Mais empatia, menos psicofobia
É o tema da campanha da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) para combate aos estigmas das doenças mentais
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Você sabe o que é empatia? Em linhas gerais, é a capacidade de se colocar no lugar do outro, e sentir o que o próximo sentiria, caso estivesse enfrentando a mesma situação vivida por outro indivíduo. Estar aberto para sentir o adoecimento do outro é extremamente difícil, mas, necessário, e pode salvar vidas. Por isso, em 2024, a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) traz a campanha “Mais empatia, menos psicofobia” para conscientização sobre e combate ao estigma que ainda envolve as doenças mentais.
O estigma carregado por pessoas com adoecimento mental é uma realidade infelizmente muito comum, mesmo com a abertura para discutir essas questões nos últimos anos. “Ainda há preconceito em relação a doenças mentais devido a estereótipos culturalmente enraizados. A conscientização e a empatia perante essas pessoas pode ajudar na busca por um tratamento, além do acolhimento proporcionado”, afirmou Lícia Colodete, psiquiatra e presidente da Associação Psiquiátrica do Espírito Santo (APES).
Ao levarmos em conta os números referentes ao crescimento dediagnósticos de doenças mentais, o cenário é alarmante. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 1 bilhão de pessoas possuem algum tipo de transtorno, representando 1% da população mundial. No Brasil, que é o 3º no ranking mundial, existem aproximadamente 11,5 milhões de brasileiros diagnosticados com depressão e 19 milhões com ansiedade.
Além disso, é preciso lembrar que algumas doenças mentais podem ser incapacitantes. Dados de 2023 do Ministério da Previdência Social mostram que foram concedidos, naquele ano, 288.865 benefícios em relação ao adoecimento mental, um aumento de 38% se comparado aos números de 2022.
Para a Dra Lícia Colodete, trazer o assunto à tona e discuti-lo comseriedade em todas as esferas da sociedade pode ser uma forma dediminuir esses números. “Quanto mais tempo a pessoa sofre nessas condições, mais degradante fica sua situação.
Saúde mental em foco durante reality
A última edição do Big Brother Brasil, que terminou na última terça-feira (16), chamou atenção para questões de saúde mental em duas situações que envolveram as “sisters” do programa.
A primeira aconteceu com a tiktoker Vanessa Lopes que, sentindo-se pressionada com o confinamento, acabou apertando o botão da desistência para sair da casa, abrindo mão dacompetição e do prêmio.
O episódio mais recente ocorreu durante a última eliminação. A participante Alane Dias, ao receber a notícia de que tinha sido a mais votada para sair do reality, teve uma reação inesperada, ficando visivelmente abalada, culpando-se pelo resultado. A sister chegou a bater no próprio rosto algumas vezes, repetindo a frase “Sou péssima” algumas vezes.
Seus colegas de programa correram para socorrê-la,tentando acalmar a situação. Em ambos os casos, boa parte do público que acompanha o reality classificou a reação das duas como histeria e fraqueza. Inclusive, muitos portais de notícia se comportaram da mesma forma.
“A empatia é justamente o que falta no olhar dessas pessoas, que se colocam no lugar de julgadoras. A atitude das participantes mostra que provavelmente há algum tipo de adoecimento mental envolvido, como ansiedade, depressão, ataques de pânico, frustração ou autocobrança exagerada”, afirmou o psiquiatra Valdir Campos.
““Quanto mais cedo o paciente procura ajuda, melhor. Sinais ignorados podem ter consequências sérias” , Letícia Mameri, psiquiatra
““É importante atividade física regular, ter momentos de lazer, evitar álcool, nicotina e drogas” , José Luis Leal de Oliveira, psiquiatra
““Há preconceito em relação a doenças mentais devido a estereótipos enraizados” , Lícia Colodete, psiquiatra e pres. Apes
““A empatia é justamente o que falta no olhar dessas pessoas, que se colocam no lugar de julgadoras” , Valdir Campos, psiquiatra
Maioria dos transtornos mentais tem tratamento
A maioria dos transtornos mentais têm tratamento, e se diagnosticados de forma precoce e assertiva, pode ser vital para a manutenção da atividade produtiva desse indivíduo. “Quanto mais cedo o paciente procura ajuda, melhor. Sinais de alerta ignorados podem ter consequências muito sérias, como o suicídio”, afirmou a psiquiatra Letícia Mameri.
O psiquiatra José Luis Leal de Oliveira lembra que, além do acompanhamento médico e apoio daqueles mais próximos, é essencial que o paciente cuide de sua saúde em todos os aspectos. “É muito importante atividade física regular, ter lazer, evitar álcool, nicotina e drogas, dormir bem, convívio social e alimentação saudável”, orienta.
Saiba Mais
Mais de 1 bilhão de pessoas em todo o mundo enfrentam doenças mentais - 10% da população global.
Em 2023, foram concedidos 288.865 benefícios por incapacidade devido a transtornos mentais no Brasil, um aumento de 38% em relação a 2022.
O Brasil ocupa o 3º lugar no ranking mundial de doenças mentais. Na América Latina, o Brasil lidera o número de casos, com 11,5 milhões de brasileiros diagnosticados com depressão e 19 milhões com ansiedade;
houve aumento de 30% de suicídio entre os jovens nos últimos anos;
As doenças mais diagnosticadas são a depressão, transtorno de humor, transtorno de déficit de atenção, transtornos de personalidade, ansiedade, que podem afetar crianças, jovens, adultos e idosos.
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