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Mouhamed Harfouch: "Vivemos em busca do que nos faz sonhar, viver e morrer”

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Mouhamed Harfouch: "Vivemos em busca do que nos faz sonhar, viver e morrer”


Mouhamed: “'Homem de Lata' me tirou da depressão, me reconectou com minha força, minha energia criativa!” (Foto: Divulgação)
Mouhamed: “'Homem de Lata' me tirou da depressão, me reconectou com minha força, minha energia criativa!” (Foto: Divulgação)

Pandemia, coronavírus, isolamento social, quarentena… Quem poderia imaginar que essas palavras fariam parte do repertório – e da vida – do ser humano em pleno 2020? Apesar do cenário triste, tem muita gente fazendo do limão uma limonada.

Que o diga o ator Mouhamed Harfouch, 42 anos, que no meio deste caos teve foco para escrever um espetáculo que será ambientado dentro de sua própria casa, ao vivo, e transmitido online.

Trata-se da peça “Homem de Lata”, que retrata, de forma bem-humorada, a viagem interna de Marcão (Mouhamed) em busca de respostas para questionamentos surgidos durante seu isolamento da família na pandemia.

Sem a mulher e o filho perto, ele analisa sua vida e seu papel na sociedade, ao constatar a crise no casamento e o fracasso profissional.

Mas será que o próprio Mouhamed se sente um “Homem de Lata”, aquele que não tem o poder do Homem de Aço e nem a coragem do Homem de Ferro? Aquele que, como o personagem do clássico “O Mágico de Oz”, está em busca de um “coração”?

“É assim que me sinto. Entre erros e acertos, podemos nos achar, por vezes, um Homem de Aço, de Ferro, mas todos vivemos em busca do nosso coração. Vivemos em busca do que nos faz sonhar, viver e morrer”, disse o ator ao AT2.

Com direção de João Fonseca, “Homem de Lata” é um desafio para o ator, que opera sozinho a luz, o som, as intervenções tecnológicas e o cenário da história. Além de todas essas atribuições, o pai de Ana Flor, 7 anos, e Bento, 3, precisa lidar com a rotina das crianças ao lado da mulher, Clarissa Eyer.


Mouhamed Harfouch | Ator
“Vou levar comigo as cicatrizes destes tempos”


AT2: Será uma experiência inédita, uma peça ao vivo e online. Dá um frio na barriga?
Mouhamed Harfouch: Dá sim, porque tudo é muito novo. Estamos desbravando um campo sem saber no que vai dar, mas com a cara, a coragem e o coração.

Como surgiu essa ideia?
Tenho esse projeto há cinco anos, junto com o Moises Liporage. Tínhamos a vontade de falar sobre o homem contemporâneo. No começo do ano, me encontrei com o João Fonseca e decidimos que iríamos fazer um espetáculo juntos. Apresentei uma versão antiga do “Homem de Lata”, mas estabelecemos que iríamos reescrever do zero, pois precisávamos de uma situação limite que detonasse toda a ação. Aí veio a pandemia, e o absurdo se fez real.

Como foram os ensaios? Mais complicado com a família por perto ou tranquilo?
Um loucura! Me sinto mais do que Homem de Lata, me sinto o Homem Polvo. (Risos) Organizar a vida de casa, com todos os cuidados que o momento exige, cuidar de duas crianças, e ainda escrever, produzir, atuar e operar de casa e sozinho… Sou louco mesmo. (Risos) Os ensaios foram a parte mais fácil, era onde me conectava com o lúdico e em um tempo só meu, enquanto as crianças dormiam.

Na hora de encenar a peça, como será a logística? Os filhos vão ficar em algum lugar específico para não atrapalhar?
Pela natureza de confinamento da peça, tenho que me isolar num quarto, mas não posso ter barulho próximo, o que com criança é sempre um risco. Nossos ensaios foram sempre à noite e a peça também se dará no mesmo horário, isso me garante o silêncio. (Risos)

Como imagina que seria sua quarentena sem a família perto?
Deprimido. Não lido bem com solidão.

E como está sendo sua quarentena real?
Um exercício de superação. Não é fácil lidar com um perigo invisível. De uma hora para outra, a vida nos passa uma rasteira e o mundo que conhecíamos some.

Qual a parte mais difícil?
Não poder levar uma vida normal. Sinto falta das pequenas coisas.

Qual a primeira coisa que vai fazer quando tudo passar?
Abraçar quem amo!

Qual aprendizado da quarentena pretende levar para o resto da vida?
Vou levar comigo sempre as cicatrizes destes tempos, e levarei a lembrança dos gestos de solidariedade. Vou deixar para trás tudo de pequeno, mesquinho e egoísta.

Como imagina que será a dramaturgia pós-pandemia?
Teremos que incorporar esta nova vida. Não dá para falar de um mundo atual sem passar por reeducação. Isto atingiu a todos e não conseguimos mais ver certas atitudes antigas e não pensar: “Caramba, ele está sem máscara”, “Caramba, eles estão aglomerados!”.

Durante este período, pensou em desistir da dramaturgia?
A arte sempre salva e ficou evidente isso no consumo de cultura , através de lives, filmes, livros, séries. “Homem de Lata” me tirou da depressão, me reconectou com minha força, minha energia criativa, minha poesia interna, meu combustível e meu prazer! Tudo passa, mas a cultura fica!

Qual o papel do artista neste momento?
Resistir.

O ser humano vai sair melhor disso tudo?
Não tenho dúvida! A gente aprende no afeto, mas também na dor. E a natureza é implacável, não controlamos nada.


Serviço


“Homem de Lata”
O quê: Peça com Mouhamed Harfouch
Quando: De sexta (26/6) até o retorno do funcionamento pleno dos teatros, sempre às sextas e aos sábados
Horário: 21h30
Ingresso: R$ 20 (www.sympla.com.br, onde a peça será transmitida). A renda integral das duas primeiras apresentações será doada para o Fundo de Apoio aos Trabalhadores de Teatro. Durante o resto da temporada, 15% de cada ingresso vendido serão automaticamente doados para o fundo e ainda será possível doar mais R$ 10,00
Classificação: 12 anos
Duração: 60 minutos
Informações: Via WhatsApp (21) 97440-8907.


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