Irã confirma filho de Khamenei como novo líder; Trump ameaça eliminá-lo
Líder supremo ocupa o centro da teocracia iraniana e tem a palavra final sobre todos os assuntos de Estado
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O Irã confirmou neste domingo, 8, a escolha de Mojtaba Khamenei para suceder ao pai, Ali Khamenei, como líder supremo do país, oito dias após o religioso ter sido morto pelos bombardeios americanos e israelenses. Desde a criação do cargo durante a Revolução Islâmica de 1979, com o aiatolá Ruhollah Khomeini, este é apenas o terceiro líder supremo a ser escolhido no país. Enquanto isso, o preço do petróleo ultrapassou a marca de US$ 100 por barril.
Ligado à linha-dura do regime, Mojtaba Khamenei, de 56 anos, foi nomeado para o cargo por um conselho de 88 clérigos, conhecido como Assembleia dos Especialistas, segundo o comunicado oficial divulgado na manhã desta segunda-feira, 9 (horário local, domingo à noite no horário de Brasília). Durante a semana, seu nome já havia surgido como o favorito e a Assembleia dos Especialistas já teria tomado sua decisão, mas se absteve de anunciá-la antes por temer tornar Mojtaba um alvo, como o pai.
Antes do anúncio, Donald Trump disse ontem à ABC News que o próximo líder "não vai durar muito" se Teerã não tiver sua aprovação. Na semana passada, o presidente americano afirmou que o nome de Mojtaba era "inaceitável" e reivindicou o direito de participar do processo de escolha do novo líder.
Em Israel, também antes do anúncio, as forças armadas do país disseram em uma postagem no X, em farsi (língua oficial do Irã), que continuariam perseguindo todos os sucessores de Ali Khamenei.
Analistas citados pelo jornal britânico The Guardian sugeriram que a nomeação de Mojtaba foi uma manobra simbólica destinada a fazer com que o regime pareça forte e não suscetível à pressão ocidental.
Em entrevista ao programa Meet the Press, do canal americano NBC, o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, afirmou que cabe ao povo iraniano, e não a Trump, escolher o novo líder. O chanceler exigiu um pedido de desculpas do presidente americano por iniciar a guerra no Oriente Médio.
Supervisão
O líder supremo ocupa o centro da teocracia iraniana e tem a palavra final sobre todos os assuntos de Estado. Ele assume uma posição pública sobre política externa e assuntos militares, bem como sobre questões internas - incluindo a supressão da dissidência.
Ele governa por meio de decretos, supervisiona as políticas governamentais e faz todas as nomeações para os altos escalões, incluindo os militares, o Judiciário e a chefia do serviço estatal de radiodifusão.
O papel mudou ao longo dos anos, em parte devido às diferenças entre os homens nomeados. O aiatolá Khomeini foi um eminente estudioso religioso e revolucionário político que inspirou uma legião de seguidores populares e foi fundamental para o estabelecimento da teocracia iraniana, baseada no princípio de que um especialista em jurisprudência islâmica deveria supervisionar o governo para garantir a justiça.
No entanto, quando ele morreu dez anos depois, em 1989, o aiatolá Ali Khamenei foi escolhido, embora fosse menos qualificado como estudioso religioso e não tivesse tantos seguidores entre os fiéis.
A Constituição do Irã foi reformada na época de sua escolha para estipular que o líder supremo precisava apenas demonstrar "conhecimento islâmico". Ele, no entanto, era um Sayed, ou seja, pertencia a uma família descendente do profeta Maomé, e recebeu o título de aiatolá com sua nomeação.
Petróleo
Os preços globais do petróleo ultrapassaram no sábado a marca de US$ 100 por barril pela primeira vez desde 2022, à medida que a guerra no Oriente Médio dificulta a produção e o transporte. Pesou também o anúncio da escolha do novo líder supremo.
Às 19h28 (no horário de Brasília) do domingo, o barril do petróleo WTI para abril subia 17,47%, a US$ 106,60, enquanto o do Brent para maio avançava 14,86%, a US$ 106,34, no início da semana de negociações nos mercados da Ásia-Pacífico. Esta foi a primeira vez que os preços de mercado ultrapassaram esse importante patamar desde a invasão da Ucrânia pela Rússia.
Ao comentar a elevação dos preços, Trump disse se tratava apenas de um "pequeno preço a se pagar" tanto pelo seu país quanto pelo mundo em nome da segurança e da paz.
O aumento global dos preços do petróleo abalou os mercados financeiros, gerando preocupações de que os custos mais altos da energia alimentem a inflação e levem a uma redução nos gastos dos consumidores americanos, o principal motor da economia. (com agências internacionais).
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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