Estados Unidos testam míssil nuclear em meio à guerra no Irã
Disparo ocorreu na noite de terça-feira a partir da base de Vandenberg, da Força Espacial dos EUA
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Em meio à guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, a Força Espacial dos EUA testou um míssil balístico intercontinental Minuteman-3, sua arma para ataques nucleares a partir de silos terrestres.
Os militares negaram em comunicado relação do lançamento com "eventos mundiais", ou seja, o ataque lançado por Donald Trump e Binyamin Netanyahu contra a teocracia no sábado passado (28). Um dos focos da ação é o programa nuclear dos aiatolás, que a dupla quer destruir.
Os testes, que já passam de 300 na história do modelo, de fato são rotineiros e programados com muita antecedência. Mas em outras ocasiões, como no início da Guerra da Ucrânia em 2022, Washington adiou lançamentos para não elevar tensões ou sinalizar escalada.
O disparo ocorreu na noite de terça-feira (3) a partir da base de Vandenberg, da Força Espacial dos EUA. Além do lembrete acerca das capacidades americanas, que estão sendo usadas de múltiplas formas na guerra do Oriente Médio, ele trouxe uma novidade reveladora.
Segundo a Força Espacial, foi testado "o desempenho de seus múltiplos veículos de reentrada" no voo de 6.700 km que separam a base do campo de provas Ronald Reagan, na área das ilhas Marshall, território associado aos EUA no oceano Pacífico.
O Minuteman-3 foi desenhado para carregar até três ogivas nucleares. O modelo atual usado, a W78, tem 355 kilotons, ou o equivalente a 24 bombas de Hiroshima.
A partir de 2011, quando entrou em vigor o último tratado de controle de armas com a outra superpotência do setor, a Rússia, os americanos limitaram sua carga a uma ogiva para ficar dentro dos limites estabelecidos de 1.550 armas pronta para uso por país.
O Novo Start, como o tratado se chamava, caducou no dia 5 de fevereiro após Trump ignorar oferta de Vladimir Putin para estendê-lo por mais um ano —o russo já tinha bombardeado o acordo quando congelou inspeções mútuas em 2023 devido às sanções decorrentes da invasão de seu vizinho.
No teste desta semana, o Minuteman-3 levou dois veículos de reentrada desarmados, sugerindo que os EUA estão se preparando para aumentar a carga nuclear de seus mísseis. Pelas provisões do Novo Start, que agora não existem mais, há 400 silos para lançamento do míssil no país de Trump.
Os outros dois vetores de ataque nuclear que estavam sob o controle do Novo Start são os mísseis lançados por submarinos e as ogivas em bombas e modelos de cruzeiro transportadas por caças e bombardeiros.
Trump deixou o Novo Start sob a alegação de que o tratado era falho e que precisava incluir a China, que dobrou seu estoque de ogivas desde 2019. Desde então, houve contatos entre negociadores americanos, chineses e russos, mas nada muito substancial.
O movimento coincide com outros na área das armas nucleares, todos preocupantes do ponto de vista da proliferação desses meios de destruição em massa. Na terça (3), o presidente francês, Emmanuel Macron, anunciou um aumento de seu arsenal atômico e a oferta para colocá-lo à disposição de vizinhos europeus.
Ele justificou a decisão pelo clima turbulento nas relações internacionais, ou seja, as guerras no Irã e na Ucrânia e a realidade do afastamento de Trump da parceria em defesa com a Europa. A França tem estimadas 290 bombas, o terceiro maior arsenal do planeta, atrás de Rússia e EUA, com mais de 5.000, e da China, com 600.
Outro foco de preocupação vem da percepção da vulnerabilidade dos países do golfo Pérsico aliados dos EUA ora sob ataques retaliatórios pelo Irã. O chanceler russo, Serguei Lavrov, disse nesta semana que o conflito irá estimular países, não só no Oriente Médio, a buscar a bomba para se proteger.
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