Venezuela ordena prisão de todos os envolvidos na captura de Nicolás Maduro pelos EUA
O governo da Venezuela determinou a prisão de todos os envolvidos na captura do ditador Nicolás Maduro por forças norte-americanas, segundo decreto de estado de emergência publicado nesta segunda-feira, 5. A medida ordena que as forças de segurança "iniciem imediatamente a busca e captura em âmbito nacional" de pessoas que tenham promovido ou apoiado a operação militar dos Estados Unidos, de acordo com informações da Reuters.
O decreto está em vigor desde sábado, mas teve seu conteúdo divulgado integralmente apenas nesta segunda. O texto foi editado após a ofensiva militar americana em Caracas, que resultou na captura de Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, no último sábado, 3. O casal foi levado para um presídio na cidade de Nova York.
O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, indicou que menos de 200 militares participaram diretamente da incursão realizada na capital da Venezuela.
Em discurso, Hegseth afirmou que "quase 200 dos nossos melhores americanos foram ao centro de Caracas" e capturaram "um indivíduo indiciado e procurado pela Justiça americana", em uma operação de apoio à aplicação da lei. Segundo ele, nenhum militar americano morreu na ação.
O secretário não esclareceu se o número mencionado se refere apenas às tropas que atuaram em solo venezuelano ou se inclui outros envolvidos na operação, como os militares responsáveis por pilotar mais de 150 aeronaves empregadas na incursão. Procurado, o Pentágono afirmou que não tinha informações adicionais a acrescentar às declarações de Hegseth.
Nos Estados Unidos, Maduro é acusado de conspiração para narcoterrorismo, conspiração para importação de cocaína, posse de metralhadoras e dispositivos destrutivos e conspiração para possuir esse tipo de armamento contra o país. Ele e Cilia se declararam inocentes das acusações federais, incluindo tráfico de drogas e outros crimes, e permanecerão presos.
Na tarde desta segunda-feira, 5, os dois passaram por audiência de custódia no Tribunal de Nova York, em Lower Manhattan. Ao juiz Alvin K. Hellerstein, Maduro se identificou como presidente da Venezuela e afirmou ter sido "sequestrado".
"Sou inocente. Não sou culpado. Sou um homem decente", disse por meio de um intérprete. Cilia declarou-se "inocente, completamente inocente" ao ser questionada.
O casal deverá voltar ao tribunal no dia 17 de março, quando está previsto novo depoimento. Ao deixar a sessão, Maduro afirmou em espanhol: "Sou um prisioneiro de guerra".
*Com informações da Associated Press.
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