Coreia do Norte: operação na Venezuela 'confirma natureza desonesta e brutal' dos EUA
A Coreia do Norte, inimiga ferrenha dos Estados Unidos, que há muito acusa Washington de querer derrubar seus dirigentes, classificou a operação do governo de Donald Trump na Venezuela como "a mais grave violação da soberania".
"É outro exemplo que confirma mais uma vez a natureza desonesta e brutal" de Washington, disse sua Chancelaria.
Os Estados Unidos atacaram a Venezuela com bombardeios em Caracas e capturaram o ditador Nicolás Maduro e a mulher dele neste sábado, 3. A ação segue repercutindo no cenário mundial.
Veja abaixo os posicionamentos das principais lideranças:
Israel
O primeiro-ministro Binyamin Netanyahu declarou que Israel apoia a "ação enérgica" de Washington na Venezuela.
"No que diz respeito à Venezuela, desejo expressar o apoio de todo o governo à decisão firme e ação enérgica dos Estados Unidos para restaurar a liberdade e a justiça nessa região do mundo", afirmou Netanyahu neste domingo, 4, na abertura de uma reunião do gabinete.
"Na América Latina, (...) vários países estão retornando à órbita estadunidense e (...) restabelecendo seus laços com o Estado de Israel. Estamos felizes por isso, felicitamos o presidente (Donald) Trump (...) e também saudamos as Forças Armadas estadunidenses, que realizaram uma operação perfeita", adicionou.
China
O Ministério das Relações Exteriores da China condenou o ataque como uma ameaça para "a paz e a segurança da América Latina e do Caribe" e denunciou o "comportamento hegemônico" dos Estados Unidos.
Papa Leão XIV
O papa Leão XIV afirmou neste domingo, 4, que "o bem-estar do querido povo venezuelano" deve prevalecer e pediu garantias "à soberania" da Venezuela. Os Estados Unidos atacaram a Venezuela com bombardeios em Caracas e capturaram o ditador Nicolás Maduro e a mulher dele neste sábado, 3. O pedido do pontífice endossa o coro de diversos líderes mundiais, que condenaram a ação dos EUA.
"O bem-estar do querido povo venezuelano deve prevalecer sobre qualquer outra consideração e levar à superação da violência e ao empreendimento de caminhos de justiça e paz, garantindo a soberania do país", afirmou o pontífice americano após sua oração do Ângelus na Praça de São Pedro, no Vaticano.
Brasil
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, disse no X que o ataque à Venezuela e a captura de Maduro "ultrapassam uma linha inaceitável". Pediu à comunidade internacional, através das Nações Unidas, para "responder de forma vigorosa".
Rússia
O Ministério das Relações Exteriores da Rússia pediu "firmemente" aos Estados Unidos "que reconsiderem sua postura e libertem" Maduro e sua esposa.
México
O Ministério das Relações Exteriores do México, condenou, em um comunicado, "energeticamente as ações militares executadas unilateralmente" contra a Venezuela.
Colômbia
O presidente colombiano, Gustavo Petro, repudiou os ataques "com mísseis" em Caracas e ordenou a mobilização de militares na fronteira com a Venezuela.
A Colômbia é, neste ano, membro não permanente do Conselho de Segurança da ONU, razão pela qual o mandatário de esquerda pediu que o órgão se reúna "imediatamente".
Chile
O presidente em fim de mandato do Chile, Gabriel Boric, manifestou sua "enérgica condenação", em particular "diante do anúncio de que um Estado estrangeiro pretende exercer controle direto sobre o território venezuelano, administrar o país e eventualmente continuar operações militares até impor uma transição política".
"Hoje é a Venezuela, amanhã pode ser qualquer outro", acrescentou.
Cuba
"Os Estados Unidos não têm autoridade moral nem de qualquer tipo para retirar à força de seu país o presidente venezuelano, mas (...) são, sim, responsáveis perante o mundo" pela sua "integridade física", disse o presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, aliado de Caracas.
ONU
O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, expressou sua preocupação pelo "respeito ao direito internacional", segundo um porta-voz.
Irã
O Irã, que mantém estreitos vínculos com a nação sul-americana rica em petróleo e bombardeada por Trump no ano passado, condenou "firmemente o ataque militar americano".
União Europeia
A chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, pediu "moderação" e respeito ao direito internacional após conversar com o secretário de Estado americano, Marco Rubio.
Espanha
O presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, disse no X que seu país "não reconhecia o regime de Maduro", mas "também não reconhecerá uma intervenção que viola o direito internacional".
Essa intervenção militar "empurra a região para um horizonte de incerteza e belicismo", acrescentou, e pediu uma "transição justa e dialogada".
França
O presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou neste sábado que o "povo venezuelano" só pode "se alegrar" com o fim da "ditadura Maduro" e pediu uma "transição pacífica".
Alemanha
O chefe do governo alemão, Friedrich Merz, considerou que Maduro havia "levado [a Venezuela] à ruína".
O presidente deposto e capturado por Washington "desempenhou um papel problemático na região", por exemplo "ao envolver a Venezuela no tráfico de drogas", acrescentou.
Itália
A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, considerou "legítima a intervenção defensiva" dos Estados Unidos na Venezuela.
Embora tenha considerado que "a ação militar externa não é a via para pôr fim aos regimes totalitários", segundo um comunicado.
Reino Unido
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, afirmou que todos os países devem "respeitar o direito internacional" e acrescentou que o Reino Unido não participou de modo algum nesta operação.
Panamá
O presidente do Panamá, José Raúl Mulino, manifestou seu desejo por "um processo de transição ordenado e legítimo" na Venezuela.
Guatemala
"Fazemos um chamado para cessar qualquer ação militar unilateral e respeitar os princípios da Carta da Organização das Nações Unidas", escreveu o presidente da Guatemala, Bernardo Arévalo, no X.
Argentina
A operação dos Estados Unidos "significa a queda do regime de um ditador que vinha fraudando as eleições (...) E isso não é bom apenas para a Venezuela, mas também para a região", disse o presidente argentino Javier Milei à LN+ .
Equador
O presidente equatoriano, Daniel Noboa, escreveu no X: "A todos os criminosos narcochavistas chega a sua hora. A sua estrutura vai terminar de cair em todo o continente".
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