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História de terror com Fernanda Montenegro nos cinemas

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História de terror com Fernanda Montenegro nos cinemas


Um acerto de contas que leva mais de duzentos anos para se concretizar. Uma vingança aterrorizante, sobrenatural, chega aos cinemas na quinta-feira (5) . E, encabeçando o elenco de “O Juízo”, ninguém menos que Fernanda Montenegro, 90 anos.

Na realidade todo o clã da grande dama da dramaturgia nacional está na produção. A história foi escrita por Fernanda Torres, sua filha. A direção é do genro, Andrucha Waddington. Para completar, a seu lado em algumas cenas, o neto Joaquim Torres Waddington em sua estreia nos cinemas.

 “O Juízo”, que estreia quinta-feira (5),  reúne família da atriz Fernanda Montenegro. A história foi escrita por Fernanda Torres e dirigida pelo genro, Andrucha Waddington. (Foto: Suzanna Tierie / Divulgação)
“O Juízo”, que estreia quinta-feira (5), reúne família da atriz Fernanda Montenegro. A história foi escrita por Fernanda Torres e dirigida pelo genro, Andrucha Waddington. (Foto: Suzanna Tierie / Divulgação)

O longa conta a história de Augusto Menezes (Felipe Camargo) que está em crise no casamento com Tereza (Carol Castro), perdeu o emprego e sofre com o alcoolismo. Na esperança de mudar a sua vida, decide ir morar com a mulher e o filho Marinho (Joaquim Torres Waddington) em uma fazenda herdada do avô.

Mas a propriedade carrega uma história de traição e vingança que pode custar mais caro a Augusto e sua família do que ele imagina. Entra na trama, Couraça (vivido pelo cantor Criolo), escravo determinado a se vingar dos antepassados de Augusto, que traíram ele e sua filha Ana (Kênia Bárbara) no passado.

"Atuar é meu ofício. E
o cinema é a melhor viagem intergaláctica
que existe” - Fernanda Montenegro

Fernanda Montenegro na história é a espírita Marta Amarantes, que tentará ajudar a família. “Atuar é meu ofício. E o cinema é a melhor viagem intergaláctica que existe”, disse ela em entrevistas recentes.

“Sempre achei que fazendas de Minas carregavam carma”, diz Fernanda Torres 

O que motivou você a contar a história de “O Juízo”?

Quando comecei a escrever, em 2013, as comédias brasileiras dominavam as telas de cinema, havia um público cativo e o setor sentiu que poderia explorar outros gêneros, como o de terror e suspense.

Eu sempre achei que as fazendas de Minas Gerais carregavam um carma histórico. A escravidão nas senzalas, o isolamento pela falta de mar, a ganância do ouro e a guarda reforçada nas fronteiras do estado, para evitar o extravio de riquezas.

Fernanda Torres:
Fernanda Torres:

Eu estava numa fazenda em Minas, na verdade, um entreposto que serviu de base para o caminho do ouro, e pensei na história de um traficante de pedras que busca dormida ali, com sua filha, e é traído pelo proprietário da estância, causando uma dívida que se arrastaria por séculos.

Quanto tempo levou da ideia inicial até o roteiro ser filmado e como foi a dinâmica de trabalho com o diretor que é seu marido?

Comecei a escrever em 2013. Foram muitos tratamentos… Havia a discussão se o filme deveria ser mais voltado para o público de terror, mais sanguinolento, calcado no susto, ou um suspense sobrenatural. Foram muitas idas e vindas que só se decidiram na montagem.

O Andrucha é um diretor delicado, seus filmes têm uma característica de chuva fina, de tramas que se desenrolam aos poucos, e a opção pelo suspense foi natural, algo mais próximo ao perfil dele.

Eu escrevi sozinha, sem muita interferência da direção. Estamos acostumados a trabalhar juntos, mas foi difícil assistir ao primeiro corte. Não sei como os diretores conseguem ter calma para montar. Foi com grande alívio e prazer que assisti, pela primeira vez, ao filme na Mostra de São Paulo. Um filme se escreve duas vezes, no roteiro e na filmagem, e “O Juízo” me ensinou a ter calma, a esperar até que as imagens se acomodem na trama.

Como é escrever o roteiro de um filme de gênero?

Não existe bula, acho. O que tentei foi manter a tensão, o suspense, foi criar uma trama que se revela aos poucos, com ganchos estranhos, insólitos, fiel à loucura crescente do personagem do Augusto, vivido pelo Felipe Camargo.

Existem muitos clichês no gênero, como a casa assombrada, os mortos que não estão mortos, a sedução do além, a confusão mental dos personagens. Você acha que escreveu algo original e, quando relê, vê que repetiu clichês.

O clichê é parte do gênero, mas, nesse caso, tentei me valer dos elementos locais, criando estranhamento através das vacas, da floresta tropical, dos rios barrentos, da escravidão. Acho que isso está presente no filme, o tom local.

Como é para uma atriz e romancista escrever personagens para outros atores?

Na verdade, escrevi esse roteiro antes de publicar meus livros. E comecei a escrevê-lo na forma de romance, no primeiro argumento.

A vivência de atriz é muito responsável pela minha escrita. O sentido de ritmo, de personagem. Cresci com o teatro do improviso, aprendi, como atriz, a me colocar na pele dos personagens. A diferença é que, quando se escreve, você faz isso mentalmente, mas me treinei, a vida inteira, para experimentar ser outro, além de ter sido criada, desde criança, no teatro, atenta à dramaturgia.
São duas profissões complementares, que lidam com a imaginação e com a noção do que é sentimento, do que provoca compaixão e identificação na plateia, ou no leitor. Eu teria dificuldade de representar o que escrevo, porque é como estar entre lá e cá, prefiro ver o que eu escrevo na boca dos outros.


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