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Eugênio Ricas: “Vamos mirar o patrimônio das organizações criminosas”

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Entrevistas Especiais

Eugênio Ricas: “Vamos mirar o patrimônio das organizações criminosas”


No comando da Superintendência Regional da Polícia Federal no Espírito Santo há pouco mais de duas semanas, o delegado federal Eugênio Ricas falou sobre os desafios no enfrentamento ao crime no Estado.

Demonstrando firmeza em suas palavras e saindo em defesa da união das polícias, inclusive com a criação de uma força-tarefa para combater o crime organizado, ele avisou que não vai dar trégua aos bandidos.

“Vamos mirar o patrimônio dessas organizações criminosas, deixá-los sem nada”.

A Tribuna – O tráfico de drogas é um problema crescente no País. Mas aqui no Espírito Santo, sob o seu comando, quais são as estratégias para combater esse tipo de crime?
Eugênio Ricas – O tráfico de drogas realmente é um dos maiores problemas da sociedade moderna. Atualmente não tem nenhum município que esteja imune a esse fenômeno. O Brasil é o segundo maior mercado consumidor de cocaína do mundo. Só perde para os Estados Unidos.

Isso tudo gera uma série de problemas não só na área de segurança pública, mas também de saúde. Então, esse tipo de crime será uma prioridade para a Polícia Federal.

O que a Polícia Federal pode fazer para combatê-lo?
A gente precisa atuar no macrotráfico de drogas. É preciso entender que toda cocaína que entra no Brasil é produzida no Peru, na Bolívia e na Colômbia. Quanto à maconha, nós temos poucas produções em algumas regiões do Brasil, mas o maior volume vem do Paraguai.

Então, a Polícia Federal precisa trabalhar impedindo a entrada dessa droga. Isso é quase uma missão impossível porque temos quase 16 mil quilômetros de fronteira seca, fora eventual droga que entra pelo modal aéreo e marítimo. Mas é nossa missão e a gente tem trabalhado para evitar que essa droga chegue aqui.

Qual o principal caminho para a droga chegar ao Estado?
Muitos aviões pequenos pousam em pistas clandestinas na fronteira e, depois, as drogas são distribuídas. Aqui no Estado, elas chegam pelas rodovias em carros e caminhões e são distribuídas para todas as cidades.

Eventualmente, parte dessa droga sai daqui e vai para a Europa. Já fizemos operações em que cargas de cocaína saíram dos portos do Espírito Santo e foram para a Europa.

E qual é a nossa missão? Em âmbito nacional, é impedir que essa droga entre no Brasil e, depois que chegou, é apreender o que está em circulação no Estado e tentar atingir as organizações criminosas que movimentam drogas e armas.

O superintendente Regional da Polícia Federal no Espírito Santo, Eugênio Ricas (Foto: Leone Iglesias/ AT)O superintendente Regional da Polícia Federal no Espírito Santo, Eugênio Ricas (Foto: Leone Iglesias/ AT)

Quais são as principais drogas comercializadas no Estado?
Cocaína e derivados – o crack é um deles –, bem como maconha, ecstasy e outras drogas sintéticas. Mas o grande problema hoje é o crack, que gera dependência muito severa, acaba com as famílias, traz problemas para a área da segurança, da saúde e da assistência social.

A gente tem que tentar atuar na origem desse problema, evitando que essa droga chegue. E, depois disso, apreendendo as drogas e prendendo os grandes traficantes.

E as armas, como chegam ao Estado?
Em regra, as armas curtas, revólveres e pistolas de todos os calibres, normalmente, vêm do Paraguai. Já as armas longas, principalmente os fuzis, que têm um poder de fogo assustador e alimentam as guerras entre facções, em regra, vêm dos Estados Unidos.

Essas armas sempre chegam escondidas em cargas e são distribuídas nos locais onde estão estabelecidas as organizações criminosas. Aí entra o papel da Polícia Federal. A lógica do enfrentamento a esse crime será a mesma: precisamos atuar tirando os armamentos de circulação, impedindo a chegada de novos e apreendendo o que já existe em circulação.

Qual é a estratégia para isso?
O foco principal é tirar o poder econômico das organizações criminosas, identificar quem são os cabeças e descapitalizar esse pessoal. Tirar todos os ativos deles no Brasil e fora do País.
Bloquear contas-correntes e apreender todos os bens, como carros, barcos, aviões e imóveis. É preciso deixá-los sem dinheiro.

O mercado do tráfico de drogas e de armas não aceita fiado. Tirar o poder econômico dessas organizações criminosas é a melhor forma que temos de acabar com elas.

E por que isso é importante? Porque a gente já viu que muitas vezes você prende um membro de uma organização criminosa, ele está na cadeia, mas se você não tirar o poder, o capital, ele continua gerenciando, continua dando ordem de dentro das cadeias.

Bloqueando todos os ativos, eles não conseguem mais comprar drogas e armas. É isso o que a gente está buscando com a força-tarefa que pretendemos implantar aqui no Espírito Santo ainda este ano. Nós não vamos dar moleza para os traficantes. Vamos mirar o patrimônio dessas organizações criminosas, deixá-los sem nada.

O senhor ficou três anos foram do Espírito Santo, em missão no exterior. Ao retornar, percebeu que muitas coisas mudaram? Aumentou o número de facções criminosas?

As informações que eu tenho recebido é que hoje há uma rotina de tiroteios que não existia um tempo atrás. Tiroteios com armamentos pesados, marginais que desrespeitam as instituições de segurança pública.

Isso é um fato extremamente preocupante, que chama a nossa atenção e mostra que é preciso uma atuação em conjunto de todas as forças. Cada instituição tem um papel fundamental nessa guerra.

Não dá para a gente pensar em crime organizado sem pensar globalmente. A PF atua investigando, identificando e bloqueando os bens dos traficantes dentro e fora do País. As outras instituições têm suas vocações e expertises. Trabalhando em conjunto, teremos muito mais sucesso nesse enfrentamento ao crime.

Aqui no Espírito Santo há grandes traficantes que podem ter bens fora do País?
Não tenho dúvida disso. Aqui tem membros do PCC (Primeiro Comando da Capital, facção paulista com atuação nos estados brasileiros e em alguns países).

Quando eu fui secretário de Justiça, até 2015, tínhamos mapeado dentro do sistema prisional cerca de 20 membros do PCC. Hoje esse número disparou. Tem muito mais pelo que tenho conhecimento.

Também sabemos que existe o PCV (Primeiro Comando de Vitória), além de outras organizações criminosas. Precisamos mirar essa turma. Eles não podem ficar impunes. É inadmissível a ocorrência de tiroteios em áreas habitadas. As pessoas não aguentam mais esse tipo de insegurança.

Como a polícia vai devolver a paz para a sociedade?
Vamos investigar, chegar até essas armas, até essas organizações criminosas. Vamos fazer apreensões das armas e drogas e prender esse pessoal. Tenho certeza que isso vai acontecer. Quando a força-tarefa estiver funcionando, vamos realizar muitas prisões e apreensões. É preciso desarmar os criminosos no Espírito Santo. Vamos fechar o cerco contra a entrada de armas e drogas no Estado. Esta é a nossa missão.

Quem é

  • Nascido em Belo Horizonte, Minas Gerais, se considera um capixaba de coração.
  • Tem 45 anos de idade, é casado e tem dois filhos.
  • Há 18 anos na Polícia Federal (PF), iniciou a carreira na Bahia.
  • No Espírito Santo, atuou como secretário de Estado da Justiça e secretário estadual de Controle e Transparência em gestões anteriores.
  • Morou três anos em Washington (EUA), onde ocupou o cargo de adido da PF – policial federal que atua em missão diplomática.
  • No dia 4 de agosto, assumiu o comando da Superintendência Regional da Polícia Federal no Estado.
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