search
Cookies não suportados!

Você está utilizando um navegador muito antigo ou suas configurações não permitem cookies de terceiros.


Assine agora e tenha acesso ao conteúdo exclusivo do Tribuna Online!

esqueceu a senha? Assinar agora
Cookies não suportados!

Você está utilizando um navegador muito antigo ou suas configurações não permitem cookies de terceiros.

Gravidez precoce
Claudia Matarazzo
Claudia Matarazzo

Claudia Matarazzo


Gravidez precoce

A virgindade é a única arma da mulher!”. Cresci ouvindo essa frase de minha mãe. Essa era sua ideia de educação sexual. Parecida com a da ministra Damares. Nós, os filhos – três mulheres e um varão –, com dois anos exatos de diferença entre um e outro, ouvíamos aquilo com diferentes graus de interpretação e entendimento.

Um dia, adolescentes todos, estávamos a argumentar sobre alguma coisa ou alguém, e mais uma vez ela soltou a frase. Andrea perdeu a paciência e perguntou: “Mamãe, desculpe, mas arma contra quem?”

Silêncio – e pausa para pensar. Não me lembro da resposta dada, apenas das risadas das filhas mulheres, finalmente libertas daquele dogma. E mamãe, milagrosamente, começou a pensar e mudou de ideia.
Hoje, discute com minha filha de 22 anos as vantagens de casar mais tarde e com mais experiência.

Não vou entrar no mérito de outras declarações polêmicas da ministra Damares, apenas contar uma experiência de sucesso para prevenir a gravidez precoce, aqui mesmo no Brasil, que ela talvez ignore.

Escola doméstica – Há alguns anos, marcou-me profundamente uma visita à Escola Doméstica de Natal – que, apesar do nome, hoje é mista, e tem o ciclo de ensino completo.

Fundada há mais de 100 anos, naquele momento ainda era viva sua principal diretora – dona Noilde Ramalho, então com 90 e poucos anos.

Ali, meninos e meninas aprendiam, além do currículo oficial, a prática de culinária e elaboração de cardápios em uma fantástica cozinha industrial. A escola é ao pé da serra, e uma construção térrea em meio a um imenso jardim.

Perguntei o que eram as várias casinhas que pareciam casas de boneca espalhadas pela relva. Dona Noilde bateu a porta de uma delas e fomos recebidas por uma adolescente de cerca de 13 anos. Ela estava em seu período de experiência do que era cuidar de uma casa.

Ali, ela ficava “morando” por um tempo: cozinhava, arrumava e, ao fim, recebia os pais e amigos para uma refeição – tudo valendo nota, etc.

Toda equipada, a casinha era um brinco. Naturalmente. nem todas eram assim...

Mas meu espanto foi maior quando visitamos a “casa creche”, onde ficavam os filhos de funcionários da escola, e para onde eram designadas em sistema de rodízio as alunas pré-adolescentes para terem a experiência de serem “mães”.

Orientadas por profissionais, cuidavam dos bebês por períodos prolongados sem muita trégua.
Dona Noilde explicou que era para entender que uma das consequências do sexo na adolescência era que “dava trabalho.”

Perguntei se funcionava. Não apenas funcionava como, ouvi uma aluna pedindo “por favor” que a deixassem continuar por mais aquele dia, pois havia um bebê com febre – e ela queria seguir o progresso da sua melhora.

Ou seja: as alunas aprendiam responsabilidade, a socializar e também criavam vínculos.

Educação sexual é isso: transparência e vivência. Não apontar um único e utópico (para algumas ) ou indesejável caminho.

A liberdade de esperar tem o outro lado, o de não querer esperar – e ter consciência dessa escolha. E não apenas edulcorar a espera com a ilusão de um vestido de noiva.

Ouso sugerir à ministra Damares que, em vez de usar tanta verba e foco para uma campanha apenas conceitual, com duvidosa eficiência, que implante o método de dona Noilde em escolas públicas deste nosso Brasil.

Ganhariam todos: em informação, experiência e, principalmente, na percepção da realidade sem deformações ideológicas.

Conteúdo exclusivo para assinantes!

Assine agora e tenha acesso ao conteúdo exclusivo do Tribuna Online!

Matérias exclusivas, infográficos, colunas especiais e muito mais, produzido especialmente pra quem é assinante.

Apenas R$ 9,90/mês
Assinar agora
esqueceu a senha?

últimas dessa coluna


Exclusivo
Claudia Matarazzo

Um futuro nem tão ambicioso

Vamos falar do futuro. O futuro que, agora percebemos, foi subitamente sabotado – e está, neste exato momento, sendo repensado, ressignificado, reinventado, e uma porção de outros “res” que nos …


Exclusivo
Claudia Matarazzo

Lições da pandemia

Não vamos falar da finitude, de nossos medos, nem da angústia de ver nossas vidas em risco graças ao total despreparo, da boçalidade e pura teimosia dos titulares de nosso “desgoverno” – que poderiam …


Exclusivo
Claudia Matarazzo

De meditação a sexo nas lives

Você entraria em uma web suruba? Pagaria para entrar? Confiaria no anonimato da organização? Se ficou perplexo com a possibilidade, saiba que não está sozinho. Mas não apenas as web surubas …


Exclusivo
Claudia Matarazzo

Novo momento, novos horários

Vivemos um novo momento trazido pela pandemia de Covid-19: home office, cursos a distância e reuniões agora fazem parte do nosso dia a dia. Se em casa economizamos preciosas duas horas por dia (que …


Exclusivo
Claudia Matarazzo

Eliminar para iluminar

A frase é da jornalista da Lilian Pacce e foi dita em uma fala sua ao se referir ao desapego. Nessa pandemia, percebemos que é muito, muito mais importante SER do que TER. Ser saudável, ser …


Exclusivo
Claudia Matarazzo

Líder pós-pandemia

É fato: o mundo que conhecemos ficou para trás, em todos os sentidos. Não existe nada de normal no futuro próximo, mas muito de “novo”. Porém, “novo normal”? Não aguento mais ouvir essa bobagem. …


Exclusivo
Claudia Matarazzo

O que é etiqueta preventiva?

É a nova etiqueta. E se baseia, como na etiqueta tradicional, nos pilares do bom senso e afetividade, acrescentando um fator essencial nesse momento de delicada transição: a biossegurança. Isso …


Exclusivo
Claudia Matarazzo

Desabafo de madame

Passei grande parte da minha vida justificando o rótulo de “madame”, maldosamente aplicado a minha pessoa desde a faculdade de Jornalismo. Na ocasião, nos anos 1970, em plena abertura da ditadura e …


Exclusivo
Claudia Matarazzo

Para fazer diferença com cliente

Atendimento e fidelização – Hoje, palavras-chave para quem quer se diferenciar, principalmente na atividade de atendimento de alimentos e bebidas delivery –, uma das poucas que se manteve, mesmo …


Exclusivo
Claudia Matarazzo

Lute, se cuide e fique bem!

Vidas não se contabilizam, se preservam! A frase, da senadora Mara Gabrilli, merece reflexão mais profunda: neste momento, vemos um enorme afã em se contar mortes – ou vidas que se apagaram. Ou …


Olá, !

Esse é o seu primeiro acesso por aqui, então recomendamos que você altere o seu nome de usuário e senha, para sua maior segurança.



Manter dados