Enviada especial
Folha de São Paulo
Mesmo sem qualquer capacitação técnica ou responsabilidade formal por assuntos da Saúde, Damares Alves (Direitos Humanos) pegou um avião às 5h da manhã da última quinta-feira para Floriano (PI), a 240 km de Teresina. O motivo: a fixação de Jair Bolsonaro pela cloroquina.
O medicamento foi ministrado a pacientes da cidade na fase inicial. O coordenador técnico do hospital regional, Justino Moreira, afirmou, porém, que é “fake” atribuir ao remédio o êxito no resultado de 20 pacientes.
Bula
O diferencial, diz ele, é a prescrição de corticoide e anticoagulante em pacientes que chegam à internação, evitando a UTI.
Prática
“Antes, a gente usava só a cloroquina na segunda fase (de internação), não adiantava, não. A pessoa evoluía mal e morria. Possivelmente, não é a cloroquina a responsável pelo resultado. Na fase grave, ela é insignificante, mas talvez na fase precoce ajude o organismo a se defender”, afirma Moreira.
Ímã
“O tratamento é efetivo, porque o paciente melhora rápido. Mas não é a cloroquina que está resolvendo o problema, isso é fake. Na verdade pegaram uma parte do protocolo e disseram que é a cloroquina, mas não é”, diz o médico. O hospital tem recebido pacientes do Maranhão e do Pará.
Porta-voz
Na visita, Damares defendeu enfaticamente o medicamento: “O que mais querem? Que um anjo desça do céu para dizer que o remédio dá certo?”, disse a ministra.
Ghost writer
Nelson Teich havia terceirizado a função de publicar mensagens nas redes sociais à sua mulher, a socialite Danny Teich. Ele não possuía conta no Twitter, rede que concentra grande número de apoiadores do Presidente, e criou uma assim que assumiu o posto.
Indireta
Na terça-feira, quando o ministro sofria pressão de Bolsonaro e seguidores para ampliar a aplicação de cloroquina para quadros leves, seu perfil no Twitter publicou mensagem lembrando se tratar de medicamento com efeitos colaterais. E ressaltou que os estudos do ministério avaliam outros dez medicamentos.
Erros
Sobre a decisão da executiva do PT de ingressar com pedido de impeachment de Bolsonaro, o ex-prefeito Fernando Haddad afirma que, em sua opinião, há dois crimes: a afronta aos Poderes e a interferência na PF para proteger familiares e aliados.
Encontro
Uma das cotadas para assumir o Ministério da Saúde, a médica Nise Yamaguchi teve reunião com o presidente Jair Bolsonaro ontem, no Planalto, e levou sua irmã, Naomi, militante bolsonarista, como companhia. Nise é a principal médica a defender o uso de cloroquina para quadros leves.
Papo
Ao Painel, Naomi diz que não houve convite ou mesmo aceno do Presidente à sua irmã. “Zero, zero, zero”, afirma. Elas também participaram de encontro com a ministra Damares Alves, que nos últimos dias passou a balançar a bandeira da cloroquina hasteada por Bolsonaro.
Não
A proposta do Ministério da Justiça de usar contêineres para abrigar presos contaminados pelo coronavírus foi barrada pelo Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária (CNPCP) e, dessa forma, não será levada adiante. Os conselheiros vetaram a proposta por unanimidade.
Capivara
A ideia foi criticada por órgãos como o Ministério Público Federal, a Defensoria Pública da União e a OAB, que lembraram do histórico negativo de encarceramento em contêineres, com presos aglomerados, sem ventilação e submetidos a altas temperaturas.
Fake
Frederick Wassef, advogado ligado à família Bolsonaro, foi citado no relatório da segunda investigação da facada entre aqueles que espalharam conspirações ao longo do inquérito. O delegado Rodrigo Morais narra o episódio em que ele apareceu em programa de TV para apresentar o que seria um suposto furo jornalístico, na última segunda-feira.
Desmentido
Na ocasião, Wassef disse ter ouvido de uma testemunha que o PT estaria por trás da tentativa de assassinato do então candidato a presidente. No documento, a Polícia Federal afirma que sabe de quem ele estaria falando, diz que já ouviu a pessoa e desconstrói a teoria.
Tiroteio
“Dois ministros, em tão pouco tempo, geram instabilidade e pode gerar um caos maior ainda.”
Do governador do Piauí, Wellington Dias (PT), sobre a saída do ministros Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich.
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Painel,por Folha de São Paulo