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Grávida morre com Covid-19 na Serra e médicos salvam bebê

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Coronavírus

Grávida morre com Covid-19 na Serra e médicos salvam bebê


Daiane morava em Fundão com o marido e outros dois filhos. Ela fez a cesárea, chegou a melhorar, mas não resistiu (Foto: Reprodução/ Facebook)
Daiane morava em Fundão com o marido e outros dois filhos. Ela fez a cesárea, chegou a melhorar, mas não resistiu (Foto: Reprodução/ Facebook)
Grávida de sete meses e meio, o sonho de Daiane Galvão, 25, era poder construir a casa própria em Fundão com um quartinho para cada um dos seus três filhos – um menino de 11 anos, uma menina de 7 e a bebê. Já tinha comprado o enxoval e ganhado fraldas dos amigos. Mas ela não teve tempo de realizar o sonho.

A jovem é uma das 233 vítimas da Covid-19 no Estado. Após ficar 20 dias internada no hospital Jayme dos Santos Neves, na Serra, e passar por uma cesárea às pressas, Daiane morreu na última terça-feira (12). A neném, Ágata, está internada na Unidade de Tratamento Intensivo Neonatal (Utin) do Jayme.

Segundo o marido de Daiane, Antônio Carlos Bruno da Silva Filho, 27, a jovem deu entrada no hospital duas vezes e chegou a fugir uma vez. Ela começou a sentir sintomas na primeira quinzena de abril, depois que o marido também apresentou sinais da doença.

“Eu comecei a passar mal, aí logo em seguida ela também. Eu a levei ao médico em Fundão, pensaram que era virose. Ela tomava o remédio e não melhorava. Quando chegava de noite, ela tinha febre de novo. Aí no domingo (19) eu a levei a um hospital em Santa Teresa e de lá já a mandaram para o Jayme”.

Mas, no dia 22, Daiane ligou para ele dizendo que queria ir embora. “Eu fui de moto buscar o boletim e deu uma doideira na cabeça dela que ela queria vir embora. Disse que fez um teste rápido e deu negativo, mas eu perguntei para a enfermeira que disse que não tinha saído o resultado do exame. Mesmo sem receber alta, ela saiu do hospital e não quis mais voltar. Eu insisti com ela, mas ela dizia que iria morrer lá dentro. Então eu arranjei um carro e a trouxe para Fundão”.

Porém, o estado de saúde de Daiane piorou. “Ela passou muito mal e tive que chamar o Samu, no mesmo dia ela voltou para o Jayme. Aí ela já foi sedada e entubada”.

Dois dias depois, os médicos avisaram a Antônio que Daiane passaria por uma cesárea. “O médico e a obstetra me disseram que teria que fazer uma cirurgia às pressas, porque o estado dela era gravíssimo e que iriam tentar salvar a vida das duas. A cesárea foi na UTI mesmo, mas correu tudo bem. A neném nasceu prematura, então foi para a Utin e a Daiane chegou a melhorar, mas depois piorou”.

Segundo ele, Daiane tinha asma e nenhuma outra comorbidade.

“A neném vai me ajudar a superar tudo”

O casal: torcida para o Flamengo (Foto: Acervo pessoal)
O casal: torcida para o Flamengo (Foto: Acervo pessoal)
Muito abalado com a morte prematura da mulher, Antonio Carlos Bruno disse que vai registrar nesta quinta-feira (14) a filha Ágata e que vai contar a com a ajuda das cunhadas e da comunidade onde mora – ele vive num assentamento rural em Fundão – para criar a menina.

A Tribuna – Quanto tempo você estava com a Daiane?
Antonio Carlos Bruno – Há um ano, um ano e pouco. Mas já conhecia ela desde pequena, desde criança. Nós éramos amigos de infância. Aí ela foi embora para o Rio, depois voltou, foi embora de novo, depois voltou, aí nessa volta a gente se aproximou e se apaixonou. Começamos a namorar e já casamos. Ela trouxe os outros dois filhos dela e engravidou logo.

Como tudo aconteceu?
Eu não sei bem. Eu comecei a passar mal, aí logo em seguida ela também. Não fiz o teste, mas melhorei com dipirona, ela não.

Ela tinha problema de saúde?
Ela tinha asma, desde pequena. Mas não tinha outro problema de saúde, não. Mas como estava grávida, poderia estar com a imunidade baixa. E nessa saída dela do hospital pode ter agravado.

Por que ela fugiu do Jayme?
Deu uma doideira na cabeça dela, não queria ficar no hospital, dizia que iria morrer lá dentro. Eu ainda insisti para ela ficar. Aí quando ela voltou já foi sedada e entubada, levaram ela para a UTI.

Ela não saiu da UTI?
Não. Ela chegou a melhorar depois da cesárea, acordou da sedação, a enfermeira leu uma carta que a gente fez para ela dizendo que a neném estava bem, para ela ser forte e que a gente estava com saudade. Mas depois ela começou a piorar de novo. O pulmão dela estava muito debilitado.

Como está a bebê?
Ela está bem. Ela não tem coronavírus. Está ganhando peso. O nome dela é Ágata, vou registrar amanhã (hoje). Algumas pessoas falaram para colocar o nome da mãe, mas a mãe queria Ágata. Era meu sonho ter um filho, Daiane engravidou mais por minha causa. Tudo que eu tenho agora é minha filha... (choro). Tá difícil demais.

O que vai fazer agora?
Ainda não sei, foi um choque, estou sem chão. Vou criar minha filha, vou fazer de tudo para ela. A neném vai me ajudar a superar tudo. Minhas cunhadas moram perto e vão me ajudar, porque eu tenho que trabalhar para sustentá-la.

Qual a memória que você vai guardar da Daiane?
Ela era uma menina nova, cheia de sonhos. Íamos começar a construir nossa casinha agora, com três quartos para as crianças. Ela estava mais animada que eu. A gente planejava casar no cartório e na igreja. Ela era muito alegre, muito trabalhadeira, gostava de ajudar todo mundo. Era uma pessoa nota mil.

Os amigos nem puderam se despedir. Não pudemos abrir o caixão, foi direto para o cemitério, só fez uma oração rápida e enterrou. Todo dia que eu ia buscar o boletim dela no hospital, eu via gente saindo e chorando. Hoje, infelizmente, foi a minha vez de chorar.


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