Taça entregue à torcida e ‘inferno alvinegro’: as imagens da sintonia entre Corinthians e a fiel
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A torcida do Corinthians foi protagonista do título paulista conquistado nesta quinta-feira, com um empate sem gols em duelo com o Palmeiras em Itaquera, depois de vitória por 1 a 0 no Allianz Parque. Em cena pouco usual no futebol, ao final da partida, os jogadores se dirigiram ao setor norte da Neo Química Arena e entregaram a taça para ser erguida pelos torcedores.
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“Essa torcida merece isso, todo ano lutar por coisas”, disse o volante André Carrillo durante a celebração da conquista. Foi uma experiência ganhar em casa contra o rival da vida toda. Foi incrível. Quando a torcida começou a fazer a festa que sempre faz, não é só em final... não é à toa que é toa que é a melhor torcida do Brasil. Tem torcedor que passa mal, tem dificuldades no fim do mês, e não vê a hora de colocar um sorriso n rosto”, acrescentou o auxiliar técnico Emiliano Díaz

A atitude dos atletas foi o desfecho de uma relação que começou a ser construída no meio do ano passado, quando o clube trouxe atletas como Memphis Depay, André Carrillo, Hugo Souza e José Martínez para reforçar o elenco. Eles se adaptaram rápido, ajudaram a livrar o time do rebaixamento e mostraram identificação com a torcida, da mesma forma que nomes que já estavam no clube antes, caso de Yuri Alberto, Rodrigo Garro e Romero.
“Os jogadores estrangeiros se adaptaram muito rápido. O Memphis, que é europeu, não está acostumado com a loucura daqui, foi para a briga. Ele é bem Corinthians, bem Corinthians. No dia a dia, você vê que ele é mais um no bando de loucos. Ele se adaptou muito rápido”, comentou Romero.

Ao longo do ano passado, tornou-se comum ver os jogadores corintianos fazerem a celebração conhecida como “Poropopó” à beira do gramado, a cada vitória, junto dos torcedores. Nos primeiros meses de 2025, a relação ficou abalado e correu o risco de acabar comprometida depois das atuações ruins da equipe na Pré-Libertadores, que culminaram na eliminação para o Barcelona de Guayaquil.

A resposta rápida, com o triunfo por 1 a 0 no Allianz Parque, durante a partida de ida, refortaleceu a conexão entre campo e gramado. Foram dez dias de espera até o segundo jogo, em Itaquera, já que o calendário do futebol brasileiro foi interrompido por causa da Data Fifa de março, o que contribuiu para o aumento da ansiedade.

Quando a quinta-feira da decisão chegou, ainda no final da tarde, o tradicional pré-jogo dos torcedores na Av. Padre Sena Freitas, a pouco mais de 1,5 km do Neo Química Arena, reuniu centenas de corintianos animados e otimistas com o fim do jejum. Para alimentar a rivalidade com os palmeirenses, um porco no rolete era assado no meio da rua.
Mais perto das entradas da Arena, o tom também era positivo. Como de costume, torcedores com itens que faziam referência a Memphis Depay, andavam aos montes. Mas, quando questionados quem decidiria a partida, a resposta mais frequente era outra: Yuri Alberto.

Nenhum dos dois balançou as redes no jogo decisivo, que terminou sem gols, mas ambos foram protagonistas, de formas diferentes. Enquanto Yuri foi o autor do gol na primeira partida, Memphis usou da provocação, ao subir na bola perto da bandeira lateral, para tirar os palmeirenses do sério e ‘cozinhar’ o jogo nos minutos finais.

A parte final também foi marcada por intervenções da torcida que causaram o mesmo efeito pretendido pelo holandês. Torcedores acenderam sinalizadores que fizeram o jogo ser paralisado em mais de uma ocasião e alguns cruzaram os limites ao atirar os objetos explosivos no gramado.

“A gente sabia que nos últimos minutos a torcida iria fazer a parte dela. Tudo isso foi planejado. A gente trabalhou bastante esses três meses para conquistar o título”, afirmou Romero, durante a celebração do título, no gramado da Neo Química Arena.

A atitude desse grupo de torcedores pode render punições ao Corinthians, até porque não é a primeiras que esse tipo de episódio acontece no estádio alvinegro. Inclusive, na última vez em que conquistou o Brasileirão, em 2017, foi punido pelo uso de sinalizadores durante a vitória por 3 a 1 sobre o Fluminense que confirmou o título. Por isso, perdeu um mando de campo e teve de pagar multa de R$ 50 mil.
Em 2024, sinalizadores foram utilizados para protestar contra os valores dos ingressos cobrados pelo São Bernardo, em duelo com a equipe do ABC pela Copa do Brasil. Neste caso, contudo, não houve perda de mando.
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