Lula encontra presidente de direita da Bolívia e o convida para visita ao Brasil
Em busca de aproximação com lideranças de direita da América Latina, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu nesta quarta-feira, dia 28, com o novo presidente da Bolívia, Rodrigo Paz.
No ano passado, Paz derrotou aliados do petista e encerrou duas décadas do Movimento Socialista no poder em La Paz. Lula foi muito próximo de Evo Morales e do último presidente de esquerda, Luis Arce Catacora.
O encontro revela uma estratégia de Lula de abrir canais de diálogo e oportunidades de cooperação política com potenciais adversários ideológicos e revelar uma face mais pragmática da política externa brasileira. O Palácio do Planalto teme um eventual "cerco" ao petista, incentivado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Lula e Paz realizaram seu primeiro encontro pessoal na Cidade do Panamá. Eles foram convidados a discursar no Fórum Econômico Internacional da América Latina e Caribe.
A reunião foi buscada pelo petista, que encomendou a aproximação à diplomacia brasileira e despachou à capital boliviana seu ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, dois dias antes.
Os dois presidentes combinaram uma visita de Estado do boliviano a Brasília, a ser realizada ainda no primeiro semestre de 2026, conforme a Presidência da República.
Eles também conversaram sobre uma pauta de interesse comum: combate ao crime organizado, energia e infraestrutura/logística.
"Os presidentes discutiram as rotas para a integração sul-americana e alternativas para garantir o acesso da Bolívia a portos e ao escoamento de sua produção. Também trataram da retomada dos diálogos na área energética e iniciativas conjuntas para combater o crime organizado na Amazônia", disse o Palácio do Planalto, em nota.
O presidente aproveitou a visita ao Panamá para realizar encontros de trabalho com lideranças conservadoras da América Latina.
Além do anfitrião José Raúl Mulino, Lula também manteve um primeiro encontro com o presidente eleito do Chile, José Antonio Kast, aliado e identificado com o bolsonarismo e outrora crítico do petista.
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