Silva: “Vencer a timidez talvez seja minha maior conquista”
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Para quem no início da carreira, lá em 2011, só queria lançar um EP na internet, o cantor, compositor e multi-instrumentista capixaba Silva, 33, pode dizer que superou suas próprias expectativas.
Sua paixão pela música não só o permitiu viver dessa arte, como também o levou, em pouco tempo, para palcos distantes, com plateias lotadas, e a cantar ao lado de seus ídolos. Situações que, por vezes, o deixavam acanhado.
“Experiência é uma coisa importante em qualquer carreira e, quando comecei, não tinha nenhuma como cantor, puxando um show. Essa falta de experiência me deixava bastante tímido e, com o tempo, fui vencendo isso e ficando mais à vontade na frente de tanta gente. Vencer a timidez talvez tenha sido minha maior conquista”, diz ao AT2.
“De Lá Até Aqui”, título de seu novo álbum, passaram-se dez anos. Uma década que, através desse disco, é comemorada com releituras de canções de diferentes fases do artista e com a inédita “Pra Te Dizer que Tô Feliz Assim”.
O trabalho também vem em vídeo, com todas as faixas ganhando um registro diferente. As gravações foram realizadas na casa que Silva construiu com seu irmão Lucas, na Região Serrana do Estado.
Confira o vídeo da inédita “Pra Te Dizer que Tô Feliz Assim”:
Silva - cantor e compositor “Minha música foi que guiou meu destino”
AT2: Como avalia sua trajetória até aqui? Não foi um caminho reto, como canta em “Pra Te Dizer que Tô Feliz Assim”, única inédita do novo disco?
Silva: Desde que lancei meu 1º EP, em 2011, passei por muitas fases. Muitos desafios que me fizeram crescer como músico e pessoa. Quando digo que não foi um caminho reto, é porque não planejei como isso tudo aconteceria. Minha música foi que guiou meu destino e hoje estou aqui, vivendo dela e por ela.
Mas sonhava com todo esse reconhecimento?
Sonhava com isso, não posso mentir, mas era algo distante pra mim. Era algo que eu não esperava que acontecesse tão cedo, mas fico feliz com a velocidade com que as coisas aconteceram, de um jeito que tive a chance de aprender enquanto faço. Nem todo mundo tem essa chance e me sinto muito grato por isso.
Quais foram os momentos mais marcantes nesses 10 anos de carreira?
Tocar fora do Brasil pela primeira vez, em Lisboa, foi um momento bem marcante para mim. Acho que foi em 2013. Foi surreal ver a Estação do Rossio lotada para meu show e as pessoas cantando minhas músicas.
Gravar com João Donato foi, certamente, um dos momentos mais emocionantes para mim até hoje. Ele é um dos meus maiores ídolos da vida. E tocar no Rock In Rio com Lulu Santos, antes da pandemia, foi um momento também muito marcante.
Como se sente sendo um dos cantores capixabas de maior destaque nacional?
Me sinto lisonjeado e privilegiado por isso. Amo demais a minha terra, os amigos que tenho aqui e minha família. Acho que sou fruto do amor que recebi e recebo aqui.
Em que momento percebeu que tinha conquistado o seu espaço na música nacional?
Quando vi que os jornalistas musicais que gostava de ler lá no início começaram a falar sobre mim e minha música. Foi quando pensei: “Agora já era, é isso”.
Há espaço para arrependimentos e reconhecimento de erros nessa primeira década?
Acredito que sim. Sou muito autocrítico, mas tento levar isso de uma forma mais leve.
E o que aprendeu?
A coisa mais legal que aprendi, e ainda acredito que estou aprendendo, foi curtir o processo. Não ficar muito ansioso com o futuro e focar no que eu posso fazer de melhor no presente.
Por que celebrar os 10 anos de carreira com um disco marcado por regravações?
É uma forma de olhar para minha própria trajetória e para o repertório que construí até aqui com carinho.
Hoje vivo da minha música, e apenas dela. Achei que seria o melhor para celebrar 10 anos de trabalho duro.
Como foi a seleção do repertório que seria regravado?
Selecionei uma música de cada álbum e, como sempre, é bem difícil escolher apenas uma. Dei prioridade às canções que soariam melhor com um acompanhamento mais simples. Aquelas composições que funcionam bem de qualquer jeito, sem depender de um arranjo complexo.
Como se sente ao trazer, em muitas dessas releituras, instrumentos que fizeram parte da sua história, inclusive como músico erudito?
Foi muito bom tirar as teias de aranha do meu violino. É o instrumento a que mais me dediquei na vida, mas já não tocava há um bom tempo.
É um projeto audiovisual gravado em sua nova casa, nas montanhas do Espírito Santo. Tem sido seu novo canto? A estética P&B dos vídeos tem a ver com o cenário escolhido?
A casa ficou pronta este ano e fico muito feliz de poder ter um canto para ficar em paz e compor, para estar com minha família e colocar a cabeça no lugar.
A estética P&B sempre me agradou muito, e achei que combinaria com esse projeto. Ela traz uma unidade para os diferentes cenários.
Como se imagina nos próximos 10 anos?
Espero que esteja tocando violão melhor do que hoje, cantando melhor do que antes e compondo as melhores canções que eu já tenha feito. Não me vejo fazendo outra coisa na vida que não seja música e pretendo evoluir nas minhas habilidades. Espero poder dizer que conquistei isso em 2031.
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