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Covid dá trégua e Europa pode ter período de tranquilidade, diz OMS

Alto número de vacinados é um dos fatores que permite boas perspectivas para o continente

Agência Folhapres | 03/02/2022 15:53 h

Depois de pedir cautela na suspensão das restrições impostas para contenção do coronavírus e dizer que ainda é cedo para declarar vitória contra a Covid-19, a Organização Mundial da Saúde (OMS) disse nesta quinta-feira (3) que a Europa está vivendo um momento de trégua na pandemia.

Hans Kluge, diretor da divisão europeia da entidade, definiu o cenário como o de uma "trégua que pode trazer uma paz duradoura". O belga citou um conjunto de três fatores que permitiriam ao continente europeu um "respiro" depois de mais de dois anos enfrentando a crise sanitária.

O primeiro é o alto número de pessoas vacinadas --de acordo com o Centro Europeu para Controle e Prevenção de Doenças (ECDC), 74,4% dos europeus receberam ao menos a primeira dose do imunizante, 70,4% completaram o primeiro ciclo vacinal e 45,2% já tomaram a dose de reforço.

O segundo fator mencionado por Kluge é a menor gravidade da ômicron. Embora seja mais contagiosa que outras cepas do coronavírus, essa variante pode causar infecções com sintomas mais leves, de acordo com estudos preliminares. Há, no entanto, uma preocupação da OMS com o fato de essa percepção levar governos e populações a considerarem que medidas de controle não são mais necessárias --o que seria uma conclusão equivocada.

Por último, o diretor da entidade cita a aproximação do fim do inverno no hemisfério Norte, já que temperaturas mais baixas tendem a favorecer a transmissão de doenças respiratórias como a Covid-19. Esses três fatores, para o norueguês, representam uma defesa com a qual a Europa poderá responder ao ressurgimento do vírus de maneira mais eficaz do que a vista nos últimos dois anos.

"Há uma oportunidade única de assumir o controle da transmissão", disse Kluge, acrescentando, porém, algumas ressalvas. Essa "trégua" só deve se manter se a imunidade for preservada a partir da adesão maciça da população às campanhas de vacinação e se os países permanecerem vigilantes acerca do surgimento de outras possíveis variantes.

O braço europeu da OMS agrupa 53 países, entre os quais alguns que, geograficamente, estão na Ásia Central. O bloco soma, desde o início da pandemia, 147,7 milhões de casos e 1,7 milhão de mortes por Covid. Nos últimos sete dias, o conjunto de países registrou 11,7 milhões de novas infecções e 65,8 mil mortes (respectivamente, 53% e 33,7% do total global).

Desde o mês passado, vários países europeus têm anunciado o relaxamento parcial ou total das restrições impostas para conter a transmissão do vírus. Reino Unido, França, Noruega, Dinamarca, Finlândia e Áustria, por exemplo, voltaram --ou têm data marcada para tal-- a abolir o uso obrigatório de máscaras e o passaporte vacinal.

Nesta quinta, foi a vez de a primeira-ministra da Suécia, Magdalena Andersson, anunciar que, a partir de 10 de fevereiro, bares e restaurantes não terão mais limite de horário de funcionamento e reuniões públicas em locais fechados poderão voltar a ter mais de 500 pessoas.

"É hora de abrir a Suécia novamente", disse. "Olhando para futuro, as taxas de infecção permanecerão altas por algum tempo, mas até onde podemos julgar, as piores consequências dos contágios já ficaram para trás."

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