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Festa de criança após pandemia
Claudia Matarazzo
Claudia Matarazzo

Claudia Matarazzo


Festa de criança após pandemia

Diga que sou mal-humorada, mas, se tem uma coisa que no pós-pandemia, vou adorar ver mudar para a versão mais enxuta – e sem aglomeração – serão as festas infantis.

Sempre fugi desses micos o quanto pude! Deixava minha filha com os monitores sem piscar – e voltava para buscar entrando naquele mix de inferno e bufê apenas pelos três minutos necessários para localizá-la e ajeitar no carro, onde ia dormindo até chegar em casa.

Jamais achei graça e nunca fui de socializar com outros pais e mães comendo salgadinhos e tomando guaraná morno em copinho plástico.

Essa parte da comilança prefiro fazer em casa e entre poucos amigos, sem a barulheira infernal.

Ok, implicância à parte, há quem precise de um bufê para fazer a festa da turma.

E aí começa o dilema e a loucura de “o céu é o limite”– apenas para descobrir depois que o limite, na verdade, era do cartão e estourou.

Portanto, se você não é escravo “do que vão pensar os outros”, não liga para a última “ tendência de mesa posta infantil” e sabe que seu filho não vai ficar traumatizado apenas porque não teve uma megafesta cafona todo ano. Pimba! Você, provavelmente, não precisa dessas dicas...

Já, se você, alguma vez, sentiu uma remota pontada de culpa por ter sequer pensado em trocar a festa de aniversário com a turma inteira da escola por uma viagem em família para algum destino selvagem, talvez seja legal pensar em seguir alguns critérios: assim você não pira e agrada seu filho.
E, de quebra, mata de inveja as mães e os pais que não conseguem dizer não.

Limite – Essa é a palavra-chave. Para o número de convidados, de pais de convidados, e de babás que acompanham.... sim, pois, a depender da idade, as babás são necessárias e, aí, a conta do bufê quadruplica...

Pense comigo: até 3 anos de idade, é difícil deixar a criança sozinha em um bufê ou mesmo em casa, certo? De modo que nunca são apenas duas crianças. São elas, mais as babás (ou mães), portanto, quatro convidados.

Compartilho aqui uma regra inglesa supersábia: na dúvida, sempre convide uma criança a mais, acima da idade da criança, ou seja: a criança vai fazer 3 anos convide 4 amigos, e assim por diante.

E faz o maior sentido!!! Sem nem mesmo saber disso, eu, mãe meio preguiçosa, convidei apenas os avós – e zero amigos – para apagar a velinha da Valentina. Que assoprou e foi dormir – como qualquer bebê de 1 ano....

Já, no segundo aniversário, cedi, e fizemos um festão em bufê. Resultado: ela, com febre, dormiu no colo da babá a festa toda, sobrou para mim: tive que encarar 40 crianças (toda a turma, não apenas a da sala) e a conta para pagar em três meses.

Nunca mais caí nessa. Acho que só fiz mais uma festa em bufê. As outras todas foram em casa, com 10 amigas mais chegadas e pronto! Pense: um bebê de 3 anos precisa de mais de quatro colegas? E uma criança de 10, com 11 ou 12 amigos não morre de se divertir?

Aos 20, alguém tem mais de 21 amigos daqueles que valham a pena? Provavelmente, não. E dá para se esbaldar com uma turma nessa idade. E assim vai. Não acha que, com esse tipo de limite, fica mais fácil? Experimente.

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