Capixaba troca o Enem por campeonato de futsal de surdos na Suíça
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Neste domingo (3), quando mais de 5 milhões de pessoas estarão fazendo a prova do Enem, a estudante Thalita Mozer, 19 anos, estará fechando as malas para embarcar para a Suíça.
Cursando o 3º ano do ensino médio, ela abriu mão de fazer o teste e adiou a possibilidade de entrar numa faculdade de Educação Física para se dedicar ao sonho de ser jogadora de futebol.
Ela e outra capixaba são surdoatletas e foram selecionadas para integrar a seleção brasileira no Campeonato Mundial de Futsal de Surdos 2019, que acontece de 9 a 16 deste mês em Winterthur (Suíça).
“Eu vi que o exame iria cair exatamente na data do mundial, então não me inscrevi. Estou muito ansiosa para a viagem”, disse a estudante, que tem implante coclear e é oralizada – ela consegue se comunicar de forma oral e por leitura labial, devido ao implante.
Com quase tudo pronto para a viagem, a mãe de Thalita lembra a saga para conseguir juntar o dinheiro necessário e realizar o sonho da filha.
A família mora em Vila Velha e, sem patrocínio, a dona de casa Lourdilene Mozer bateu na porta da Secretaria de Estado do Esporte (Sesport), da Assembleia Legislativa, da Prefeitura de Vila Velha, de empresários, ONGs, federações, fez rifa, ação entre amigos, vaquinha on-line e lista de donativos. Ainda não conseguiu arrecadar tudo – pelos cálculos, em torno de R$ 13 mil –, mas conseguiu as passagens, garantiu o valor das diárias, do seguro-saúde e alguns suprimentos.
“Desde janeiro eu estou atrás de patrocínio para a Thalita. Fui na Sesport, mas já tinha passado o prazo de inscrição para os pedidos do bolsa-atleta. Falei com alguns deputados que prometeram ajudar, mas nada chegou. Bati em todas as portas que se possa imaginar, algumas pessoas ajudaram, ela ganhou as passagens, mas foi muito difícil chegar até aqui. Ainda não consegui, por exemplo, roupa de frio para ela ficar lá na Suíça”, disse Lourdilene.
Thalita joga futsal desde os 6 anos e todo mês vai para Jundiaí (SP) para os treinos táticos com o time da seleção. Ela embarca na próxima segunda-feira (4) junto com outras meninas e com a Confederação Brasileira de Desportos de Surdos para o campeonato.
A vontade de voltar com o primeiro título é grande. A família de Thalita sabe que voltar da Suíça premiada é mais do que a recompensa para um esforço de anos. É talvez a única forma da estudante abrir portas para um patrocínio e não ter seu sonho interrompido.
Bolsa Atleta
Procurada, a Secretaria de Estado do Esporte (Sesport) disse, por meio de nota, que “de acordo com a lei federal 13.019/2014, um ente público não pode ceder aporte financeiro para pessoas físicas sem um chamamento público, como é o caso do programa do governo do Estado 'Bolsa Atleta'. Qualquer atleta com residência comprovada no Espírito Santo e federado no Estado pode pleitear a bolsa”, informou.
O próximo edital tem previsão de ser aberto no fim deste mês. Para o atleta solicitar o benefício, deverá ter conquistado a primeira, segunda ou terceira colocação em competições nacionais ou internacionais em 2018. Segundo a Sesport, não há registros de que Thalita tenha pleiteado a bolsa em editais anteriores.
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