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Por que as pessoas mudam nas redes sociais?

| 19/10/2020 15:06 h | Atualizado em 19/10/2020, 15:31

Pessoas que exalam gentileza se mostram intolerantes na internet quando não concordam com determinado assunto. Ou o contrário: alguém que sempre parece estar triste é pura positividade no mundo virtual. Teriam elas dupla personalidade?

Um caso que ganhou muita repercussão nos últimos dias foi a separação do cantor Gusttavo Lima com a modelo Andressa Suita. O casal, que ostentava uma família feliz, anunciou o divórcio após uma viagem juntos, gerando muito espanto nos fãs.

Casos assim são cada vez mais comuns não só entre os famosos mas também com outras pessoas que são usuárias ativas de Facebook ou Instagram, por exemplo.

Porém, para os especialistas, não se trata de ter duas personalidades, mas de escolher qual lado quer mostrar em determinado momento.

Para a psicóloga Tammy Marchiori, muitas pessoas têm dificuldades em reconhecer as próprias emoções e sentimentos, externando isso virtualmente. Mas pode haver consequências.

“O aumento de transtornos mentais, como a depressão e a ansiedade, está associado à necessidade de ter que aparentar vida, trabalho e relacionamento perfeitos que não existem. É preciso ter discernimento e autoconhecimento para usar essas ferramentas de forma saudável”, ressalta.

Segundo a psicóloga Daniela de Oliveira, todo mundo tem uma variação de quem é, tanto na intimidade quanto na vida pública. “E também temos uma variação de atitude em cada contexto em que estamos inseridos. Essas atitudes, muitas vezes, são sustentadas por um curto período de tempo em um determinado contexto”, diz.

Porém, quando a sociedade passa a seguir um tipo de “etiqueta social”, é comum as pessoas mostrarem o que quer que os outros vejam, escondidas por trás de falso anonimato, de acordo com o psicanalista Gregor Osipoff. “Elas têm a sensação de que não estão sendo vistas, e colocam para fora suas mágoas, tristezas e verdades. Mostram o que pensam, mas não têm coragem de falar pessoalmente”.


"Realidades que desejam”


Amodelo e estudante Anna Beatriz Nóbrega, 18 anos.
Amodelo e estudante Anna Beatriz Nóbrega, 18 anos. |  Foto: Leone Iglesias/AT

Simulando as diversas facetas que ela vê constantemente na internet, a modelo e estudante Anna Beatriz Nóbrega, 18, conta que é comum ver pessoas que aparentam uma personalidade diferente da vida offline.

“Principalmente nas redes sociais, muitas pessoas mostram ser o que não são. Elas apresentam realidades que desejam, e não as que possuem”, observa.


“Não julgo”


O ator Oscar Ramirez, 34 anos
O ator Oscar Ramirez, 34 anos |  Foto: Acervo pessoal

O ator Oscar Ramirez, 34, não vê problema em quem posta uma vida diferente no mundo virtual, principalmente quem precisa viver da própria imagem. “Eu não julgo. Infelizmente, nossa sociedade é guiada por aparências”, diz.


“Só quer ganhar seguidores”


A universitária Ana Júlia Moraes, 20
A universitária Ana Júlia Moraes, 20 |  Foto: Acervo pessoal

A universitária Ana Júlia Moraes, 20, conta que não confia em quem inventa um estilo de vida na internet.

“Conheço uma jovem que vive postando um estilo de vida saudável, fitness. Mas nem na academia vai! Só quer ganhar seguidores e esconde as 'imperfeições' com Photoshop. Isso só aumenta a busca da sociedade pela perfeição que não existe”, comenta.


A vida diferente do que ela é...


Beleza

  • “Somos expostos a fotos perfeitas e editadas, e desejamos ter esse padrão, o que pode levar as pessoas a criarem um avatar da vida editada. Rosto e corpo sempre perfeitos”, diz a neuropsicóloga Tammy Marchiori, que alerta que esse comportamento pode levar à baixa autoestima, principalmente de jovens.

  • Quando a pessoa posta muitas selfies, pode estar querendo aprovação de outros e tentando esconder uma insegurança real.

Política

  • Como não ficam frente a frente, muitos acham que as palavras escritas não provocarão ressentimentos. Por isso, às vezes, pessoas aparentemente sensatas na vida real, esquecem o diálogo e o respeito às diferenças para entrar na onda de polarização e agressões. Mas devem lembrar que o efeito das palavras nas redes sociais é mais devastador e ampliado.

Religião

  • Religião funciona com o mesmo mecanismo da política nas redes sociais. É preciso cuidado para não ter atitudes intolerantes. “A religião é o religar ao grande poderoso, e muitas pessoas entendem que somente elas e seu grupo serão abençoados. Mas o mundo é plural e todos podem ter a própria opinião e professar a fé que acredita”, afirma o psicanalista Gregor Osipoff.

Trabalho

  • De acordo com especialistas, o trabalho é uma das questões mais perigosas nas redes sociais. Muitos se escondem no ambiente corporativo e, quando estão no mundo virtual, expõem sua vida, ostentando ou relatando problemas pessoais e no trabalho. “Esses posicionamentos podem comprometer até o emprego”, adverte Gregor Osipoff.

Amor

  • Está cada vez mais comum expor sua vida pessoal e seus relacionamentos, ostentando felicidade e paixão. Porém, segundo Gregor Osipoff, quanto maior a exposição na rede social, pior pode estar a relação amorosa.

Filhos

  • Excesso de “fotos perfeitas” dos filhos, micos e transformação dos pequenos em minicelebridades podem esconder a rotina real em família. Geralmente, são pais que desejam se autoafirmar perante os outros.

  • Segundo especialistas, o excesso de exposição pode trazer problemas e impactos negativos para os filhos agora ou no futuro. Insegurança, desrespeito à individualidade e comparações são algumas consequências.

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