Venezuela liberta mais 24 presos políticos, e total sobe para 41, diz ONG
Um avião foi enviado de Roma para buscá-los e levá-los de volta ao país europeu
O regime da Venezuela libertou 24 presos políticos na madrugada desta segunda-feira (12), segundo a ONG Foro Penal, elevando o número total de prisioneiros soltos para 41. Entre os detentos havia 9 mulheres e 15 homens.
O grupo estava nas prisões de La Crisálida e em Rodeo 1, localizadas no estado de Miranda, vizinho de Caracas. Dois cidadãos italianos ainda estavam dentro desta mais recente leva de pessoas libertadas.
A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, celebrou a notícia. "Recebo com alegria e satisfação a libertação dos nossos compatriotas Alberto Trentini e Mario Burlo, que agora estão em segurança na Embaixada da Itália em Caracas", disse ela em um comunicado.
Segundo Meloni, um avião foi enviado de Roma para buscá-los e levá-los de volta ao país europeu.
O regime interino de Delcy Rodríguez afirma que 116 pessoas foram libertadas, além de outras 187 em dezembro. Como a ditadura chavista nunca reconheceu oficialmente a existência de presos políticos, não é possível verificar se esses números incluem cidadãos detidos por outros motivos.
O balanço é questionado pelas principais organizações do país, que não confirmam a cifra. Segundo comunicado do Serviço Penitenciário divulgado nesta segunda, as solturas beneficiaram "pessoas privadas de liberdade por fatos associados à alteração da ordem constitucional e a atentados contra a estabilidade da nação".
As novas libertações ocorrem no mesmo dia em que a líder da oposição e vencedora do Nobel, María Corina Machado, teve uma audiência com o papa Leão 14. A informação foi divulgada pelo Vaticano, sem detalhes da conversa. Este é o primeiro evento que se tem registro de María Corina fora da Noruega, para onde ela tinha ido na ocasião da entrega da láurea, em dezembro.
A Venezuela anunciou na quinta-feira (8) a libertação de um "número importante" de detidos, incluindo estrangeiros, sem dar detalhes. Desde então, o regime tem sido alvo de pressão de familiares e da oposição pelo processo lento e pela falta de transparência.
Apesar do avanço, o número ainda é pouco se comparado com o total de presos, que varia, conforme estimativas de diferentes organizações de direitos humanos, de 800 a 1.200 detidos.
O regime interino de Delcy defende a medida como um gesto de "convivência pacífica". Mas a Casa Branca insiste em que a medida faz parte da influência de Donald Trump sobre a Venezuela, após bombardear o país para capturar o deposto ditador Nicolás Maduro e sua esposa.
Dezenas de famíliares têm se reunido e dormido ao lado de fora de centros de detenção, ansiosos por notícias de seus parentes. Os guardas dizem não ter informações.
A ONG venezuelana Justiça, Encontro e Perdão exigiu durante o fim de semana que as autoridades publiquem a lista completa dos libertados, incluindo seus nomes, locais de detenção e condições de soltura, e pediu que "quaisquer anúncios futuros sejam feitos de forma verificável e sem gerar falsas expectativas".
Entre os primeiros libertados estavam a renomada ativista Rocío San Miguel, detida em fevereiro de 2024, e Enrique Márquez, ex-candidato à Presidência.
A primeira, perseguida desde 2004, estava no Helicoide, prisão rotulada por organizações de direitos humanos como "centro de tortura" da ditadura. O segundo foi detido após denunciar irregularidades nas eleições de 2024, que reelegeram Maduro. Ele foi solto juntamente com o dirigente Biagio Pilieri.
Rocío, por sua vez, foi libertada junto com outros quatro espanhóis e foi para Madri. Neste sábado, José Manuel San Miguel, irmão da ativista, afirmou em um comunicado à imprensa que a agora ex-presa política está em bom estado de saúde e agradeceu ao regime, ao governo espanhol e ao ex-premiê espanhol José Luis Rodríguez Zapatero. Rocío, porém, ainda está sujeita a restrições sobre declarações públicas.
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