejo de uma vida cômoda e suntuosa constituem o motto da vida econômica.

Em A Riqueza das Nações, Adam Smith sugere que o egoísmo, ou seja, a busca pela satisfação de interesses pessoais funda as bases do crescimento do bem-estar coletivo, visto que “não é da benevolência do açougueiro [...] que esperamos o nosso jantar, mas da consideração que ele tem pelos próprios interesses”, derivando-se disso, subseqüentemente, a idéia de que os indivíduos agem racionalmente segundo um cálculo de maximização de lucros.

Thorstein Veblen (1857-1929), ao contrário, identificou nas transformações pelas quais passou a sociedade americana do limiar do século XX, os elementos a constituir sua crítica ao excessivo otimismo expresso na ideia de que o bem-estar coletivo resulta do esforço dos indivíduos em maximizar seus próprios interesses. Perspicaz observador das mudanças de seu tempo, Veblen problematiza os efeitos da emergência de um novo modo de fazer negócio, baseado na trustização dos processos produtivos.

Veblen constata que os empresários agem com o objetivo de aumentar a capacidade de ganho de seu capital, não para elevar o volume de produção; ou seja, seu propósito é maximizar seus ganhos monetários, não por meio de ações inovadoras, mas explorando as economias de produção e, principalmente, usando o poder financeiro a seu favor. Seu intuito, portanto, consiste em controlar e, de certo modo, restringir a produção, em vez de aumentar o seu volume, o que é contrário ao bem-estar geral.

A análise econômica desenvolvida por Veblen está em consonância com as descobertas realizadas no âmbito da Antropologia e Psicologia. Baseando-se nisso, ele frisa o surgimento de uma elite cujo modus vivendis ostenta um comportamento que contrastar com o conceito marginalista de homos economicus, já que em suas mãos a riqueza se dissipa em consumo conspícuo, desperdício, esbanjamento etc.

Veblen focaliza, assim, sua crítica àquilo que denomina classe ociosa, um seleto e restrito grupo de pessoas que concentra e controla boa parte da riqueza do país, afetando negativamente os investimentos produtivos, a produção e a distribuição de renda etc.

Veblen acusava, assim, a interpretação econômica marginalista de ser estática e retrógrada, posto que não acompanha à complexa dinâmica da realidade, desconsiderando o fato de que o comportamento econômico reflete variáveis culturais e hábitos arraigados, o que explica, por exemplo, porque para muitos o dinheiro representa uma fonte de prazer, em vez de investimento, embora se reconheça que, atualmente, urge-se uma mudança no comportamento econômico, sobretudo, do brasileiro.

Flávio Santos Oliveira é professor e doutor em História pela Ufes.
 

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