Horsegiirl: a DJ que diz ser 'metade cavalo e metade humana' fez sucesso no Lollapalooza
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A DJ alemã Horsegiirl foi um dos nomes mais comentados do primeiro dia do Lollapalooza Brasil 2026. No Palco Perry's, em São Paulo, a artista chamou atenção não só pelo set de música eletrônica, mas principalmente pela estética inusitada: máscara de cavalo, orelhas pontudas e uma marca em formato de coração na testa.
Sempre mantendo o personagem, ela se apresenta como 'metade cavalo, metade humana', uma construção que mistura humor, estranhamento e identidade artística e que rapidamente viralizou entre o público e nas redes sociais.
Personagem é peça central da carreira
Por trás da figura equina está Stella Stallion, nome que a artista utiliza ao se referir à sua identidade. Reservada, ela evita aparições sem máscara e raramente concede entrevistas fora do personagem, reforçando o mistério em torno de sua vida pessoal.
A estética não é apenas visual, faz parte de um conceito artístico que se estende à música, às redes sociais e à forma como se comunica com os fãs chamados por ela de "farmies".
Do underground ao sucesso viral
A carreira de Horsegiirl ganhou força com lançamentos como Harvest Heartbreak e o EP Farm Fantasies (2022), mas foi em 2023 que ela alcançou projeção internacional.
O single My Barn My Rules viralizou no TikTok e entrou em listas de destaque da crítica especializada, além de gerar polêmica após comentários negativos ao vivo na BBC Radio 1. A repercussão acabou ampliando ainda mais a visibilidade da artista.
Desde então, ela vem expandindo seu repertório com faixas como F0rbiidden L0ve$tory, Wish e Obsessed, explorando uma sonoridade que mistura eurotrance, pop eletrônico e influências de nomes como Lady Gaga e Dolly Parton.
A artista 'therian'
A performance da DJ também reacendeu discussões sobre o conceito de "therian". O termo vem de "therianthrope", de origem grega, e é usado para descrever pessoas que se identificam, em algum nível, como animais reais, não apenas de forma estética, mas também psicológica ou espiritual.
Essa identificação, segundo integrantes da comunidade, vai além de fantasia e envolve percepção de mundo, comportamento e senso de pertencimento.
Com o crescimento das redes sociais, o tema ganhou visibilidade, acumulando milhões de visualizações em plataformas de vídeos curtos.
Performance ou identidade real?
A artista constrói uma persona que mistura humor, estranhamento e conceito, algo bastante presente na música eletrônica, onde o anonimato e o uso de máscaras já se tornaram parte da linguagem como mostram nomes como Daft Punk e Marshmello.
A diferença é que, no caso dela, o discurso vai além da estética. Ao se apresentar como um híbrido entre humano e cavalo, a DJ adiciona uma camada que tensiona os limites entre performance artística e possível identificação pessoal, sem nunca esclarecer completamente onde termina uma e começa a outra.
Além do debate dos "therian's", a artista também reacendeu outro termo, os chamados "furries". Eles fazem parte de uma subcultura ligada a personagens animais antropomórficos com traços humanos, geralmente fictícios, envolvendo arte, fantasias completas (os chamados fursuits) e eventos de caráter lúdico. A diferença entre os dois está justamente na forma como essa relação é construída, enquanto um se apoia na expressão criativa e no universo simbólico, o outro parte de uma percepção íntima de identidade.
Se identificando como uma artista therian, Horsegiirl mantém o mistério como parte de sua própria narrativa. E é justamente essa ambiguidade que potencializa seu impacto, ao transformar a própria imagem em linguagem artística, ela ocupa o mainstream sem abrir mão do estranho e faz da dúvida um dos elementos mais poderosos de sua obra.
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