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Capixaba leva vida de superatleta nos gramados de Portugal

| 03/02/2020 23:46 h | Atualizado em 04/02/2020, 00:03

No rúgbi, Thamara Rangel é uma das principais jogadoras do Sporting, um dos maiores clubes de Portugal
No rúgbi, Thamara Rangel é uma das principais jogadoras do Sporting, um dos maiores clubes de Portugal |  Foto: Arquivo Pessoal

Quem já morou fora do Brasil sabe que vida de imigrante não é fácil. Muitos têm de encarar uma jornada dupla de trabalho para pagar as contas. Poliatleta desde a infância, a capixaba Thamara Rangel mora desde 2018 em Portugal e vive situação semelhante. Por lá, faz sucesso nos gramados europeus simultaneamente em duas modalidades: rúgbi e futebol.

Em Lisboa, as principais conquistas vêm com a bola oval. Defendendo as cores do Sporting, a capixaba foi um dos destaques na conquista recente de mais um campeonato nacional de rúgbi.

Na decisão, contra o time do Agrária de Coimbra, as “Leoas” do Sporting atropelaram por 50 a 0. Thamara entrou no segundo tempo do confronto e marcou dois “trys”, o que equivalente ao gol no futebol (cada try vale 5 pontos).

“Foi um jogo muito importante para mim, por vários motivos. Eu estava no Brasil e voltei na semana do jogo, não treinei, e por isso fiquei na reserva. Só joguei no segundo tempo, mas o suficiente para mostrar bom desempenho dentro de campo”, conta.

A conquista veio também em boa hora, já que Thamara está em processo de despedida do time. “Já tinha decidido abandonar o rúgbi quando eu ainda estava no Brasil. Mas acho que eu tenho um problema na cabeça (risos). Surgiu o convite do Sporting. Topei e fui ficando. Mas essa deve ser minha última temporada”, revela.

A capixaba vai deixar saudades nas Leoas. Desde a sua chegada, o time conquistou duas vezes o Campeonato Nacional, duas vezes a Taça de Portugal e duas vezes a Taça Ibérica, disputada contra times da Espanha.

Além disso, a equipe ampliou a vantagem obtida no confronto direto contra o Benfica, que tem no rúgbi uma rivalidade semelhante à do futebol profissional. O maior clássico de Lisboa só não aconteceu na final do último Nacional porque o Agrária surpreendeu na semifinal e bateu o Benfica.

“Jogar contra o Benfica é sempre chato, mas temos levado uma vantagem boa. Desde que cheguei a gente, a gente deve ter se enfrentado quase 20 vezes, e perdemos apenas três. Demos uma passada bem larga em relação a elas”, comemora Thamara.

Outras cores na camisa no futebol

Duas vezes por semana, Thamara deixa de lado a bola oval e o verde-branco do Sporting para vestir o grená e azul do Futebol Club Alverca, time feminino que disputa a segunda divisão de Portugal.

Imagem ilustrativa da imagem Capixaba leva vida de superatleta nos gramados de Portugal
Atacante velocista pela esquerda, a capixaba esteve em campo em cinco partidas e marcou um gol nesta temporada, na vitória de 3 a 2 sobre o Sintrense. Atualmente, o Alverca ocupa a terceira colocação na Série B. Os dois primeiros garantem sobem para a elite. A jornada dupla cria algumas situações curiosas, como ter de enfrentar o Sporting, justamente o time que a superatleta capixaba defende no rúgbi. “O Sporting joga a segunda divisão com um time B, que é um dos favoritos do campeonato. O mais engraçado é que, durante a semana, nos treinos do rúgbi no Sporting, às vezes divido o vestiário com as meninas do futebol. Digamos que o rúgbi e o futebol não se dão muito bem”, brinca. Thamara pensa em manter as atividades no futebol mesmo depois de abandonar o rúgbi. “No rúgbi eu tenho uma ajuda de custo, no futebol eu não tenho salário algum. Mas, por outro lado, o volume de jogos é menor (um ou dois confrontos por mês), então dá para levar com uma cobrança de dedicação menor”, afirma a camisa 9. O Alverca é um dos times mais tradicionais de Portugal e já teve no futebol masculino, nomes como Deco e Ricardo Carvalho, além de ter sido treinado por Jesualdo Ferreira, hoje técnico do Santos.

Várias modalidades na vida

Praticar mais de um esporte ao mesmo tempo não chega a ser uma novidade na vida de Thamara. Ainda em Vitória, ela já foi corredora, lutadora de jiu-jítsu e jogadora de handebol.

Thamara Rangel chegou a morar no Canadá para treinar na seleção brasileira de bobsled
Thamara Rangel chegou a morar no Canadá para treinar na seleção brasileira de bobsled |  Foto: Arquivo Pessoal
Também foi da seleção brasileira de rúgbi e chegou a morar no Canadá para treinar na seleção brasileira de bobsled, um tipo de trenó na neve. “Em qualquer esporte que envolva velocidade eu acabo me dando bem. Mesmo sem treino, eu sou mais rápida que a média. Ainda hoje, com 32 anos”, avalia. Mesmo na hora de buscar uma profissão fora das quatro linhas, a vida de Thamara segue conectada ao esporte. O convite inicial para morar em Portugal surgiu para trabalhar na área de esporte do setor da administração pública. “Trabalho em um órgão público, como se fosse no Brasil uma secretaria de esportes de uma prefeitura, só que aqui em Portugal chama de Junta de Freguesia. Atuo junto com o desenvolvimento do futsal nas comunidades”, explica.

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