search
Cookies não suportados!

Você está utilizando um navegador muito antigo ou suas configurações não permitem cookies de terceiros.


Assine agora e tenha acesso ao conteúdo exclusivo do Tribuna Online!

esqueceu a senha? Assinar agora
Cookies não suportados!

Você está utilizando um navegador muito antigo ou suas configurações não permitem cookies de terceiros.

Exigência menor para contratar empregados

Notícias

Publicidade | Anuncie

Empregos e Estágios

Exigência menor para contratar empregados


Alessandra Zanotti disse que os requisitos técnicos são mais fáceis de serem adquiridos: “Os comportamentais são difíceis de desenvolver” (Foto: Kadidja Fernandes/ AT)
Alessandra Zanotti disse que os requisitos técnicos são mais fáceis de serem adquiridos: “Os comportamentais são difíceis de desenvolver” (Foto: Kadidja Fernandes/ AT)

Para ocupar uma vaga de emprego, muitas vezes as empresas precisam deixar de lado algumas exigências naturais para o cargo. O motivo, de acordo com especialistas, é a falta de qualificação dos candidatos.

Fluência em Inglês e Espanhol, domínio do Excel avançado e de ferramentas que facilitam a gestão de dados, além até da formação técnica, estão na lista de habilidades que os recrutadores buscam, mas nem sempre encontram.

A ausência de profissionais qualificados preocupa diversos setores, entre eles a indústria.

Segundo pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI), 96% das empresas do País encontram dificuldade para contratar operadores, enquanto 90% reclamam da ausência de candidatos de nível técnico.

A mesma situação acontece no Estado. “O que mais a gente ouve no ambiente empresarial é que existe muita gente procurando emprego e poucos qualificados naquelas habilidades das vagas disponíveis”, disse o vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado (Findes), José Carlos Bergamin.

De acordo com especialistas, a maioria dos setores sofre com esse problema. Entre eles: vendas, administração, tecnologia da informação, vestuário, construção civil, entre outros.

O especialista em Gestão de Pessoas e mestrando em Administração Targino Bazílio Cardoso Neto explicou que, muitas vezes, é preciso escolher o candidato ponderando as habilidades que ele tem e as que ele precisa desenvolver.

Quando é necessário contratar um profissional que fale Inglês e Espanhol e que tenha experiência com vendas, por exemplo, é preciso escolher entre os candidatos que têm experiência na área e os que dominam as outras línguas.

“A linha de raciocínio das empresas é a de que é mais fácil qualificar alguém que sabe Inglês e Espanhol para vender, do que qualificar um vendedor para falar as duas línguas”, esclareceu.

A diretora-executiva da Associação Brasileira de Recursos Humanos (Abrh-ES), Alessandra Zanotti, explicou que os requisitos reduzidos são mais técnicos e que é possível suprir-los durante o trabalho. “O comportamental é mais difícil de desenvolver rápido”.

Companhias abrem mão do diploma até em nível superior

Nem sempre quem tem nível superior tem as habilidades comportamentais necessárias para assumir as vagas disponíveis no mercado. “Às vezes, a pessoa tem formação inferior e comportamento mais proativo, adaptável e vai conseguir entregar resultados melhores”, destacou Martha Zouain, diretora da Psico Store.

Ela destacou que para algumas posições administrativas empresas estão contratando técnico-administrativo para vagas que seriam do curso superior, para manter a folha de pagamento mais enxuta. “Eles pagam menos para esses profissionais”.

Acrescentou também que, para trabalhar com mídias sociais, muitas vezes os candidatos fazem cursos livres, que não exige nível superior. “Nessa área, a criatividade conta muito”, ponderou.

Especialistas explicam ainda que na área industrial tem diversas posições que os empregadores abrem mão de cursos superior por não ter profissional qualificado, como logística e tecnologia da informação. O mesmo se repete na área comercial.

Recrutadores destacam que em muitos casos o importante é ter o conhecimento para desempenhar a função, não o diploma.

Saiba mais

Qualificação

  • Em busca de profissionais qualificados, empresas acabam abrindo mão de algumas exigências técnicas para conseguir preencher a vaga.
  • De acordo com especialistas, esse tipo de situação acontece na maioria das áreas de atuação. Como exemplo foram destacadas algumas que chamam mais a atenção.

Produção industrial

  • Com dificuldade de encontrar trabalhadores qualificados com nível técnico, as empresas acabam optando por qualificar o profissional. Principalmente, nos casos voltados para a operação de maquinários.

Administração

  • Além do diploma de nível superior, algumas vagas para os profissionais de administração exigem o conhecimento do Excel avançado. Além, das habilidades comportamentais.
  • Contudo, os recrutadores encontram dificuldades de encontrar o profissional que tenha esse conhecimento mais profundo em relação ao Excel.
  • Outra dificuldade é encontrar profissionais que tenham domínio de ferramentas que permitem o uso de métricas e estatísticas para facilitar o trabalho do profissional.
  • Muitas vezes, esse conhecimento acaba ficando para ser desenvolvido após a contratação.

Contabilidade

  • Empresas multinacionais, muitas vezes, precisam de profissionais que tenham conhecimento técnico em relação à metodologia contábil de outros países.
  • Isso porque ele precisa fazer as conversão dos dados contábeis da empresa (organizados de acordo com as normas do Brasil) para as normas dos países para os quais os relatórios serão enviados.

Vendas

  • Na área de vendas, as vagas mais difíceis de preencher são aquelas que exigem que os candidatos tenham fluência em Inglês e Espanhol, além de experiência na área. Principalmente para vendedor internacional de multinacionais.
  • Nesse caso, se tiver de escolher entre profissionais que têm experiência e aqueles que dominam outras línguas, os últimos terão mais chance. Isso porque é mais fácil ensinar a vender, do que a falar Inglês e Espanhol.

Tecnologia da Informação

  • A área é considerada por especialistas a que mais tem flexibilizado as exigências de qualificação. Afinal, para muitas vagas não é necessário nem sequer ter o ensino superior, basta ter o conhecimento compatível com essa escolaridade e saber desempenhar a função para a qual está sendo contratado.

Supervisores

  • Os profissionais precisam acompanhar as transformações mercadológicas e estar antenados com as novas tecnologias. Os empregados têm dificuldade de encontrar profissionais atualizados com as tecnologias disponíveis na área de atuação.
  • Principalmente para trabalhar em multinacionais, falta que os candidatos tenham real domínio de uma segunda língua.
  • Também encontram dificuldade para fazer cronogramas e relatórios, utilizando ferramentas como o Excel e o Microsoft Project, que é uma ferramenta de gestão de projetos.

Formação técnica

  • A construção civil está utilizando muito estruturas metálicas como recurso. Nesse contexto, a solda passou a ser algo extremamente estratégico para a segurança no imóvel.
  • Mas o setor tem dificuldade de encontrar profissionais de nível técnico bem qualificados na área. Além deles, eletricista e soldador também são carências.

Recepção

  • Estabelecimentos como hotéis e até mesmo empresas multinacionais encontram dificuldade de encontrar profissionais que falam fluentemente mais de uma língua.

Vestuário

  • No setor, muitas vezes, as máquinas de costura eletrônicas, são subutilizadas por falta de qualificação de quem as opera.
  • De um total de 12 funções, muitas vezes, quem costura sabe utilizar somente três.
  • Existe a necessidade da contratação de profissionais antenados com as novas tecnologias, mas devido à dificuldade de encontrá-los, muitas vezes, profissionais que já atuam na área são requalificados pelas próprias empresas.

Fonte: Fecomércio, Findes, ABRH-ES Targino Bazílio Cardoso Neto e Fábio Cruz.

Desemprego não reduz dificuldades de empresas

O Espírito Santo fechou o ano passado com 222 mil desempregados. Contudo, mesmo com esse número, a dificuldade para as empresas encontrarem profissionais qualificados não reduz.

O diretor-executivo da PBA Stones, que atua no ramo de exportação de rochas ornamentais, Fábio Cruz, contou que na maioria das vezes, quando busca profissionais para posições mais estratégicas, encontra pessoas com experiência e sem a qualificação técnica necessária.

Para o cargo de gerente administrativo-financeiro, ele procurou alguém que falasse Inglês fluente e que soubesse utilizar a metodologia contábil americana, mas não conseguiu esse profissional capacitado. “Tentei capacitar duas pessoas e não deu certo. Agora contratei um profissional com Inglês fluente e as habilidades comportamentais necessárias e vou investir na qualificação dele”.

Fábio Cruz destacou que a área com maior desafio é a comercial, pois considera que há poucos profissionais sêniores nesse negócio.

“Temos um programa de treinamento interno para vendedor internacional. Em volume, essa é a profissão que mais dá trabalho para encontrar profissional qualificado. A parte técnica do uso de ferramentas você ensina, mas se a pessoa não viveu fora do Brasil por alguns anos, não vai ter conhecimento suficiente para negociar em outra língua”.

De acordo com a presidente da Federação mundial de Recursos Humanos, Leyla Nascimento, não há profissionais qualificados para as vagas disponíveis porque no País não há um planejamento em relação à formação.

“Estamos tendo uma diferença entre os profissionais que formamos e aqueles que as empresas estão precisando. Nós vamos passar por um período grande de requalificação por causa disso”, destacou a especialista.

Ela acrescentou também que no Brasil o curso técnico não é valorizado, o que contribui para que falte mão de obra com essa formação. “Nós passamos a ser o País do curso superior. Mas esses profissionais acabam assumindo postos de trabalho que não demandam essa qualificação”. Ela lembrou que as empresas não querem profissionais cujo investimento em treinamento e cursos seja elevado.

Como se manter qualificado

Exigência

  • Para descobrir o que o mercado está exigindo de qualificação em ralação à área na qual atua é preciso ficar atento à divulgação das oportunidades.
  • O profissional deve conferir quais habilidades técnicas e comportamentais são exigidas e buscar desenvolver aquelas que estão sendo solicitadas e ele ainda não possui.
  • É importante entender que habilidades comportamentais podem ser desenvolvidas e que no Espírito Santo há cursos voltados para isso. Contudo, é um processo que, muitas vezes, pode demorar mais que o desenvolvimento de alguma habilidade técnica, como aprender a mexer em um programa.

Autoconhecimento

  • Também é importante descobrir sobre as áreas em que realmente deseja atuar e que tem afinidade. Pois gostar daquilo que faz é um estímulo para buscar cada vez mais aprendizado.

Atualização

  • É importante descobrir as novidades tecnológicas que estão surgindo em sua área de atuação e buscar uma forma de dominar essas novas ferramentas. Seja estudando por meio de vídeos na internet ou fazendo cursos voltados para o assunto.

Oportunidades

  • Sempre que tiver oportunidade de fazer cursos de qualificação, seja dentro ou fora da empresa onde atua, é preciso aproveitar. Procure ser o profissional mais completo possível dentro de sua área de atuação.

Fonte: Pesquisa AT e Elcio Paulo Teixeira, CEO da Heach Brasil, EUA e América Latina.

Análise

Gisélia Freitas, especialista em pessoas e carreiras (Foto: Divulgação)
Gisélia Freitas, especialista em pessoas e carreiras (Foto: Divulgação)
“Tem mais quantidade do que qualidade de candidatos no mercado”

A palavra que mais se escuta no mercado atual é “competitividade”. Para sobreviver e prosperar, empresas estão sempre buscando inovar-se e, com isso, diferenciar-se estrategicamente.

Só que inovação só vem de pessoas (ainda) e não de máquinas. Por isso, a busca por profissionais que agreguem valor competitivo é constante. Mas e quando não se encontra esse profissional?

As exigências iniciais de qualificações estabelecidas em processos seletivos, muitas vezes são trocadas ou flexibilizadas no final. A verdade é que se tem mais quantidade do que qualidade de candidatos.

A indústria 4.0 tem exigido um novo modelo de profissional, capaz de absorver e acompanhar com a mesma velocidade as transformações mercadológicas. Mas as pessoas não têm acompanhado, deixado empresas em situação complicada.

E mesmo com o “apagão” de algumas áreas técnicas, o que não se pode abrir mão é do caráter, maior fator de empregabilidade no mundo em constante transformação.


Olá, !

Esse é o seu primeiro acesso por aqui, então recomendamos que você altere o seu nome de usuário e senha, para sua maior segurança.



Manter dados