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Dom Décio: “A religiosidade capixaba ganhou mais força”

Bispo emérito da Diocese de Colatina, fala sobre o legado dos imigrantes na religião



Imagem ilustrativa da imagem Dom Décio: “A religiosidade capixaba ganhou mais força”
Dom Décio Zandonade disse que na infância, em Venda Nova do Imigrante, falava um dialeto italiano em casa |  Foto: Fábio Nunes / AT

“Os imigrantes de diferentes nacionalidades contribuíram para a formação sociocultural do Espírito Santo. Os portugueses, por exemplo, nos deixaram a forte vocação para o comércio.

Os alemães, por outro lado, nos deixaram a diversificação da agricultura. Em maioria, os italianos ajudaram a moldar a identidade capixaba.

As contribuições são vistas hoje na gastronomia, na arquitetura e na língua, por exemplo. Há, ainda, uma influência evidente de Norte a Sul do Estado: os italianos fortaleceram a religiosidade capixaba.

Eu diria que a imigração italiana foi quase que a principal força para a nossa religiosidade, porque o que movia esses italianos era a fé. Se eles não tivessem uma fé corajosa e fortificada, teriam desistido, dadas as dificuldades da imigração. Muito dessa fé esteve presente na minha infância, em Venda Nova do Imigrante.

Infância

Minha avó Rosa Caliman nasceu na Itália e veio para o Brasil quando ainda era bebê, com 1 ano. Já meu avô, Liberal Zandonadi, era filho de italianos e foi a primeira geração da família Zandonadi a nascer no Brasil.

Em casa, lá em Venda Nova do Imigrante, meus irmãos e eu passamos a infância falando um dialeto italiano.

Minha família é da região de Vêneto, no norte da Itália, e veio para o Espírito Santo em 1877, fugindo, principalmente, da crise sanitária e econômica naquela região. Eles foram estimulados a vir ao Brasil por conta do acolhimento aos imigrantes e com o sonho de construir melhores condições de vida.

Quando chegaram, meus antepassados foram para Alfredo Chaves e por lá ficaram quase 10 anos. Como as terras não eram produtivas, contudo, eles procuraram outro lugar e, assim, optaram por Venda Nova do Imigrante.

Lá, a terra é muito boa. Tanto que, ao longo dos anos, chegaram mais e mais famílias italianas em toda aquela região. O clima da cidade era de solidariedade, de fraternidade, de ajuda mútua e de fazer com que o estilo de cooperação econômica crescesse durante toda a estadia.

Religiosidade e cultura

A influência italiana na nossa religiosidade é tanta que nossas festividades, por exemplo, refletem as raízes dos nossos antepassados. São Marcos e Nossa Senhora da Saúde, por exemplo, são devoções que vieram do Vêneto. A Basílica de Santa Maria della Salute, em Veneza, foi erguida após uma pandemia.

Quando os imigrantes do Vêneto vieram ao Brasil, eles trouxeram um quadro de Nossa Senhora da Saúde que até hoje está na igrejinha do Santuário de Nossa Senhora da Saúde, aqui em Ibiraçu.

A marca da colonização italiana é forte em todo o Estado, na verdade. A vontade de trabalhar, a fé, o desejo por construir famílias verdadeiramente fraternas, a prosperidade, a cooperação e a vocação para as festividades demonstram isso.

Os italianos amam festejar, comer e beber. Temos, por exemplo, as festas do Panevino, da Polenta, da Uva e do Vinho e do Morango, por exemplo. Nós herdamos isso, mesmo que, às vezes, esqueçamos a origem.

Vivemos em uma tendência de esquecimento das nossas raízes, e isso precisa mudar. Meu pai, por exemplo, escreveu quatro livros sobre a imigração italiana para o Espírito Santo. É importante lembrarmos da formação do nosso povo, que tem forte influência não só dos italianos, mas também dos portugueses, dos alemães, dos poloneses, dos africanos e dos povos indígenas.

Nossas primeiras raízes são de povos indígenas e dos portugueses, assim como em todo o Brasil. Em regiões do Estado, os pomeranos, por exemplo, influenciaram completamente o modo de vida, a língua e a cultura. Os povos africanos também influenciaram nossa música, comida e língua, por exemplo.

Essa memória histórica é um patrimônio. Nós somos como uma árvore: se não fincarmos os pés em nossas raízes, não iremos florescer. Iremos, na verdade, cair e morrer. Só saberemos quem somos, só entenderemos nossa identidade e só saberemos para onde ir quando tivermos consciência da nossa formação”.

Depoimento ao repórter Jonathas Gomes.

Para ler esta reportagem em Italiano, clique aqui


Imagem ilustrativa da imagem Dom Décio: “A religiosidade capixaba ganhou mais força”
Família de Dom Décio: clima em Venda Nova era de solidariedade, de fraternidade e de ajuda mútua |  Foto: Arquivo Pessoal

Quem é

- Dom Décio Sossai Zandonade, de 81 anos, é bispo emérito da Diocese de Colatina.

- Reconhecido por ser um pastor sensível e próximo de seu rebanho, dom Décio trabalhou para intensificar a atuação das pastorais sociais, bem como das comunidades eclesiais.

- De origem italiana, dom Décio Zandonade nasceu em Venda Nova do Imigrante e é neto de italianos. Na entrevista, o bispo emérito da Diocese de Colatina conta sobre a influência da imigração italiana na religiosidade e na cultura do Espírito Santo.


Imagem ilustrativa da imagem Dom Décio: “A religiosidade capixaba ganhou mais força”
Família de Dom Décio: clima em Venda Nova era de solidariedade, de fraternidade e de ajuda mútua |  Foto: Arquivo Pessoal


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Navio Colombo, que trouxe a família de dom Décio ao Brasil |  Foto: Arquivo Pessoal


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Meu pai, por exemplo, escreveu quatro livros sobre a imigração italiana para o Espírito Santo. É importante lembrarmos da formação do nosso povo |  Foto: Arquivo Pessoal


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Santuário de Nossa Senhora da Saúde, em Ibiraçu |  Foto: Arquivo Pessoal

História

- Dom Décio Sossai Zandonade nasceu em Venda Nova do Imigrante. Em 1952, entrou para o Seminário Aspirantado Salesiano de Jaciguá, localizado onde é hoje o município de Vargem Alta (ES).

- Em 1958, deu continuidade aos seus estudos em São João Del Rei, Minas, onde concluiu o ensino médio. Em 1960, entrou para a Congregação Salesiana e, sete anos mais tarde, fez sua profissão religiosa perpétua. Foi ordenado sacerdote em 16 de dezembro de 1972, em sua cidade natal.

- Cursou Letras na Faculdade Dom Bosco, em São João Del Rei, e estudou Teologia em Córdoba, Argentina, e no Instituto de Teologia da Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Belo Horizonte (MG). Antes do Episcopado, foi diretor do Seminário de Jaciguá (ES), auxiliar do Noviciado Salesiano de Barbacena (MG) e inspetor da Inspetoria São João Bosco (MG), que abrange as obras Salesianas do Distrito Federal e dos estados de Minas Gerais, Espírito Santo, Goiás e Rio de Janeiro. Em 1991, tornou-se diretor do Sistema Salesiano de Vídeo-Comunicação.

- O Papa João Paulo II o transferiu para a Diocese de Colatina no dia 14 de maio de 2003. Em 11 anos de intenso trabalho, dom Décio apoia a criação de oito novas paróquias e a valorização do Santuário Diocesano Nossa Senhora da Saúde, em Ibiraçu.

Fonte: Diocese de Colatina.


Imagem ilustrativa da imagem Dom Décio: “A religiosidade capixaba ganhou mais força”
Dom Décio foi transferido para a Diocese de Colatina no dia 14 de maio de 2003 |  Foto: Fábio Nunes / AT

Celebração!

Nos próximos dias, “O Que Eu Vi e Vivi” abre uma página na história dos 150 anos da imigração italiana no Espírito Santo e apresenta personalidades que viveram ou ouviram relatos de seus antepassados.

São histórias de vidas, culturas, tradições e desenvolvimento. A Rede Tribuna se sente honrada em fazer parte dessa trajetória, auxiliando na preservação e na propagação de nossa memória.

O projeto 150 Anos da Imigração Italiana no Espírito Santo levará ao público um riquíssimo conteúdo, com informações sobre a chegada dos imigrantes italianos em solo capixaba.

Serão exibidos vídeos na TV Tribuna/ SBT, matérias no jornal A Tribuna, webséries no portal Tribuna Online e nas rádios Tribuna FM e Legal FM.

Acompanhe esta envolvente jornada pelas raízes italianas no Espírito Santo.

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