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Entretenimento

Vida nova em estilo mais acelerado

11/10/2021 17:13:01 min. de leitura

Quem nunca acelerou ou ficou tentado a aumentar a velocidade daquele áudio no WhatsApp, do vídeo no YouTube ou de série ou filme? O recurso tem causado alvoroço e dividido opiniões de usuários e especialistas.

“Não perder tempo” foi o principal motivo relatado pelos entrevistados do AT2 ao serem perguntados sobre o porquê de não ouvir ou ver as mídias na velocidade normal. Para psicólogas, esse comportamento, que já se tornou corriqueiro, faz parte da realidade frenética vivida pelos brasileiros.

Segundo pesquisa publicada em 2020 pela Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil é líder no ranking de países com mais pessoas com transtornos de ansiedade.

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As amigas Isabela Oliveira, 24, e Juliana Barbosa, 27 (na foto, com o cachorro), revelaram que não têm muita paciência para escutar áudios de WhatsApp em sua velocidade normal Foto: Leone Iglesias/ AT

E toda essa pressa pode se tornar um gatilho para a ansiedade, pois as pessoas criaram um senso de urgência em absorver mais e em pouco tempo. E há o risco de se tornar impacientes nos contatos reais.

“A tendência é deixar a mente ainda mais acelerada. Já convivíamos com a Síndrome do Pensamento Acelerado antes desses recursos existirem, imagina após o uso contínuo dos mesmos?! Todo ato feito repetidas vezes tem a tendência de virar um hábito”, explica a psicóloga Flávia de Freitas.

Empatia

Ouvir áudios de forma acelerada pode ser sinal de falta de empatia? A psicóloga Daniela de Oliveira diz que essa atitude pode não ser uma indiferença de quem ouve com quem enviou o áudio, mas a outra pessoa pode pensar de forma negativa. “Não sei se é uma falta de empatia ou se causa essa impressão, mas, quando vemos ou ouvimos as coisas de uma maneira acelerada, as chances de sermos empáticos é muito menor, pois não conseguimos identificar a tonalidade de voz e a emoção da fala”, destaca.

Para a psicóloga e terapeuta Ana Gabriela Andriani, essa fala acelerada se torna mecânica e pode ser usada como ferramenta de trabalho, mas é preciso cuidado ao utilizar esse recurso em todos os momentos. “Quando isso se torna constante, nos impede de viver a experiência”, ressalta.

Reflexo da atualidade

As amigas Isabela Oliveira, 24, e Juliana Barbosa, 27 (na foto, com o cachorro), revelaram que não têm muita paciência para escutar áudios de WhatsApp em sua velocidade normal.

“É uma ferramenta que condiz muito com a nossa atualidade: muito trabalho e pouco tempo. Trabalho com atendimento via WhatsApp, e, quando o cliente mandava aquele áudio de 50 segundos, eu já ficava doida. Agora, rapidinho, já ouço e respondo”, diz Juliana.

Para Isabela, que diz ser uma pessoa ansiosa, essa ferramenta é muito útil, inclusive para assistir a vídeos. “Pulo para parte que mais me interessa”.

Contra enrolação

A pedagoga Melissa Tristão, 26, e seu marido, o tatuador Rodrigo Viana, 23, acham vantajosa a ferramenta para acelerar áudios e vídeos.

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A pedagoga Melissa Tristão, 26, e seu marido, o tatuador Rodrigo Viana, 23, acham vantajosa a ferramenta para acelerar áudios e vídeos Foto: Acervo pessoal
“Eu gosto de mandar áudio, conto tudo nos mínimos detalhes, porém sou bem objetiva! Mas, para ouvir, eu acelero, porque, às vezes, a pessoa enrola um pouco, então já me adianto”, conta Melissa.

Já Rodrigo acredita que essa atitude seja um caminho sem volta. “Às vezes, assistindo a alguns vídeos, parece que estão tentando nos enrolar e isso me irrita um pouco. Então, acabo acelerando Já tentei perder o costume, mas não consigo”, afirma.

Pouca paciência

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Tal mãe, tal filho. Letícia Carvalho, 43, e seu filho Daniel Carvalho, 19, costumam ter pouca paciência quando o assunto é áudio recebido Foto: Acervo pessoal
Tal mãe, tal filho. Letícia Carvalho, 43, e seu filho Daniel Carvalho, 19, costumam ter pouca paciência quando o assunto é áudio recebido.

“Acelero porque não tenho paciência para áudio. Prefiro mensagem escrita. Não gosto nem de ligação”, diz Daniel.
Já Letícia confessa que, alguns áudios, ela nem ouve por inteiro, porque, na maioria das vezes, já sabe do assunto que está sendo falado. E não para por aí. Nem os vídeos escapam de serem adiantados.

“Acelero vídeos de amigos na balada. Começo a ver, já vou para a metade, e pulo para o final”, cita.