search
Cookies não suportados!

Você está utilizando um navegador muito antigo ou suas configurações não permitem cookies de terceiros.


Assine agora e tenha acesso ao conteúdo exclusivo do Tribuna Online!

esqueceu a senha? Assinar agora
Cookies não suportados!

Você está utilizando um navegador muito antigo ou suas configurações não permitem cookies de terceiros.

Farofa, farinha ou paçoca?
Claudia Matarazzo
Claudia Matarazzo

Claudia Matarazzo


Farofa, farinha ou paçoca?

O título, claro, é uma provocação, uma vez que a farofa é feita com farinha e a farinha é a base de um sem-número de delícias da nossa gastronomia. Já paçoca é uma variação do nome da farofa: no Centro-Oeste, chama-se paçoca a farofa salgada, normalmente, preparada com lascas de carne seca.

Já no Sudeste, paçoca é doce, mas preparada com a mesma base acrescida de açúcar.

“Onde houver farinha e milho, cada um cria seu filho” – O ditado, muito antigo, dá a real dimensão da importância da farinha no cardápio brasileiro – desde sempre!

Ora, em regiões remotas e de muita seca, a dieta dos escravos consistia apenas em farinha, eventualmente, em dupla com buchada de carne de bode e peixes secos.

E, meio que de contrabando, nos fogareiros externos, assavam-se carnes da mata: tatus, preás, camaleões, mocós, com acompanhamento de bananas verdes e mamões.

Era uma forma de criar um complemento ao cardápio com um paladar diverso e exótico, mas não menos saboroso.

Milagrosa farinha – Polivalente, saborosa e variada! A farinha de mandioca usada pelos indígenas era usada de várias maneiras, inclusive, para fazer um “beiju de melhor digestão que a farinha”, segundo um encantado comensal português do Brasil colonial.

Era degustada com mel, carne, peixe seco e caldos, os quais engrossava e agregava sabor e textura.

A farinha de milho encontrada aqui, embora relegada à comida secundária pelos europeus, era muito popular, e o próprio milho era um alimento importante dado aos escravos – e, depois, adaptado à mesa da Casa Grande com variações.

O conhecidíssimo e apreciado fubá é o nome angolês para o milho que, entre outras delícias, é a base dos nossos populares e coloridos bolos de fubá.

“Se não é farofa, não é comida” – A frase é de Daniela Narciso, autora do livro “Farofa”, elaborado em conjunto com o também chef Danilo Rolim. Loucos por farofa, eles conseguiram reunir nada menos do que 82 receitas de farofas e “assemelhados”, para ninguém ficar triste ou sentir falta.

Pudera: a farofa, segundo eles, pode ser feita com farinha de pinhão, como no Sul; de pão torrado; de farinha de peixe seco, como no Norte; de biscoito triturado... de quase tudo mesmo!

E farofa tem que ser soltinha. Se ficar ligeiramente úmida, já se transforma em um virado. Acrescente um pouco mais de caldo... e vira pirão! Sentiram a versatilidade?

Mais do que o feijão, a farofa é consumida em todas as regiões do Brasil, como acompanhamento de peixes, carnes, frutos do mar... e, claro, também como prato principal, no caso das “paçocas” salgadas, que, no Centro-Oeste, compradas para consumir na rua, vêm em um potinho com uma banana em cima. Nesse caso, a banana, sim, serve de acompanhamento à paçoca.

Some-se a isso o fato de ser razoavelmente acessível (por enquanto) e, algumas, bastante nutritivas e saudáveis... bingo! Temos um novo alimento-símbolo, até agora subvalorizado. Gostou da ideia? Eu amei!

Conteúdo exclusivo para assinantes!

Assine agora e tenha acesso ao conteúdo exclusivo do Tribuna Online!

Matérias exclusivas, infográficos, colunas especiais e muito mais, produzido especialmente pra quem é assinante.

Apenas R$ 9,90/mês
Assinar agora
esqueceu a senha?

últimas dessa coluna


Exclusivo
Claudia Matarazzo

Pamonha e paçoca com requinte

É um engano achar que nossa culinária fica a dever a qualquer uma do mundo porque não fica. Em variedade, riqueza de ingredientes, sabor e tradição, nossa gastronomia bota no chinelo quase todas do …


Exclusivo
Claudia Matarazzo

A idade da pessoa é um encanto

Atenção, leitor: se você é homem pode achar esse papo uma bobagem. Já, se é mulher, com mais de 40 anos, vai entender do que estou falando – e quem sabe se identificar. Há mais de 10 anos, …


Exclusivo
Claudia Matarazzo

Presentes do Dia dos Namorados

Nunca gostei de Dia dos Namorados pelos mais variados motivos. Quando jovem, dizia que a data era “comercial”, até arrumar um namorado que me paparicava e preparava surpresas incríveis e nada …


Exclusivo
Claudia Matarazzo

Sabotagem ou autossabotagem?

Só mesmo a autossabotagem para explicar a enxurrada de sentimentos contraditórios que vem nos afligindo nessa pandemia. Ok, o momento é delicado, estamos todos fartos de notícias ruins, mas nada …


Exclusivo
Claudia Matarazzo

Ressignificando passado, presente e futuro

Vira e mexe vejo alguma frase nas redes sociais que me chama a atenção – e anoto para refletir, compartilhar e, muitas vezes, questionar. Durante a pandemia, chama a atenção o quanto a reflexão/preoc…


Exclusivo
Claudia Matarazzo

Novo olhar para receber em casa

É fato: depois da pandemia, receber em casa, estar com amigos, ir a um evento ou ter um simples encontro na rua já adquiriu outro significado. O que mudou no comportamento das pessoas? Muita coisa. …


Exclusivo
Claudia Matarazzo

Dicas para acertar no currículo!

Mandar o currículo não basta, mas ajuda muito se ele estiver no ponto certo de apresentação e com as informações organizadas de forma a chamar a atenção. Como está tudo muito difícil, não custa …


Exclusivo
Claudia Matarazzo

Privacidade, um resgate urgente!

Na era dos reality shows e das redes sociais, falar em privacidade é uma ousadia, bem sei. Mas, é necessário. O conceito é bem conhecido dos verdadeiramente elegantes. Pena que, a cada dia, sejam …


Exclusivo
Claudia Matarazzo

“Sofagate”, a gafe diplomática

O vídeo correu o mundo: políticos, feministas, cerimonialistas e mulheres de todo o planeta o analisaram com diferentes interpretações. Nele, um encontro entre a presidente da Comissão Europeia, …


Exclusivo
Claudia Matarazzo

Autossabotagem na pandemia

Só mesmo a autossabotagem para explicar a enxurrada de sentimentos contraditórios que vem nos afligindo nesta pandemia. Ok, o momento é delicado, estamos todos fartos de notícias ruins, mas nada – …