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Ira! faz protesto musical contra injustiças em novo disco

| 08/06/2020 16:26 h

 Além de Nasi e Edgard Scandurra, a atual formação do Ira! é composta por Johnny Boy (baixo) e Evaristo Pádua (bateria)
Além de Nasi e Edgard Scandurra, a atual formação do Ira! é composta por Johnny Boy (baixo) e Evaristo Pádua (bateria) |  Foto: Ana Karina Zaratin/Divulgação
Em quase quatro décadas de história, o Ira! nunca teve um disco homônimo, um clássico entre bandas. Mas esse momento chegou, pondo um fim à espera dos fãs por um álbum de inéditas, o primeiro em 13 anos. O título não só demonstra a vontade de Edgard Scandurra e Nasi pelo retorno à sua essência, após tantas desavenças, como também é um retrato dos tempos atuais, de um povo que busca por justiça. “A maior inspiração foi um olhar sobre a história do Ira!, o seu papel dentro do rock nacional, nossas vidas na estrada e o que vivemos entre erros e acertos. O mundo mudou. Os gritos das minorias precisavam ser ouvidos e a guitarra e a voz do Ira! precisavam estar ao lado dessas pessoas injustiçadas pelo sistema, em especial às mulheres, muitas vezes olhadas no cenário do rock como objetos sexuais. Esse CD propõe um basta a essa visão”, afirma Edgard Scandurra ao AT2. Esse “chega” é dado em “Mulheres à Frente da Tropa”, que exalta a força e o protagonismo feminino em questões políticas e sociais. O coro de vozes tem Virginie Boutaud (ex-Metrô), uma das quatro parcerias femininas e únicas do disco. “Não só essa música, mas o álbum todo tem esse olhar feminino em sua estética e inspiração”. Já a atual situação de isolamento social pode ser identificada nas letras de canções feitas bem antes do caos. “Chuto Pedras e Assobio”, composta em 2012 por Scandurra com Bárbara Eugênia, é inspirada na vida solitária dos músicos. “Ela e 'Respostas', de 2017, feita com Silvia Tape, são músicas que caem como uma luva para nossos tempos de confinamento, assim como 'A Nossa Amizade', uma nova canção para uma letra que guardava desde 1992 que fala sobre a distância entre amizades”, salienta. Silvia também ajudou a compor “Você Me Toca”, de 2013. O restante do projeto foi escrito a partir de 2018, e o 12º disco ficou pronto em dezembro passado. Entre as recentes, a romântica “Efeito Dominó” e “O Amor Também Faz Errar”, faixa sobre as contradições do coração, que traz o Ira! em sua essência.

Edgard Scandurra e Nasi | Músicos “Não podíamos falar de loucurinhas de amor”


AT2: Por que lançar neste momento de pandemia?
Edgard: Creio que o tempo para as pessoas ouvirem o novo disco estava no limite. Esse álbum é um trabalho para ser mostrado em 2020. Não faria sentido esperar mais tempo.

O que este CD representa?
Edgard: É um olhar para nós mesmos dentro desse sistema cruel e opressor que se agiganta a olhos vistos. Não podíamos falar de loucurinhas de amor. Era preciso um disco de resistência, de enfrentamento e autocrítica.

É um trabalho que carrega a sonoridade que faziam no início do Ira!, mas com um toque atual. Como foi?
Nasi: Um dos responsáveis é o produtor Apollo Nove, que trabalha comigo desde 2006. Ele conhece bem a gente e não interfere muito na concepção do disco. Procura realizar a vontade do artista e traduz na gravação o jeito do músico. Tudo isso fez o disco ter a sonoridade próxima de nossos primeiros álbuns, mas soando bem contemporâneo.

A história da banda é marcada por brigas. As desavenças estão refletidas nesse CD?
Edgard: As crises que passamos deixaram cicatrizes que estão no novo disco. Não estão explicitadas coloquialmente, mas deixaram marcas. Creio que seja nosso CD mais adulto, sem resquícios de uma juventude eterna que parece ser uma temática tentadora em bandas de rock.

O fato de gravarmos este CD com tamanha energia, que remete aos primeiros álbuns, mostra respeito ao nosso público e à nossa história. Se é para terminar ou dar um tempo, que seja com um trabalho que nos dê orgulho e que deixe nossos fãs felizes com nossas novas canções, e não uma pobre “lavação de roupa suja” em uma página policial.

Voltaram em 2014, mas só agora lançam CD inédito.
Nasi: Dois anos depois da volta, tivemos o projeto folk, que acabou virando álbum e tirou um pouco esse foco. Pudemos sentir que ele era o trabalho de um novo Ira! e deixou que a coisa caminhasse de maneira natural. Sabíamos que esse disco deveria estar à altura dos nossos melhores e talvez a pressa de fazer algo pudesse fazer ser um CD não tão bom.

“Chuto Pedras e Assobio” é inspirada na rotina que a estrada impõe aos músicos. A sua própria companhia é a melhor de todas, como cantam?
Nasi: Desde quando começamos, essa é a nossa vida. Então, muito do que fizemos realmente foi dessa forma: em quarto de hotel ou em passagens de som.

Nela, cantam: “Não penso em mais nada, vem ficar comigo, vai que o mundo acaba”. Escreveram a trajetória da banda sempre vivendo um disco como se fosse o último?
Edgard: O mundo nos mostra, cada vez mais, que devemos viver intensamente tudo que for possível, aprender com os erros e tentar melhorar nossa perfomance como seres humanos.


Serviço


“IRA”
Artista: Ira!
Faixas: 10
Gravadora: Independente, com distribuição digital da Ditto Music
Preço: R$ 19,00 (digital)

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