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Sobrevivente de tragédia com time de futebol vira cantor

| 05/10/2020 14:09 h | Atualizado em 05/10/2020, 14:40

Jakson Follmann, 28, ganhou uma nova vida há quase quatro anos, quando era goleiro da Chapecoense. Ele é um dos seis sobreviventes da queda do voo LaMia 2933 na Colômbia, que matou 71 pessoas, sendo considerada a maior tragédia aérea do futebol mundial.

Foram 56 dias hospitalizado. Por conta do acidente, o gaúcho teve 13 fraturas pelo corpo e precisou amputar parte da perna direita, situação que o levou a uma aposentadoria precoce dos campos. Mas desistir nunca foi uma opção para o jovem, e ele enxergou ali a oportunidade de realizar um antigo desejo.

Jakson Follmann, ex-goleiro da Chapecoense, virou cantor
Jakson Follmann, ex-goleiro da Chapecoense, virou cantor |  Foto: Divulgação
“Sempre tive esses dois grandes sonhos: ser jogador de futebol e cantor. Consegui realizar o primeiro e quis o destino que eu pudesse agora dar os primeiros passos como cantor. Fico muito feliz e estou motivado a seguir nessa caminhada que é longa”, revela ao AT2.

Sua primeira experiência musical com repercussão nacional foi no ano passado em um reality show de TV, de onde Follmann saiu vencedor. “Minha participação no programa 'Popstar' me trouxe uma emoção muito grande, um friozinho na barriga muito parecido com o que sentia quando entrava nos gramados”, lembra.

Agora, o ex-goleiro se prepara para lançar seu 1º EP, intitulado “Prosa & Viola”, com 3 músicas inéditas e 2 regravações. O carro-chefe do trabalho é “Dois Passarinhos”, cujo clipe contou com a participação da mulher, Andressa Perkovski, e do filho, Joaquim, de 8 meses.

“São canções com as quais me identifico bastante. Parece que conta até a minha própria história dentro delas”, salienta ele, que lançou oficialmente a carreira musical durante live no fim de agosto.

Aliás, a música foi uma grande aliada durante o tempo em que esteve hospitalizado. “Ela foi fundamental para a minha recuperação, tanto que o repertório do show do projeto, que será levado a teatros a partir do ano que vem, é 80% de música e 20% de prosa. E, nessa conversa, falo das músicas que fizeram a diferença na minha reabilitação. São canções que fizeram e fazem parte da minha vida, tanto na felicidade quanto na dificuldade.”

“O dia de amanhã realmente pertence a Deus”

AT2 - Quando sentiu que a música era um caminho possível?
Jakson Follmann - Sempre fui um cara apaixonado por música e, nesta quarentena, fui me aprofundando ainda mais, trabalhando a minha voz. Acabei gravando meu EP, na minha casa mesmo, e o Ricardo Gama, que é o produtor do nosso projeto, me gravava do meu próprio computador.

Mas a música sempre fez parte da minha história. Sempre estive com meu violão nos clubes por onde eu passei, procurava cantar nas confraternizações...

Você tem uma história de superação. Quer emocionar com a sua música?
Como sou apaixonado pela música, canto com a alma, com o coração. Então, com certeza, quero trazer muita superação, muita verdade nessas músicas. A melodia também é a que eu gosto, que eu me identifico, que são músicas sertanejas mais de raiz, de interior.

Qual é o significado que a vida tem para você hoje?
Sou um cara que valoriza muito as coisas simples da vida. Não que antes eu não valorizasse, mas, depois de tudo que aconteceu, acabei dando uma importância muito maior para as coisas simples, do dia a dia. Um simples fato de você calçar um sapato fechado, de você poder abraçar seus familiares em pé.

Meu maior sonho depois de tudo isso era ficar em pé, poder abraçar meus familiares e dar os primeiros passos. Então, são coisas que valorizo bastante hoje. Sou um cara muito agradecido pela segunda oportunidade de viver, por essa segunda chance, e vivo muito o dia de hoje. O dia de amanhã realmente pertence a Deus e senti isso na pele.

Como foi a reabilitação?
Foi muito lenta. Sofri 13 fraturas pelo corpo, então tive que entender todas as lesões para depois dar um passo de cada vez. Fiquei 56 dias hospitalizado, o último a ter alta, então, fui vivendo um dia de cada vez e, quando tive alta, coloquei a prótese. Tive que respeitar bastante tudo isso e saber que as coisas não aconteceriam para ontem. Estava ciente de que colocaria a prótese e não ia sair andando, tive que reaprender a caminhar.

Hoje, falo com muita tranquilidade sobre esse processo porque trabalhei muito o meu psicológico para poder encarar o mundo e as dificuldades, que foram e são grandes. Mas procuro sempre estar com pensamentos positivos, sorriso no rosto. Esse é o Jakson Follmann! E é assim que sigo a vida: sempre olhando pra frente!

Jakson Follmann, ex-goleiro da Chapecoense, com a família
Jakson Follmann, ex-goleiro da Chapecoense, com a família |  Foto: Divulgação

O QUE ELE DIZ


Apoio de astros

“Tenho recebido apoio de muitos cantores, não só de sertanejos. E, nesse primeiro EP, tem duas músicas inéditas com participações. Uma que se chama 'Bola', com César Menotti, e a outra é 'Nega', com colaboração de Guilherme e Santiago. Estamos ansiosos para ver como as pessoas vão receber esse trabalho”, diz Jakson Follmann ao AT2.

Ensinamento
“O grande ensinamento de tudo que passei é que temos que viver muito o dia de hoje. A gente quer fazer planos, pensar só em trabalho, em bem materiais... Mas a nossa vida está aí para ser vivida da melhor maneira possível, junto das pessoas que a gente mais ama e a gente precisa aproveitar muito tudo isso.”

“Sempre fui um cara de fé”
“Sempre fui um cara de muita fé, minha família também. E a força, sem sombra de dúvidas, vem de Deus. Mas meus familiares e minha mulher sempre me deram muito apoio. Somos unidos e nos apegamos ainda mais. Graças a Deus, conseguimos vencer mais esse grande desafio da vida”, afirma.

Medos
“Medo? (Risos) A gente tem! Tenho alguns medos, e um deles é de voar. Se eu falar que não tenho medo de entrar num avião, vou estar mentindo. É uma necessidade e eu procuro, quando entro dentro da aeronave, fazer a minha oração, peço para que Deus nos proteja. Também tenho algumas manias, procuro não voar à noite”, revela o cantor.

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