Kanye West diz que carta de desculpas nasceu de remorso pessoal, não de estratégia de marketing
Kanye West voltou a chamar atenção nesta semana após afirmar que a carta de desculpas publicada no The Wall Street Journal não teve motivação comercial. Em entrevista à revista Vanity Fair, o artista que atualmente usa o nome Ye, rebateu as críticas de que o gesto seria uma tentativa de limpar sua imagem antes do lançamento de um novo disco.
A declaração surge poucos dias antes da estreia de Bully, álbum previsto para esta sexta-feira, 30, e reacende discussões sobre responsabilidade pública, saúde mental e os limites entre arrependimento genuíno e reposicionamento de carreira.
'Isso não é sobre relançar minha carreira'
Questionado diretamente sobre a coincidência entre o pedido de desculpas e o lançamento do novo trabalho, Ye foi enfático ao negar qualquer relação entre os dois movimentos. Em respostas enviadas por e-mail à Vanity Fair, o rapper destacou que sua relevância comercial não estaria em risco.
Segundo ele, em 2025, figurou entre os dez artistas mais ouvidos dos Estados Unidos no Spotify, além de manter álbuns antigos no topo das paradas de streaming. Para Ye, esses números demonstrariam que não havia necessidade de um gesto público para reaquecer sua imagem no mercado.
O músico afirmou que a carta nasceu de um peso emocional acumulado. Disse que o arrependimento passou a ocupar um espaço constante em seus pensamentos e que sentiu a necessidade de se posicionar publicamente para deixar claro de que lado da história deseja estar, que segundo ele, é o lado do amor e da positividade.
Pedido de perdão
No texto publicado no Wall Street Journal, Ye se dirige "àqueles que magoei" e atribui seus discursos de ódio a uma combinação de transtornos mentais e danos cerebrais não tratados. Ele reconhece a gravidade de suas ações e afirma que nada justifica o que foi dito ou feito.
Na carta, o artista rejeita qualquer associação com o nazismo e nega ser antissemita, além de declarar amor ao povo judeu. O pedido de desculpas também se estende à comunidade negra, que ele reconhece como base fundamental de sua identidade pessoal e artística.
Ye afirma que, durante episódios de mania, perdeu completamente a noção do impacto de suas palavras como figura pública, algo que, segundo ele, só se tornou evidente após o fim desse período.
Consequências públicas
O rapper relata que, no início de 2025, enfrentou um episódio maníaco que durou cerca de quatro meses, marcado por comportamentos impulsivos, paranoicos e psicóticos. Foi nesse intervalo que ele voltou a fazer declarações antissemitas nas redes sociais, vendeu produtos com suásticas e lançou a música Heil Hitler.
Esses episódios se somam a falas anteriores, iniciadas ainda em 2022, que provocaram uma série de rompimentos comerciais e isolaram o artista de grandes parceiros da indústria. Ye afirma que as declarações afetaram profundamente seus vínculos pessoais, destruindo relações familiares, amizades antigas e laços construídos ao longo de anos.
Segundo ele, observar os "destroços" deixados por esse período foi determinante para reconhecer que aquela versão pública não refletia quem ele realmente é.
Busca por equilíbrio
Na entrevista, Ye também abordou o tratamento psiquiátrico e as dificuldades de encontrar a medicação adequada. Ele contou que, ao final do episódio maníaco, uma mudança no uso de antipsicóticos o levou a um quadro depressivo severo.
O artista relatou que sua esposa, Bianca Censori, foi fundamental ao incentivá-lo a buscar ajuda especializada em uma clínica de reabilitação na Suíça. Ye destacou ainda que a comunidade afro-americana tende a ter maior sensibilidade a antipsicóticos, o que torna o ajuste da dosagem um processo delicado e complexo.
Atualmente, segundo ele, o foco está em encontrar estabilidade por meio de um tratamento mais equilibrado, aliado a terapia, exercícios físicos e mudanças no estilo de vida.
Posicionamento público
Embora tenha evitado responder a algumas perguntas da Vanity Fair sobre a origem exata de seus sentimentos antissemitas e sobre como tem buscado reparação em sua vida pessoal, Ye fez questão de reforçar que o pedido de desculpas não busca indulgência nem esquecimento.
Ele afirma não pedir "simpatia ou passe livre", mas compreensão durante o processo de recuperação. Para o artista, assumir publicamente o erro é também uma forma de sinalizar responsabilidade a um público que acompanha cada passo de sua trajetória.
Ao final, Ye diz que pretende canalizar sua energia criativa para projetos que tenham impacto positivo, retomando a música, o design e outras formas de expressão artística como caminhos de reconstrução pessoal e pública.
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