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“Minha filha escapou da morte”, diz mãe de menina atingida por bala perdida na Serra

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Polícia

“Minha filha escapou da morte”, diz mãe de menina atingida por bala perdida na Serra


Com apenas 11 anos, uma estudante foi uma das vítimas da violência na Serra. A menina foi atingida nas costas por uma bala perdida enquanto levava o lixo para jogar fora, no bairro Solar de Anchieta, por volta das 19 horas da última segunda-feira (1°).

Quase 24 horas após o ocorrido, a mãe da garota, uma dona de casa de 38 anos, conversou com A Tribuna e comemorou: “Minha filha escapou da morte por milagre”.

Camisa que criança (destaque) usava quando foi atingida pela bala (Foto: Divulgação/Acervo Familiar)
Camisa que criança (destaque) usava quando foi atingida pela bala (Foto: Divulgação/Acervo Familiar)

A Tribuna – Como está a sua filha?
Dona de casa –
Agora, está melhor. Foi transferida hoje (terça-feira) do HPM (Hospital da Polícia Militar) para o Hospital Infantil de Vitória. Ela está na enfermagem, conversando, mas com muito medo de alguém encostar na barriga, onde fez a cirurgia. Ela reclama de dor e também pede para ir logo para casa, pois, está com medo de pegar coronavírus. Mas, por enquanto não tem previsão de alta.

Ela passou por cirurgia?
Sim, pois, a bala entrou e ficou alojada, não sei em que parte do corpo. Os médicos disseram que a bala foi retirada, graças a Deus.

Como descreve os momentos em que esperava sua filha passar por uma cirurgia?
De desespero e muita oração. Ela entrou às 21h30 no centro cirúrgico e saiu à meia-noite. Quando ela voltou da anestesia, veio o alívio.

O que aconteceu na noite de ontem (de segunda-feira)?
Ela foi à rua jogar o lixo fora. Eram 19 horas, tinha muito movimento na rua. Na hora, eu estava na casa de uma costureira, pertinho de casa, e recebi a ligação da minha outra filha dizendo que minha caçula tinha sido baleada.

O que fez?
Sai correndo, desesperada, mas ela já tinha sido socorrida. Estava consciente. Na hora, ela não percebeu que tinha sido baleada. Sentiu como se tivesse levado uma bolada. Ela estava com uma amiga de 9 anos e ambas correram para a casa de um vizinho, que percebeu que minha filha estava sangrando.

O que aconteceu com o alvo do tiro?
Não sei. Soube apenas que era um desafeto que chegou no bairro e atiraram nele sem se preocupar que havia inocentes. A sensação que fica é de revolta e desespero. Mas, agora, só tenho que agradecer, pois, a minha filha escapou da morte por um milagre. Na sexta-feira, minha cunhada teve uma revelação de que uma pessoa próxima da família teria um livramento.

Tem algum apelo a fazer?
Sim. Que a polícia passe mais no bairro, faça abordagens. De nada adianta vir depois que acontece algum crime. É preciso prevenir.

Secretário de Segurança culpa lei e falta de policiais

A falta de efetivo policial foi um dos pontos levantados pelo secretário de Estado da Segurança Pública, coronel Alexandre Ramalho, durante coletiva de imprensa para falar sobre os tiroteios e ataques que aconteceram ontem de manhã em Planalto Serrano, na Serra.

“A Polícia Militar e a Civil aposentam policiais todos os anos. Era preciso ter tido um planejamento para que, hoje, nós tivéssemos um efetivo considerável. Estamos planejando recompor o efetivo das instituições e dar continuidade às ações contra esses jovens inconsequentes e irresponsáveis”, disse.

Segundo ele, após o tiroteio, ontem, não havia policiais suficientes para garantirem a segurança dos motoristas de ônibus. “Naquele momento, não havia efetivo suficiente para permitir a entrada dos ônibus, até pelo receio dos motoristas. O município da Serra é muito grande”, frisou.

O secretário lamentou as ameaças sofridas por equipes de reportagem: “A imprensa ser agredida e ameaçada é algo descabido. Queremos fazer prisões e, quiçá, identificar esses indivíduos que fizeram essa covarde ameaça à imprensa”.

Alexandre Ramalho citou a importância do Legislativo federal para mudanças nas leis de combate à criminalidade. Ele frisou a quantidade de vezes em que a polícia prende, mas os bandidos voltam às ruas em seguida.

“Das 440 pessoas presas no período de um ano em Planalto Serrano, 87 foram presas mais de uma vez, e outras, até quatro vezes. Isso é uma sobrecarga de trabalho enorme para o policial militar lá na ponta, sem falar na sensação de impunidade geral desses criminosos”.

Por nota, o Tribunal de Justiça do Estado disse que o aumento da criminalidade violenta na Grande Vitória é um fato complexo e desafiador. “O Poder Judiciário está integrado com as demais instituições do sistema de Justiça criminal na busca de soluções para o enfrentamento deste lamentável fato, sempre com respeito aos direitos e garantias constitucionais e das normas processuais”, afirmou.


Análises


Rivelino Amaral
Advogado criminalista e professor de Processo Penal

“Ocupando áreas”

“Aos poucos, os criminosos vão ocupando áreas onde o Estado não controla. Até o armamento que eles usam, em muitos casos, é melhor do que o armamento da polícia. Os pontos estratégicos deles, com uma visão diferenciada, o acesso que eles têm e obtêm das comunicações, notadamente via rádio das polícias, também são facilitadores.

É notório que a polícia nem sempre entra em todos os bairros, com exceção das grandes operações policiais que são planejadas, com forte aparato policial. Nesses casos, os bandidos pensam duas vezes antes de reagirem, e podem até recuar”.

Flávio Fabiano
Advogado criminalista e especialista em Criminologia

“Prende e solta”

“Onde o poder público não chega, o poder paralelo se instala. O avanço da criminalidade sobre o território capixaba também encontra reflexo no famoso 'prende e solta'. Se a legislação é frágil e não se preocupa com a vítima e a sociedade, mas apenas em tirar o criminoso o quanto antes do sistema penitenciário, temos um impasse.

Prova disso é que presos em flagrante delito são postos quase imediatamente de volta às ruas, ainda que suas práticas ilícitas sejam reiteradas. Eles, portanto, estão logo de volta aos perímetros do crime. Para que as pessoas de bem, que buscam ter uma vida digna não tenham o direito de ir e vir impedido por esse poder paralelo, é preciso que o poder público exerça sua presença”.

Thiago Andrade
Mestre em Segurança Pública e professor universitário

“Choque de ordem”

“Nesse contexto de guerra entre quadrilhas pela disputa do controle do tráfico de drogas existe, paralelamente, uma subcultura de violência, onde esses indivíduos passam a aceitar a violência como uma forma de resolução dos conflitos. Eles valorizam essa violência e começam a externá-la também contra a população, impondo suas próprias regras.

Se o poder público não agir e colocar um choque de ordem, isso vai continuar e se perpetuar. Passa pela ideia de sensação de impunidade também. Quando o Estado não está presente, esse poder paralelo tende a aumentar”.

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