'Ainda não tomamos uma decisão final', diz Trump sobre ataque ao Irã
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta sexta-feira, 27, que está frustrado com a posição do Irã nas conversas, mas acrescentou que ainda não tomou uma decisão sobre um possível ataque.
"Ainda não tomamos uma decisão final," ele disse aos repórteres quando perguntado sobre o uso da força.
Um dia após os Estados Unidos e Irã realizarem conversas em Genebra, Trump afirmou que o Irã "não está disposto a nos dar o que precisamos ter."
"Eles não podem ter armas nucleares e não estamos nada contentes com a forma como estão negociando, então vamos ver como tudo se desenrola."
O Irã tem dito repetidamente que não está buscando armas nucleares e a inteligência dos EUA não encontrou evidências de que tenha tomado uma decisão neste sentido.
Mas os Estados Unidos e Israel, que realizaram uma grande campanha de bombardeio no Irã em junho, são céticos em relação às declarações do Irã, que apoia os militantes palestinos do grupo terrorista Hamas.
Riscos
Perguntado se um ataque desencadearia uma guerra total no Oriente Médio, Trump disse: "Eu acho que você pode sempre dizer que há sempre um risco. Você sabe que quando há guerra, há um risco em qualquer coisa, tanto bom quanto ruim."
Trump foi cauteloso sobre se um ataque dos EUA derrubaria a república islâmica, inimigo dos Estados Unidos e de Israel.
As autoridades no mês passado mataram milhares de pessoas enquanto reprimiam protestos em massa na maior ameaça desde a revolução islâmica de 1979."Ninguém sabe. Pode ser que haja e pode ser que não haja," disse Trump sobre a mudança de regime.
Na quinta, o ministro das Relações Exteriores de Omã, Badr Al Busaidi, considerou que a rodada de negociações tinha sido encerrada com "progressos significativos".
"Terminamos o dia com progressos significativos na negociação entre Estados Unidos e Irã", afirmou Al Busaidi na rede X, acrescentando que "as discussões em nível técnico ocorrerão na próxima semana em Viena". O governo americano ainda não se manifestou sobre o assunto.
A conversa era vista como a última chance para a diplomacia, em meio ao aumento da pressão americana após Washington mobilizar uma frota de aeronaves e navios de guerra no Oriente Médio.
Terceira rodada de negociações desde a guerra de junho
As negociações em Genebra marcam a terceira rodada de conversas desde a guerra de junho. Araghchi voltou a trocar mensagens com Steve Witkoff, bilionário do setor imobiliário e aliado próximo de Trump, que atua como enviado especial do presidente para o Oriente Médio. Ambos realizaram diversas rodadas de negociações no ano passado, interrompidas após Israel lançar sua ofensiva contra o Irã em junho.
Assim como nas etapas anteriores, as conversas são mediadas por Omã, país situado na extremidade oriental da Península Arábica e tradicional interlocutor entre o Irã e o Ocidente.
Nesta rodada pós-guerra, Trump pressiona para que o Irã interrompa totalmente o enriquecimento de urânio e aceita discutir também o programa de mísseis balísticos e o apoio iraniano a forças militantes regionais. Teerã, no entanto, sustenta que as negociações devem se restringir exclusivamente às questões nucleares.
Temores
Não está claro se ataques limitados seriam suficientes para forçar concessões iranianas. Já uma tentativa de remover a liderança do país poderia arrastar os EUA para uma campanha mais longa e complexa, sem sinais públicos de planejamento para o cenário posterior.
Também há dúvidas sobre os impactos regionais de qualquer ofensiva. Teerã poderia retaliar contra aliados dos EUA no Golfo Pérsico ou contra Israel. Em meio a esses temores, os preços do petróleo subiram nos últimos dias, com o barril do Brent girando em torno de US$ 70. Na rodada anterior de tensões, o Irã afirmou ter interrompido temporariamente o tráfego no Estreito de Ormuz, passagem estratégica por onde transita cerca de um quinto do petróleo comercializado no mundo.
*Com informações de agências internacionais.
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