Confusão encerra festa do Flamengo no centro do Rio após desfile do tetra
Tumulto começou quando agentes montaram um cordão de isolamento para permitir a passagem de ônibus que retirariam os atletas da região
A celebração do tetracampeonato da Libertadores do Flamengo terminou em confusão na tarde deste domingo (30), no centro do Rio de Janeiro. Pouco depois de o trio elétrico com jogadores e comissão técnica encerrar o trajeto pela rua Primeiro de Março, torcedores que acompanhavam o cortejo entraram em confronto com policiais militares, que reagiram com gás de pimenta e disparos de balas de borracha.
A confusão começou quando agentes montaram um cordão de isolamento para permitir a passagem de ônibus que retirariam os atletas da região. Parte do público ficou retida atrás das grades e tentou ultrapassar o bloqueio, derrubando parte das estruturas. A PM usou armamento não letal para dispersar a multidão. Pelo menos duas pessoas foram levadas em macas, e há relatos de feridos entre quem tentava deixar o local.
O tumulto ocorreu nas imediações da avenida Presidente Wilson e durou poucos minutos. "As medidas adotadas visaram exclusivamente manter a integridade de todos os presentes e assegurar que o percurso da comitiva fosse concluído sem incidentes", informou a PM por meio de nota. Após a ação policial, os torcedores se dispersaram e seguiram comemorando nas ruas próximas.
Pouco depois das 16h (horário de Brasília), todas as interdições viárias montadas para o evento foram liberadas. Segundo a prefeitura, a rua Primeiro de Março e suas vias transversais já estão abertas ao tráfego, e equipes da Comlurb fazem a limpeza na avenida Presidente Antônio Carlos, na altura da Praça do Expedicionário. O trânsito segue com boa movimentação.
A festa havia começado ainda pela manhã, quando o elenco desembarcou no Aeroporto Internacional do Galeão às 9h38, vindo de Lima, no Peru. Os jogadores deixaram o terminal apenas às 12h30 e chegaram ao Centro por volta das 13h — hora em que subiram no trio elétrico, mais de três horas após o pouso.
Sob sol forte e temperatura prevista de 34°C, milhares de flamenguistas se espalharam pelas calçadas, esquinas e ruas próximas, transformando a região em um corredor rubro-negro. A prefeitura estima que cerca de 500 mil pessoas passaram pelo Centro durante o desfile. Houve registros de torcedores passando mal por causa do calor.
Quatro postos médicos foram montados pelo Flamengo. Segundo o clube, foram realizados 362 atendimentos, a maioria por calor, mas nenhuma ocorrência grave.
Lesionado, o atacante Pedro assumiu o comando da festa no trio, puxando cantos da arquibancada, fazendo transmissão ao vivo e guiando o DJ na escolha das músicas. A taça da Libertadores, que havia sido danificada ainda nas comemorações em Lima, circulou entre os atletas e foi exibida ao público.
Antes da chegada do elenco, torcedores se espalharam por marquises, postes e janelas na tentativa de conseguir melhor visão. A prefeitura e a Secretaria Municipal de Ordem Pública fizeram repetidos apelos para que o público deixasse essas estruturas.
O prefeito Eduardo Paes reforçou o pedido nas redes sociais, afirmando que os locais não eram seguros para sustentar o peso. "Queridos flamenguistas, saiam de cima das marquises e outras estruturas que não foram feitas para suportar esse peso. Celebrem com responsabilidade", escreveu o prefeito.
O esquema montado para o desfile incluiu bloqueios de ruas e monitoramento do Centro de Operações da Prefeitura, com 50 operadores acompanhando imagens de cerca de cem câmeras e dois drones para orientar o trânsito e a segurança.
O Flamengo tornou-se no sábado (29) o primeiro clube brasileiro tetracampeão da Libertadores, ao vencer o Palmeiras por 1 a 0, no Monumental de Lima, no Peru, com gol de Danilo.
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