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Polícia mantém duas linhas de investigação para a queda do avião de Marília Mendonça
Investigação

Polícia mantém duas linhas de investigação para a queda do avião de Marília Mendonça

Documento aponta que as cinco vítimas não morreram durante a queda, mas com o impacto no chão, sofrendo politraumatismo

26/11/2021 16:45:27 min. de leitura

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Polícia mantém duas linhas de investigação para a queda do avião de Marília Mendonça Foto: Reprodução/ Redes Sociais
 

O motivo da queda do avião que estava Marília Mendonça ainda não está esclarecido, mas a polícia possui duas linhas de investigação em aberto. Na quinta-feira (25), foram descartadas a hipóteses de que o piloto e o copiloto poderiam ter sofrido um mal súbito, bem como a de que a aeronave teria sido alvejada, de acordo com os primeiros laudos concluídos.

O documento aponta que as cinco vítimas -a cantora, o piloto, Geraldo Martins de Medeiros, o copiloto, Tarciso Pessoa Viana, o produtor dela, Henrique Bahia, e o tio e assessor da sertaneja, Abiceli Silveira Dias Filho- não morreram durante a queda, mas com o impacto no chão, sofrendo politraumatismo.

No entanto, o delegado Ivan Lopes Sales informou que a conclusão sobre a causa da queda depende dos laudos do Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos), que ainda não tem prazo para conclusão. Sendo assim, a polícia ainda considera duas possibilidades: pane nos motores ou colisão com a torre de energia.

Na quinta, o delegado Lopes afirmou que hipótese explicaria a baixa altitude em que estava aeronave. "Há uma segunda linha de que pode ter sido algum problema com os motores que causou essa altitude baixa da aeronave, provocando a colisão, mas aí a gente aguarda os laudos do Seripa 03 [órgão do Cenipa], para ver, com a conclusão, se vai ser possível afirmar que esses motores não apresentaram nenhum tipo de defeito", explicou.

O delegado ainda disse que a Polícia Civil colheu alguns depoimentos de envolvidos no caso, como o dono da empresa à qual a aeronave pertencia e um outro piloto que chegou a falar com o comandante do voo, Geraldo Martins de Medeiros Júnior, enquanto ele já realizava os procedimentos de pouso.

"Esse piloto e o que se acidentou conversaram no rádio. E, em momento algum, ele reportou algum problema na aeronave, ele [Geraldo] reportou que ele tinha ciência do que estava fazendo, mas o que chama a atenção é que ele já estava na 'perna do vento da 02', o que quer dizer que ele já estava em procedimento de pouso. Quando ele fala isso, pela oitiva desse piloto, a estimativa é que o piloto que se acidentou estava a um minuto, um minuto e meio do pouso", detalhou o delegado em entrevista coletiva.

Apesar da hipótese da pane nos motores, outra linha de investigação da polícia é a de que a aeronave não tenha sofrido nenhum problema e a causa da queda esteja relacionada diretamente com o choque com a torre de energia.

A Polícia Civil chegou a encontrar um cabo enrolado em uma das hélices do avião. A Cemig informou que o avião teria colidido com a torre e que, após o acidente cerca de 33 mil pessoas, que dependem da Linha de Distribuição (LD) Caratinga 1, ficaram sem energia.

Vitória Medeiros, filha do piloto Geraldo Martins de Medeiros Júnior, deve, inclusive, entrar com uma ação contra a companhia de energia pela falta de sinalização na torre de distribuição com que a aeronave se chocou.

À reportagem, o advogado que representa a jovem, Sérgio Alonso, informou que, apesar de a torre não estar dentro da zona de proteção -o que implicaria em uma sinalização obrigatória-, ela ainda estava localizada em uma área de perigo.

"A Cemig alegou desde o primeiro momento que a torre não estava sinalizada porque não estava na zona de proteção. Mas, independente de estar na zona ou não, estamos nos baseando no Código Civil e na jurisprudência brasileira. Quem explora atividades perigosas tem obrigação de ter cuidado", argumentou.

Ele ainda informou que a diferença entre a zona de proteção e o local onde a torre estava localizada é de apenas 1 km. Sendo assim, para percorrer esse percurso, o avião teria apenas 20 segundos de voo, o que seria muito pouco para desviar do objeto.

O empresário Aníbal Martins Julião Júnior, dono do terreno onde houve o acidente, disse que viu o momento em que o bimotor bateu em um cabo de energia antes de cair. Ao jornal O Globo, ele relatou que acionou o Corpo de Bombeiros e o Samu e que, ao chegar ao local do acidente, havia um forte cheiro de querosene no ar. Ele só soube que a cantora estava no avião depois.