X

Olá! Você atingiu o número máximo de leituras de nossas matérias especiais.

Para ganhar 90 dias de acesso gratuito para ler nosso conteúdo premium, basta preencher os campos abaixo.

Já possui conta?

Login

Esqueci minha senha

Não tem conta? Acesse e saiba como!

Atualize seus dados

ASSINE
Pernambuco
arrow-icon
  • gps-icon Pernambuco
  • gps-icon Espírito Santo
Pernambuco
arrow-icon
  • gps-icon Pernambuco
  • gps-icon Espírito Santo
ASSINE
Espírito Santo
arrow-icon
  • gps-icon Pernambuco
  • gps-icon Espírito Santo
Assine A Tribuna
Espírito Santo
arrow-icon
  • gps-icon Pernambuco
  • gps-icon Espírito Santo

Internacional

"Odeio dizer isso assim, mas vamos tomar a Groenlândia", diz Donald Trump

Republicano reiterou aquele que tem sido um dos principais —e mais barulhentos— motes de sua política externa


Ouvir

Escute essa reportagem

Imagem ilustrativa da imagem "Odeio dizer isso assim, mas vamos tomar a Groenlândia", diz Donald Trump
Odeio dizer isso assim, mas vamos tomar a Groenlândia, diz Donald Trump |  Foto: JACQUELYN MARTIN/ASSOCIATED PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

Às vésperas da visita de uma delegação americana à Groenlândia com objetivos um tanto obscuros, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou mais uma vez nesta quarta-feira (26) tomar a ilha, considerada estratégica para Washington e rica em recursos minerais.

O republicano reiterou aquele que tem sido um dos principais —e mais barulhentos— motes de sua política externa. Em entrevista ao podcaster Vince Coglianese, ele disse que a população da Groenlândia tem de ser convencida sobre a necessidade da anexação. E voltou a afirmar que os EUA precisam da ilha por questões de segurança. "Odeio dizer isto, mas vamos ter de tomar posse deste vasto território ártico."

Mais tarde nesta quarta, em entrevista a jornalistas na Casa Branca, Trump voltou a falar sobre o tema e não baixou o tom. "Precisamos da Groenlândia, e o mundo precisa que tenhamos a Groenlândia, incluindo a Dinamarca. A Dinamarca tem que nos deixar ter a Groenlândia." Segundo ele, os EUA não podem ter "grande segurança internacional" sem o território.

Declarações do tipo não são novidades, mas passam a ser consideradas, cada vez menos, mera fanfarronice e bravata. Desta vez, a fala de Trump ganhou ainda mais projeção devido ao timing. Na véspera, o vice-presidente J. D. Vance anunciou uma polêmica visita à ilha acompanhado de sua esposa, Usha, e de altos funcionários do governo. Eles devem chegar ao território dinamarquês na sexta-feira (28).

O governo dinamarquês logo informou que a delegação americana não recebeu qualquer convite para visitar o território, seja de forma privada ou oficial. O anúncio do vice, portanto, causou surpresa e motivou protestos. A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, chegou a falar que a viagem representa uma "pressão inaceitável". O premiê interino da Groenlândia, Mute Egede, chamou a visita de interferência estrangeira.

Em vídeo publicado nas redes sociais, Vance se limitou a dizer que vários países estão ameaçando a Groenlândia, usando o território e vias navegáveis para intimidar os EUA, o Canadá e o povo da ilha. Ele se referia, de forma indireta, a Rússia e China, que intensificaram suas atividades militares na região nos últimos anos. "Vamos verificar como as coisas estão por lá", afirmou ele. "Infelizmente, líderes tanto nos Estados Unidos quanto na Dinamarca, eu acho, ignoraram a Groenlândia por tempo demais."

Oficialmente, o motivo da viagem será uma visita à Base Espacial Pituffik, instalação operada pelos EUA no noroeste da Groenlândia e um dos locais militares mais importantes estrategicamente do mundo.

Cerca de 150 integrantes da Força Aérea e da Força Espacial dos EUA atuam de forma permanente na base. Eles lidam com defesa antimísseis e vigilância espacial, segundo o jornal americano The New York Times. No local há o chamado Radar de Alerta Antecipado, que pode detectar mísseis balísticos em seus primeiros momentos de voo. Objetivos e mais detalhes da visita não foram divulgados.

O roteiro inicial não incluía apenas inspeções a estruturas americanas, entretanto. Usha Vance pretendia acompanhar in loco uma corrida de trenós puxados por cães na cidade de Sisimiut, um evento popular e bastante tradicional. O plano foi considerado pelos groenlandeses uma provocação.

Os protestos em série fizeram a delegação americana ceder. Usha cancelou sua ida à corrida de trenós, e o único compromisso agora confirmado é a inspeção em Pituffik. O assessor de segurança nacional dos EUA, Mike Waltz, também não vai integrar a delegação, como antes estava previsto.

"Acho muito positivo que os americanos tenham cancelado sua visita [à corrida de trenós]. Em vez disso, eles visitarão sua própria base, Pituffik, e não temos nada contra isso", disse o premiê Egede.

Os governos da Groenlândia e da Dinamarca têm se oposto a qualquer tentativa de tomada do território autônomo pelos americanos. No fim de janeiro, uma pesquisa encomendada pelo jornal dinamarquês Berlingske e pela publicação groenlandesa Sermitsiaq apontou que 85% da população local (a ilha tem 57 mil habitantes) não querem fazer parte dos EUA.

Acusações de que a delegação americana está sendo oportunista ocorrem também devido ao momento político sensível. Os parlamentares da Groenlândia atualmente negociam uma coalizão governamental —no último dia 13, o partido de oposição e pró-negócios Demokraatit venceu o pleito legislativo. E na semana que vem acontecem as eleições municipais.

Em tentativa de aliviar as tensões, Brian Hughes, porta-voz do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca, disse que a delegação americana quer "aprender sobre a Groenlândia, sua cultura, história e povo".

Mas o posicionamento oficial e a mudança no itinerário não arrefeceram a ira de manifestantes, que marcaram protestos contra os americanos para os próximos dias. No domingo (23), dois aviões de transporte militar Hércules, dos EUA, chegaram à capital, Nuuk, com veículos à prova de balas.

A Groenlândia é objeto de disputa em uma corrida geopolítica pelo domínio do Ártico, onde o derretimento das calotas polares está tornando seus recursos mais acessíveis e abrindo novas rotas para navegação.

O acelerado derretimento da capa de gelo do território coberto em 80% por gelo ainda abriu possibilidades de exploração. A Groenlândia é rica em ferro, tungstênio e terras-raras, vitais para a indústria eletrônica. A ilha também tem potenciais reservas de petróleo, objeto de desejo do presidente americano.

Desde que voltou à Casa Branca, em janeiro, Trump tem dito que os EUA vão anexar o território. Ele chegou a dizer que não descartaria o uso da força para conseguir seu objetivo. Em uma das falas mais enfáticas, feita no Congresso, o presidente afirmou que Washington vai tomar a ilha "de um jeito ou de outro".

Declarações de Trump sobre a Groenlândia

26.mar: "Precisamos da Groenlândia para a segurança internacional. Precisamos dela. Devemos tê-la. [...] "Odeio dizer isto, mas vamos ter de tomar posse deste imenso território ártico", disse em entrevista a podcast;

13.mar: "Acho que isso [anexação] vai acontecer", afirmou durante reunião no Salão Oval da Casa Branca, dois dias após a ilha realizar eleições parlamentares;

4.mar: "De um jeito ou de outro, vamos pegá-la", afirmou Trump em discurso no Congresso americano;

7.jan: "Não, não posso garantir nenhum desses dois. Mas posso dizer o seguinte: precisamos deles para a segurança econômica", disse ao ser ser questionado se poderia garantir que não usaria coerção militar ou econômica para tentar obter o controle da Groenlândia e do Canal do Panamá.

MATÉRIAS RELACIONADAS:

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Leia os termos de uso

SUGERIMOS PARA VOCÊ: