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Maconha não é droga inofensiva
Doutor João Responde

Maconha não é droga inofensiva

Quando aquele jovem apareceu no consultório, eu já sabia boa parte da história que ele iria me contar. Preocupada, sua mãe havia ligado antes, me passando algumas informações a seu respeito.

Entrando na sala, ele advertiu: “Eu não vim aqui para consultar. Gostaria apenas de tirar algumas dúvidas. Minha mãe provavelmente já telefonou, ‘queimando meu filme’, não é mesmo?”

Na verdade ela ligou, respondi. Mas, nada foi dito para constrangê-lo. Não fique aborrecido e diga-me como posso ajudá-lo?

“Vou ser sincero com o senhor. Eu costumo fumar um ‘baseado’ e não vejo mal nisso, ao contrário do que dizem por aí. Eu fumo maconha há dois anos. Sinto-me bem. Não faço uso de outras drogas. Só fico deprimido, ansioso e irritado quando não disponho de dinheiro para comprá-la.”

Você está trabalhando ou estudando? – Perguntei.

“Nem uma coisa nem outra. Ainda sou dependente dos meus pais. Sei que eles andam decepcionados pelo fato de eu já ter 28 anos e continuar nessa vida mansa.”

Você não acha que a droga pode estar colaborando para essa inércia?

“Talvez, mas ainda não achei nada que despertasse meu interesse. Por isso, fumo um ‘baseado’ para segurar as frustrações. Apesar de dormir durante o dia, me alimento bem, tanto que venho engordando. Se maconha fizesse mal, eu já estaria doente?”

Há controvérsias, rebati. Eu observo os efeitos gritantes dessa droga, agindo no seu organismo.

Como modificador do estado mental dos usuários, ela está afetando sua vida social. Apesar da condição eufórica inicial, a maconha acaba criando um quadro crônico de ansiedade, letargia, ataques de pânico e paranoia. Com a continuação do vício, a pessoa se aliena do mundo, criando um falso paraíso, onde se refugia das agruras da vida.

Cannabis sativa possui qualidades medicinais. Isso é incontestável. Foi confirmado que ela aumenta as defesas imunológicas, combate os vômitos, regula o apetite, tira a insônia, relaxa espasmos musculares, entre outras virtudes farmacológicas.

O usuário não está preocupado com os efeitos farmacológicos, mas com o “barato” produzido pela droga. Durante algumas horas, o indivíduo experimenta um mundo perfeito, sem fadiga e repleto de paz interior.

Todavia, a estrada do inferno está calçada de boas intenções. Horas depois, surge o preço cobrado pela ilusão: lapsos de memória, agressividade, inquietação, alucinação e crises paranoicas.

Aquele jovem tinha consciência do “canto da sereia” que o havia enfeitiçado, tanto que se lembrou de um prazer autêntico, abandonado por causa da maconha. Participando de uma banda musical, ele acabou sendo acusado de estar fazendo apologia à droga.

Como se chamava a banda, perguntei? Ele respondeu: “Morrão fumegante”. Por que vocês não trocaram de nome? “Mudamos para ‘Baseado na determinação’, mas a polícia não aceitou.”
Terminada a consulta, eu sugeri que ele colocasse sua inteligência a serviço do seu juízo.

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