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Nome de Evo para eleição na Bolívia ataca presidente interina por candidatura

| 27/01/2020 14:30 h | Atualizado em 27/01/2020, 15:08

Luis Arce, candidato a presidente da Bolívia
Luis Arce, candidato a presidente da Bolívia |  Foto: Divulgação / Facebook

O candidato do MAS (Movimento ao Socialismo) às eleições presidenciais da Bolívia, Luis Arce, afirmou que o anúncio da presidente interina do país, Jeanine Áñez, de que participará do pleito, gera preocupações de que a votação não seja limpa, "uma vez que foi ela quem escolheu diretamente as autoridades eleitorais".

Sentado ao lado do ex-presidente Evo Morales em uma entrevista coletiva nesta segunda-feira (27), em Buenos Aires, o ex-ministro da Economia da Bolívia disse ainda que "não há condições para a [realização da] campanha" e que "não há liberdade de expressão" no país.

Por isso, Arce afirma que o MAS pedirá a organismos internacionais para que acompanhem o processo eleitoral, desde a inscrição das candidaturas até a eleição.

Evo, que renunciou e foi sucedido por Añez em um processo controverso, também atacou a candidatura da ex-senadora, dizendo que o anúncio mostra que "ela e seu grupo, a extrema direita, mentiu ao dizer que se tratava de um governo transitório".

"Pois se fosse um governo transitório, não iam mudar o modelo econômico, como estão fazendo. Se fosse um governo transitório, não estariam querendo continuar no poder."

Neste domingo (26), Añez pediu a renúncia de todos os seus ministros "para enfrentar essa nova etapa da transição democrática", segundo comunicado emitido pela Presidência.

O pedido veio logo após a saída da ministra da Comunicação, Roxana Lizárraga, que declarou não estar de acordo com a postulação de Añez, anunciada na sexta (24), para a eleição do próximo dia 3 de maio.

Añez declarou seu desejo de participar, contrariando discurso anterior, de que seria apenas uma presidente "de transição".

Em sua carta de renúncia, Lizárraga disse que "é claro que nosso governo transitório perdeu seus objetivos". "Não se pode ocultar que o governo de Añez está começando a cometer os mesmos erros que o MAS vinha cometendo, ao querer continuar no poder."

Investigado sob acusação de envolvimento no escândalo de corrupção do Fundo Indígena, Arce afirmou que voltará à Bolívia nesta terça (28), mesmo que possa ser preso ao chegar ao país. O ex-ministro deixou a Bolívia após Evo renunciar à Presidência, em novembro.

Ele então foi ao México, onde estavam o ex-mandatário e seu vice, Álvaro García Linera. Há um pedido de asilo político para o agora candidato do MAS naquele país.

Depois, Arce foi à Argentina, onde Evo agora vive com o status de refugiado, para participar da assembleia que o escolheu como candidato do partido. "É uma ditadura e pode tentar nos calar de várias formas, inclusive esta [prisão]. Mas nós vamos enfrentar", disse.

Com voz pausada e tom suave, Arce afirmou, já em ritmo de campanha eleitoral, que o maior sucesso da gestão de Evo foi em sua área.

"A Bolívia antes de nosso governo era um país pobre, não tínhamos uma taxa de crescimento boa, as pessoas migravam, tínhamos indicadores baixos de expectativa de vida. Muitos políticos diziam que a Bolívia era um país inviável, e era inviável porque seguíamos um modelo neoliberal", afirmou.

Para Arce, o "golpe de Estado de Jeanine Áñez não é só político, é também econômico, pois está mudando o modelo que nós construímos". "Uma prova disso é que os investimentos estão caindo, há uma redolarização do país e novas privatizações. As pessoas voltaram agora a fazer o que faziam antes, correr para o dólar como refúgio. Isso é muito ruim."

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