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Espírito Santo adere campanha contra o assédio no Carnaval

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Espírito Santo adere campanha contra o assédio no Carnaval


 O coletivo é uma forma de unir e conectar cada vez mais mulheres por todo o Brasil. A ideia é distribuir as tatuagens temporárias sempre de forma gratuita, para que possamos atingir o máximo de mulheres possível. (Foto: Divulgação/Instagram/@naoenao_)
O coletivo é uma forma de unir e conectar cada vez mais mulheres por todo o Brasil. A ideia é distribuir as tatuagens temporárias sempre de forma gratuita, para que possamos atingir o máximo de mulheres possível. (Foto: Divulgação/Instagram/@naoenao_)
A campanha Não é Não contra o assédio no Carnaval, criada em 2017 por um coletivo de mulheres vai chegar, este ano, a 15 estados brasileiros, incluindo o Espírito Santo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Piauí e Paraíba, que participam pela primeira vez da ação.

O coletivo distribui tatuagens temporárias com os dizeres Não é Não, faz palestras e rodas de conversa para conscientização sobre o tema.

Em entrevista à Agência Brasil, a estilista Aisha Jacon, uma das criadoras da campanha, disse que o balanço da ação é positivo. “A gente vê uma adesão super expressiva e entende que o assunto tem de ser tratado. Há uma lacuna”, manifestou.

Campanha Não é Não! (Foto: Foto: Divulgação/Instagram/@naoenao_)
Campanha Não é Não! (Foto: Foto: Divulgação/Instagram/@naoenao_)
Em 2017, foram distribuídas 4 mil tatuagens; no ano passado, esse número evoluiu para 186 mil. Para o carnaval de 2020, a meta é produzir 200 mil tatuagens.

A nossa luta é por um mundo sem assédio. O nosso objetivo é que, um dia, a campanha pare de ser necessária e que o respeito a nós mulheres seja algo corriqueiro. Mas, até lá, nós precisamos continuar usando nossa voz e nossos corpos como outdoor da nossa luta. NÃO É NÃO não é apenas uma frase solta. É uma forma de unir e conectar cada vez mais mulheres por todo o Brasil. A nossa ideia é distribuir as nossas tatuagens temporárias sempre de forma gratuita, para que possamos atingir o máximo de mulheres possível. Para isso, precisamos da contribuição de todes. Acesse o site da Benfeitoria e contribua com a nossa campanha! Juntas somos mais fortes! #naoenao #campanha #benfeitoria #depoisdonaotudoeassedio

Uma publicação compartilhada por Não é Não! (@naoenao_) em 21 de Dez, 2019 às 3:58 PST

Aisha Jacob reconheceu, entretanto, que tudo vai depender da verba que for obtida por meio do financiamento coletivo, pelo site do coletivo. “É preciso que haja mais contribuições de pessoas físicas mesmo”.

Reação

 (Foto: Foto: Divulgação/Instagram/@naoenao_)
(Foto: Foto: Divulgação/Instagram/@naoenao_)
Indagada sobre a reação masculina à campanha, Aisha disse que tem de tudo, ”desde apoio, homem que acha incrível e contribui (financeiramente), como tem aqueles que incomodam bastante”.

Ela vê a campanha como um projeto de reeducação geral. “É fazer entender que assédio não é legal. É diferente de paquera. É um processo. Não vai ser do dia para a noite que a gente vai conseguir”.

Um dos projetos do coletivo que depende também de apoio financeiro para se expandir abrange a realização de palestras e rodas de conversa em escolas e universidades. Até o momento, as voluntárias do coletivo visitaram algumas escolas e faculdades em alguns estados.

“É o lugar que a gente mais gosta de estar como projeto”. Aisha mencionou o retorno que o projeto teve em uma escola em Niterói, região metropolitana do Rio de Janeiro, onde as alunas relataram terem sofrido uma situação de assédio, que levaram para a diretoria. “Elas conversaram com o menino e conseguiram fazer um movimento dentro da escola de forma diferente”.

Manifesto
No manifesto contra o assédio nos espaços públicos o coletivo de mulheres salienta: “O corpo é uma festa mas não é público! O corpo é nosso e não está disponível a quem queira. Não aceitamos nenhuma forma de assédio: seja visual, verbal ou física. Assédio não é elogio. Assédio é constrangimento. É violência! Defendemos nosso direito de ir e vir, de nos divertir, de trabalhar, de gozar, de se relacionar. De ser autêntica. Que todas as mulheres possam ser tudo aquilo que quiserem ser”.

O grupo se considera um escudo de proteção para as mulheres. “Criamos juntas um escudo, uma barreira de proteção e conexão. Formamos uma rede de apoio entre mulheres. Mais do que um recado para os homens, uma afirmação feminina do nosso desejo: podemos e vamos dizer não! É por isso que tatuamos nos nossos corpos: Não é Não! Por todas as mulheres que tiveram seus corpos violados, que sentiram medo de andar na rua, que tiveram vergonha, que sendo vítimas, se sentiram culpadas. Por todas as meninas que já nasceram ou irão nascer. Para que todas possam viver em um mundo com mais equidade de direitos e oportunidades. Por todas essas mulheres repetimos: Não é Não”.


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