Vamos governar a Venezuela, diz Trump após captura de Maduro
Trump disse que as forças americanas cortaram a energia de Caracas e que nenhum militar americano foi morto
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse que vai governar a Venezuela após a captura do ditador Nicolás Maduro, e comemorou a ação militar, chamada de "Operação Determinação Absoluta", realizada neste sábado (3) contra o país.
"Vamos governar o país até que haja uma transição adequada e justa", disse Trump em pronunciamento à nação. "Estávamos preparados para atacar novamente, um ataque muito maior, mas isso provavelmente não será necessário", afirmou o republicano. Segundo ele, o petróleo venezuelano será explorado por empresas americanas e "voltará a fluir" com uma petroleira dos EUA à frente das operações e da infraestrutura do país.
A Venezuela é o país com as maiores reservas de petróleo do mundo.
Trump disse que não permitirá que ninguém próximo a Maduro continue no poder. "Teremos um grupo de pessoas administrando a Venezuela, incluindo as pessoas atrás de mim", afirmou, em referência aos membros de seu governo. Trump não confirmou que colocaria no poder a líder opositora María Corina Machado.
O presidente disse ainda que, se necessário, enviará militares a solo venezuelano para garantir o controle americano do país. Ao mesmo tempo, afirmou estar negociando com Delcy Rodríguez, a vice de Maduro, sobre os próximos passos.
Questionado por que governar um país sul-americano seria "a América em primeiro lugar", Trump respondeu que Washington precisa "se cercar de bons vizinhos e de recursos energéticos".
"Ninguém nunca mais questionará o poderio americano no nosso hemisfério", disse Trump, citando a Doutrina Monroe, que determina que Washington domine a América Latina como poder hegemônico da região. "Essas são as leis de ferro que sempre determinaram o poder no mundo, e presidentes anteriores podem não ter tido coragem de proteger nossos cidadãos, mas eu sempre o farei."
"O que aconteceu com Maduro acontecerá com eles, e acontecerá com eles se não forem justos com seu povo. O ditador e terrorista Maduro se foi, e o povo da Venezuela está livre, e os EUA são um país mais seguro e mais orgulhoso."
"Isso que fizemos hoje tornará o povo da Venezuela rico, independente e seguro", afirmou o presidente americano. "Eles não sofrerão mais. Nós queremos paz, liberdade e justiça para as pessoas incríveis da Venezuela e isso inclui muitos dos venezuelanos que vivem nos Estados Unidos e querem voltar para seus países."
"Nós estamos lá. Vamos ficar pelo tempo que for adequado para uma transição. Vamos governar neste tempo, vamos ter empresas americanas que vão entrar, vão injetar bilhões de dólares, vão consertar a péssima infraestrutura", prosseguiu o republicano.
"Tratou-se de um ataque como não era visto no mundo desde a Segunda Guerra Mundial", disse Trump, comparando a ação com outros ataques ordenados por ele, como os bombardeios contra instalações nucleares do Irã. "Todas as capacidades militares da Venezuela foram inutilizadas. Maduro jamais será capaz de ameaçar mais ninguém."
Trump disse que as forças americanas cortaram a energia de Caracas e que nenhum militar americano foi morto. "Nenhuma nação seria capaz de realizar o que os Estados Unidos conseguiram realizar em um período tão curto de tempo", afirmou.
Após a fala de Trump, o secretário da Defesa, Pete Hegseth, disse: "bem-vindos a 2026, a América está de volta", exaltando o presidente e dizendo que Maduro teve alternativas para evitar ações militares, mas que as recusou.
O argumento também usado pelo secretário de Estado, Marco Rubio. "Pessoas como Maduro acham que podem jogar jogos e que nada vai acontecer. Agora, temos um presidente que não joga jogos. Quando ele diz que algo vai acontecer, ele faz. É um presidente de ação. Então, se você não sabia, agora você sabe."
O chefe do Estado-maior dos EUA, o general Dan Caine, disse que a operação contou com 150 aviões militares e que ocorreu de forma "precisa e discreta".
Após a fala de Rubio, Trump voltou para responder perguntas a jornalistas e foi questionado sobre o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, que condenou a ação na Venezuela. Trump foi lembrado que havia dito em dezembro que o colombiano deveria ficar esperto. Agora, ele voltou a xingar Petro, acusando-o de produzir cocaína. "Ele está fazendo cocaína e mandando para os Estados Unidos. Ele tem que mesmo que ficar esperto", disse Trump, que usou uma expressão chula em inglês (watch his ass).
Em meio a declaração sobre a Venezuela, Trump começou a falar sobre criminalidade em Washington, parabenizando as Forças Armadas e a Guarda Nacional. Ele disse que não houve nenhum homicídio na capital nos últimos sete meses, um dado questionado por especialistas.
A Guarda Nacional está presente em Washington desde agosto de 2025, quando o presidente declarou emergência na cidade. O decreto permitiu mobilizar soldados para apoiar as forças locais, proteger prédios federais e reforçar o patrulhamento das ruas.
"Não temos mais crimes em Washington DC, não temos mais mortes. Tivemos um ataque terrorista há umas semanas, uma diferente ameaça. Não tivemos mais mortos, costumávamos ter dois por semana em Washington. Não temos isso mais. Os restaurantes estão abertos, todos estão felizes", disse Trump durante o pronunciamento.
Trump fez pronunciamento à nação após ordenar um ataque de larga escala contra a Venezuela e capturar Maduro e sua esposa, Cilia Flores. Segundo o republicano, os dois estão sob custódia em um navio militar americano no Caribe e serão enviados para Nova York, onde responderão à Justiça americana por crimes como narcoterrorismo e tráfico de drogas.
Não está claro que provas Washington apresentará contra os dois e os outros citados na acusação, como o ministro do interior, Diosdado Cabello, e o filho de Maduro, Nicolás Ernesto.
Mais cedo, Trump havia dito que os EUA ainda estão decidindo "o que vai acontecer agora com a liderança da Venezuela", dizendo que a líder opositora María Corina Machado, vencedora do Nobel da Paz, pode ser escolhida por Washington para governar o país —mas que ninguém "leal a Maduro" ficará no poder. Trump disse ainda que estará "fortemente envolvido" na indústria petrolífera venezuelana daqui para frente.
Em nota horas depois dos ataques, María Corina comemorou a captura de Maduro e escreveu: "Venezuelanos, chegou a hora da liberdade". "Nicolás Maduro enfrenta hoje a justiça internacional por seus crimes atrozes cometidos contra os venezuelanos. Diante da sua negativa de aceitar uma saída negociada, o governo dos Estados Unidos cumpriu sua promessa de fazer valer a lei."
María Corina pediu que Edmundo González, o candidato da oposição que, segundo organizações internacionais, foi o verdadeiro vencedor das eleições presidenciais de 2024, assuma "de imediato seu mandato constitucional e seja reconhecido como comandante em chefe" das Forças Armadas venezuelanas.
O ministro da Defesa da Venezuela, Vladimir Padrino, afirmou em um vídeo divulgado na manhã deste sábado que o país vai resistir à presença de tropas estrangeiras. A vice de Maduro ainda reiterou, momentos depois, que manterá os planos de defesa do ditador. Não está claro se tropas americanas invadiram a Venezuela por terra.
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