Por que sentimos culpa ao descansar
Descansar sem culpa é um passo essencial para a saúde emocional das mulheres após os 50
Iza Medonça
Izah Mendonça é jornalista, e apresentadora do programa Eu e Elas, o único do Estado voltado para o público feminino. Autora do livro Lisboa com Afeto, é também colunista, podcaster e empresária. Com 24 anos de carreira, atua dando voz as mulheres, fortalecendo histórias reais, o empreendedorismo, e a comunicação. É idealizadora do projeto 50tei e agora.
Para muitas mulheres que passaram dos 50, descansar ainda é sinônimo de culpa. Culpa por parar, por não produzir, por não estar disponível o tempo todo. Um sentimento silencioso que acompanha uma geração inteira educada para cuidar de todos, menos de si.
Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que o estresse crônico é um dos principais fatores de adoecimento no mundo. As mulheres lideram os índices de ansiedade, depressão e esgotamento emocional, especialmente aquelas que acumulam décadas de múltiplas jornadas: trabalho, casa, filhos, cuidados com pais idosos e responsabilidades afetivas invisíveis.
No projeto 50tei e agora?, essa realidade aparece com frequência. São mulheres que chegam à maturidade cansadas, com alterações no sono, oscilações hormonais, irritabilidade e exaustão mental, e ainda assim sentem dificuldade em descansar sem se culpar.
Essa culpa não surge do nada. Ela é construída socialmente. Durante anos, muitas mulheres aprenderam que seu valor está diretamente ligado ao quanto produzem e ao quanto se sacrificam. Descansar, nesse contexto, parece egoísmo. Pausar soa como fraqueza.
Mas o corpo fala. E, depois dos 50, ele fala mais alto.
Estudos na área da neurociência e da saúde feminina mostram que a falta de descanso adequado impacta diretamente o equilíbrio hormonal, a memória, a concentração, o sistema imunológico e a saúde cardiovascular. Dormir mal e viver em estado constante de alerta aumenta o risco de ansiedade, depressão e doenças crônicas, especialmente no período da menopausa e do climatério.
É por isso que a terapia se torna uma aliada fundamental nessa fase da vida. Mais do que tratar sintomas, o acompanhamento terapêutico ajuda a mulher a entender de onde vem essa culpa: padrões familiares, crenças enraizadas, medo de desapontar e dificuldade de estabelecer limites. Na terapia, muitas descobrem algo essencial: descansar não é egoísmo, é necessidade biológica e emocional.
Falar de autocuidado é falar de sobrevivência emocional. É entender que não dá mais para sustentar o mundo com o corpo cansado e a mente sobrecarregada. Que descanso não é luxo, é saúde. Que pausar não significa desistir, mas preservar.
Especialistas em saúde mental reforçam que o descanso consciente melhora a qualidade das decisões, fortalece relações e amplia a capacidade de lidar com desafios. Uma mulher descansada não é menos ativa, é mais lúcida, mais presente, mais inteira.
Romper com a culpa exige um novo pacto consigo mesma. Exige aceitar que não é possível estar disponível o tempo todo. Que dizer “não” também é autocuidado. Que o tempo, agora, precisa ser usado com mais consciência e menos cobrança.
Descansar é um direito.
É prevenção.
É maturidade emocional.
E talvez esse seja um dos grandes aprendizados depois dos 50:
Quando a mulher aprende a descansar sem culpa, ela não se afasta da vida, ela finalmente se encontra.
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PÁGINA DO AUTOREu e elas
Esta coluna é um espaço dedicado a histórias que inspiram mulheres a serem protagonistas de suas vidas. Izah aborda empreendedorismo, comportamento, saúde, bem-estar e causas sociais, valorizando trajetórias reais, conexões e informação com propósito.