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Pedagoga: “Depois de uma certa idade, a gente só quer paz”

Brigar para quê? Especialistas afirmam que a maturidade faz muita gente optar por manter distância de atritos e confusões

Marcela Delatorre, do AT em Família | 21/02/2022 13:53 h | Atualizado em 21/02/2022, 13:54

Conceição Alves, 56 anos, acredita que o tempo deixa as pessoas mais pacientes
Conceição Alves, 56 anos, acredita que o tempo deixa as pessoas mais pacientes |  Foto: Acervo Pessoal
 

Se por um lado tem quem goste de ver e encarar discussões, por outro há quem prefira manter distância de atritos e confusões – seja na vida real, seja nas redes sociais. 

Psicóloga e psicoterapeuta, Isadora Velasco acredita que as pessoas se tornam mais seletivas com o que estão discutindo, principalmente depois de uma certa idade.

“Ao longo do tempo, por inúmeros fatores e contextos, a importância de alguns temas se modifica na vida das pessoas. Acredito que faz parte do  processo de amadurecimento e desenvolvimento pessoal compreender por que determinada opinião é tão importante para você ou para o outro”.

A pedagoga Conceição Aparecida Alves, de 56 anos, acredita que o tempo tende a deixar as pessoas mais pacientes. 

“O tempo nos torna sábios e com mais paciência. Desta forma, selecionamos melhor o que vale a pena argumentar. Independente da posição social, acredito que depois de uma certa idade, a gente só quer paz”, revela.

Ela lembra também que a maioria das pessoas prefere focar apenas nos problemas. 

“Eu acredito que só vale a pena argumentar quando há possibilidade de encontrar uma solução. O problema existe, agora vamos tentar resolver”.

O psicólogo Bernardo Carielo lembra que se permitir sair de discussões pode ser bom para a saúde mental.

“É bom pontuar que o conflito em si não é bom e nem mau, ele existe por um motivo. Saber em que discussão se colocar, o que é importante para você defender, é um baita sinal de maturidade”.

No entanto, ainda de acordo com ele, querer evitar conflitos a todo custo pode ser um problema. 

“A questão é quando alguém prefere ser passivo o tempo todo e acaba colocando em risco a sua autonomia. A vida pode sair do controle se a gente parar de se colocar”.

Também psicóloga, Naira Delboni ressalta que uma alternativa é se perguntar se a discussão vai ser desgastante ou não. 

“Cada pessoa reage de uma forma. Algumas são mais impulsivas, outras são mais retraídas e há aquelas que conseguem parar e decidir se vale a pena ou não discutir naquele momento”.


“Há discussões que não valem a pena”, diz psicóloga


É importante saber quais discussões valem a pena para manter a vida e os relacionamentos mais saudáveis. O AT em Família ouviu a psicóloga Mariana Monteiro Maciel, que falou um pouco sobre como a idade pode afetar esse comportamento.

A Tribuna – Depois de certa idade, as pessoas ficam mais seletivas com os conflitos em que entram?

Mariana Monteiro – Sim, com certeza. Espera-se que com a idade venha também o amadurecimento. E é com o amadurecimento que você passa a entender melhor o que é importante para você. Eu já vi muita gente falando: 'Hoje em dia eu escolho a minha paz em vez da razão'. Isso mostra que a pessoa madura consegue distinguir os conflitos que pode e quer evitar ou não.

O que deve ser levado em consideração na hora de decidir se vale a pena discutir?

É preciso identificar se aquele assunto é importante para você. Se é algo que você acredita e é inegociável. Nesses casos é essencial que você se posicione. Mas existem discussões que realmente não valem a pena. São coisas bobas que você pode deixar passar. 

Outro ponto é levar em consideração com quem você está discutindo. É uma pessoa que você ama? Vai fazer diferença na sua vida? Alguns conflitos precisamos colocar na balança para saber se vale a pena entrar.

Em que casos fugir de uma discussão não é positivo?

Você foge daquilo que é incômodo, daquilo que te faz ter medo. Em alguns momentos você evita conflitos, mas acaba transformando aquilo em uma bola de neve muito grande por medo de enfrentar. 

Então é importante definir se a discussão pode te fazer crescer. Devemos enfrentar o que nos causa desconforto, porque só enfrentando é que conseguimos enxergar que não é um bicho de sete cabeças e, assim, deixamos a vida mais leve.

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