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“O brabo tem nome” e é o capixaba DJ Matt-D

O produtor comemora o sucesso de “Pandora”, que está no top 5 do Spotify Brasil, com mais de 37 milhões de plays na plataforma

Flávio Carvalho, do AT2 | 01/02/2022 16:09 h

Matt-D: “É possível você ser aquilo que sempre almejou”
Matt-D: “É possível você ser aquilo que sempre almejou” |  Foto: Divulgação
 

“O 'brabo' tem nome”. Não é à toa que o capixaba Mateus de Jesus Almeida, 23, mais conhecido como DJ Matt-D, inicia suas produções com essa frase. Ele faz jus ao título, ou seja, incrível no que se propõe, ao lançar músicas que estão alcançando milhões de execuções.

Só o seu último hit, “Pandora”, gravado ao lado de Vulgo FK, Menor MC e MC GP, está no top 5 do Spotify Brasil, com mais de 37 milhões de plays na plataforma. Já no YouTube, o clipe ultrapassa a marca de 45 milhões de visualizações.

“Sucesso, para mim, significa trabalho duro, noites em claro, e ver que todos esses anos não foram em vão. E que é possível você ser aquilo que sempre almejou”, destaca o DJ ao AT2.

Antes de “Pandora”, emplacou “Tipo Gringa”, com Menor MC, e o set “Homenagem aos Relíquias”. A produção que exaltava músicas que marcaram época e foi registrada com novos nomes do funk fez tanto sucesso que ficou entre as 50 músicas mais ouvidas do YouTube Music em 2020, e ganhou segunda parte, com participações de Livinho e MC Dricka.

“Foi ali que eu vi que 'chutamos' tudo com aquela sensação de nostalgia. E sempre digo que ainda é só 3% do que eu sei fazer”, garante.

Com um álbum planejado para este ano, trazendo colaborações de “grandes nomes da música brasileira e também latina”, Matt-D revela estar vivendo tudo que sempre sonhou. Mas deseja mais!

“Todas as metas que eu escrevia em meu quarto são o que estou vivendo e estou para viver. Mas o que mais almejo é o Grammy Latino. E eu irei entrar para o Top 100 da Billboard. Meu maior sonho é isso que estou vivendo: ajudo minha família e me tornei inspiração para muitos que estão começando”.

Cria de São Benedito, em Vitória, o produtor mora há quatro anos em São Bernardo do Campo, em São Paulo. Visto por muitos como um artista de trap funk, ele lembra que iniciou sua trajetória produzindo música eletrônica.

Tudo começou em 2013,  quando o jovem, com 14 anos na época, navegava pelo YouTube e se deparou com vídeos que ensinavam a produzir o som eletrônico.

“Eu ia começando a assistir e era como se eu já soubesse tudo aquilo, como se fosse um déjà-vu. Meu pai e outros integrantes da família eram músicos, porém nenhum deles tinha recursos. Até que um dia resolvi mostrar a ele um beat e ele me perguntou como eu sabia sobre as notas musicais, pois estavam todas certas. Depois que vi que tinha o dom herdado dele, comecei a buscar mais e mais”.


“Depois da chuva, sempre vem o sol. Cá estamos nós”


AT2 - Com quem aprendeu a produzir música?

Matt-D - Desde 2013, o YouTube foi meu professor. Na época, não existiam muitos cursos de produção musical, então você tinha que se esforçar e buscar conhecimentos nos vídeos na gringa. Nunca fiz curso, pois não tive recursos na época, mas já tinha noção de notas musicais, teoria etc. 

Quando comecei, minhas ferramentas foram um fone de ouvido de celular, um computador que eu havia montado e aguentava o programa de produção, teclado e mouse. O resto era só correr atrás! 

Sua família te apoiou?

Meu pai falou de primeira que, se fosse isso mesmo que eu queria para a minha vida, era só  me empenhar, focar, porque lá na frente eu iria obter muitas experiências. Minha avó disse a mesma coisa, porém ela sempre falava para eu terminar os estudos e arrumar um trabalho qualquer ou fazer faculdade. 

Mas eu já tinha deixado claro que iria terminar o ensino médio e que, infelizmente, ela não iria me ver formando um médico ou advogado, mas que iria ter muito orgulho de mim. 

Infelizmente, meu pai não está aqui entre nós, pois veio a falecer em 2016, mas tenho certeza que, lá de cima, ele está vendo o progresso do seu filho. Às vezes, acho que vim à terra concluir a missão dele. 

Sempre trabalhou com música?

A música, para mim, é uma diversão até hoje. É como se eu já soubesse de tudo que está acontecendo na minha carreira, é como se já tivesse vivido isso antes. Nunca foquei no dinheiro da música, tanto que só comecei a ganhar com ela após 2018, e, nesses últimos anos, eu também trabalhava como entregador de iFood e trabalhei em um almoxarifado de obra. 

Quando percebeu que estava no caminho certo?

Em 2018, recebi um convite de uns amigos de Vitória para viver de música em São Paulo. Ficamos exatos 3 meses, mas tiveram erros que fizeram alguns amigos desistirem desse sonho e eles acabaram voltando pra Vitória. Mas, nesse meio tempo, fiz contato com a gravadora Gree Cassua Produtora e sempre marcava de visitá-los, porém não podia deixar esses meus amigos na mão. 

Então, voltamos para Vitória. Estava muito frustrado, bateu um desânimo enorme e, por um instante, lembrei dessa gravadora que havia me feito um convite. Resolvi chamar o Gree Cassua, que é o meu atual empresário, mentor e meu segundo pai, e pedi uma oportunidade novamente. 

Para que tudo acontecesse, precisava estar em São Paulo, então foi aí que convenci a minha avó novamente de que iria voltar a São Paulo, e foi onde eu comprei a passagem de avião só de ida, e ela me deu mais R$ 200. No aeroporto, disse a ela: “Essa é minha última tentativa de dar certo”. Dali em diante, comecei mesmo a viver da música, obtive muitos conhecimentos e todo dia aprendo mais e mais. Claro que sempre tem as fases difíceis, mas a regra é clara: depois da chuva, sempre vem o sol. E cá estamos nós!

Então, pensou em desistir? 

Claro, todos os grandes nomes da música ou de outros ramos artísticos já pensaram em desistir uma vez na vida. E eu também já pensei em largar tudo e ter uma vida comum. Mas pensa: chegar aos seus 50, 60 anos e ver que você desistiu por causa de uma simples “turbulência”? Que motivação e que exemplo você iria dar ao seu filho? Eu penso sempre no passado, presente e futuro.

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