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Pacientes não buscam ajuda e vivem em média 7 anos com depressão

Estudo revela que brasileiro leva mais de 3 anos para buscar ajuda profissional e que diagnóstico tardio atrapalha o tratamento

Francine Spinassé, do jornal A Tribuna | 28/07/2022 14:00 h

Estudo revela que brasileiro leva  mais 
de 3 anos para buscar ajuda profissional e que diagnóstico tardio atrapalha o tratamento
Estudo revela que brasileiro leva mais de 3 anos para buscar ajuda profissional e que diagnóstico tardio atrapalha o tratamento |  Foto: A Tribuna
 

Considerada pela Organização Mundial da Saúde como o “mal do século 21”, a depressão nem sempre tem sido percebida como uma doença que precisa de tratamentos, como outras. 

Segundo levantamento do Instituto Ipsos, realizado a pedido da farmacêutica Janssen,  o brasileiro leva  mais de três anos para buscar ajuda. A consequência é que, com diagnósticos tardios, eles convivem, em média, por sete anos e dois meses com a doença. 

O médico psiquiatra Valber Dias explicou que o tempo de tratamento feito corretamente varia de  um a três anos. “Já os sintomas melhoram em poucos meses. Mesmo assim, é preciso manter o tratamento por mais tempo”.

Ele reforçou que a  demora pela  busca por diagnóstico é uma realidade. “Metade das pessoas com depressão nem mesmo busca tratamento. E a metade das pessoas que busca, não faz o tratamento direito, como deveria”.

Valber Dias alertou para a necessidade das pessoas observarem alguns sintomas-chave como  tristeza, perda de interesse pelas coisas que gosta e falta de energia para tocar as atividades cotidianas.

A médica psiquiatra Janine Moscon enfatizou que entre os motivos que levam as pessoas a demorarem a buscar  diagnóstico e tratamento está a  dificuldade em associar os sintomas com a doença. 

“Nem todo mundo que tem depressão está na cama chorando. Além disso, há  preconceito das pessoas, seja do próprio doente ou do familiar,  que acham que depressão é falta de Deus, falta de fé ou falta do que fazer”.

Ela frisou que, quanto mais cedo o diagnóstico e o tratamento, maiores as chances de cura. “No entanto, a depressão tende a ser uma doença  crônica e recorrente. Após um episódio, mesmo que tratado,  há a chance de 50% de um novo episódio.”

Segundo a médica, o tratamento envolve medicações, terapia, procedimentos de neuromodulacão, como a Estimulação Magnética Transcraniana, e mudanças no estilo de vida.

“Tinha medo de tudo”, diz dona de casa

Durante sete anos, a  dona de casa Ana Luiza Nunes, de 69 anos, conviveu com uma  depressão severa, que a fez perder muito peso.
Durante sete anos, a dona de casa Ana Luiza Nunes, de 69 anos, conviveu com uma depressão severa, que a fez perder muito peso. |  Foto: Leone Iglesias/AT
 

Durante sete anos, a  dona de casa Ana Luiza Nunes, de 69 anos, conviveu com uma  depressão severa, que a fez perder muito peso. “Tinha dificuldade de comer. Cheguei a pesar  27 quilos”.  

Ela contou que o quadro começou em 2004, após  uma queda, com fratura na  bacia. “Na época eu coloquei na minha cabeça que não andaria mais. Comecei a ficar com medo e tristeza”, contou. 

Segundo ela, uma série de outros problemas apareceram e ela chegou a ter medo até mesmo de comer alguns tipos de alimentos e   entrar debaixo d'água. “Tinha medo de tudo”.  

A depressão, segundo ela, durou  até 2011 e foi superada com tratamentos para alguns problemas, além de  muita fé e força de vontade.

Doença dobra entre jovens após pandemia da covid-19

A depressão tem atingido em cheio também os mais jovens. Uma pesquisa mostrou que, após a pandemia, o percentual de jovens entre 18 e 24 anos com a doença chegou a mais que dobrar na região Sudeste.

Uma publicação do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), divulgada ontem, apresentou recortes por  regiões dos  resultados do Covitel, Inquérito Telefônico de Fatores de Risco para Doenças Crônicas não Transmissíveis em Tempos de Pandemia.

O levantamento compara o período antes da pandemia com o primeiro trimestre de 2022, quando o cenário  apresentou melhora. 

O levantamento aponta que antes da pandemia, na faixa etária de 18 a 24 anos, a prevalência da depressão era de 7,6% dos entrevistados. Este ano,  passou para 19,2%. 

Já com relação ao sexo, o  percentual de mulheres com depressão no Sudeste  passou de 13,3%, antes da pandemia, para 20,6%, após o período. Já os homens passaram de 6,1% para 9%.

A psiquiatra e coordenadora da comissão de Psiquiatria do Trabalho da Associação Brasileira de Psiquiatria, Letícia Mameri,  enfatizou a necessidade de lidar com o estigma da doença, que faz com que  pessoas deixem de buscar ajuda médica. 

“A remissão da doença é possível,  principalmente, com tratamento precoce. Quanto antes se procura o tratamento adequado, maior a chance de remissão”.


SAIBA MAIS

Pesquisa

- O levantamento realizado pelo Instituto Ipsos, a pedido da empresa farmacêutica Janssen,  ouviu 800 pessoas com ou sem relação com a depressão de 11 estados brasileiros.

- 3 anos e 3 meses

- É o tempo médio que as pessoas com depressão levam  para buscar tratamento.

Por que a demora

- 18% disseram que a demora foi por falta de consciência de se tratar de uma doença.

- 13% por medo do julgamento, da reação dos outros ou vergonha. 

Como superar

- 36% acreditam que, para superar a doença, é preciso força de vontade.

- 35% acham que a enfermidade não pode ser tratada com medicamento. 

- 10% acreditam que a depressão é uma doença com base biológica.

Fonte: Agência Brasil.

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